LEI DE DEUS

Não matar

Dando continuidade a série de artigos sobre o Decálogo, neste trabalharemos o quinto mandamento, que costumeiramente conhecemos como “Não matar”. Esse mandamento encontra-se expresso diretamente no livro do Êxodo 20,13: “Não matarás”, com isso é expresso a ordem de Deus para que ninguém tire a vida de outra pessoa. É Deus o autor da vida, ninguém tem o direito de tirá-la. 

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A sacralidade da vida humana

A vida humana é sagrada, como nos ensina o Catecismo, “porque desde sua origem ela encerra a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim” (CIC §2258). Contudo, desde muito cedo, a história revela que o homem contrariando Deus, tirou a vida de outras pessoas. Até mesmo existem relatos bíblicos que apontam isso: “Entretanto Caim disse a seu irmão Abel: ‘Saiamos’. E, como estavam no campo, Caim se lançou sobre seu irmão Abel e o matou” (Gn 4,8). Esse relato do Gênesis é tido como o primeiro assassinato bíblico. Deus com o assassinato de Abel, pede contas do sangue que foi derramado, e diz ainda, que tal atitude não ficará impune.

O assassinato é contrário a dignidade do ser humano. Cada um, pelo contrário, deve zelar e cuidar da vida até as últimas consequências. É Cristo o nosso exemplo que não tira a vida de ninguém, nem mesmo dos seus carrascos, mas dá a sua própria vida para que nós possamos ser remidos do pecado e tenhamos a vida eterna. Meu caros, leitores, não esqueçamos jamais que o exemplo a ser seguido é sempre o de Cristo. Ele deixa ainda a ordem para nós e para os seus discípulos: “Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá que responder no tribunal” (Mt 5,22).

A legítima defesa

A moral católica é baseada no amor a Deus e no amor a si mesmo. Sendo assim, o respeito pela vida é fundamental. Pode-se ainda pensar sobre o ato de matar em legítima defesa. Vai nos ensinar o Catecismo: “A legítima defesa das pessoas e das sociedades não é uma exceção à proibição de matar o inocente, que constitui o homicídio voluntário. ‘A ação de defender-se pode acarretar um duplo efeito: um é a conservação da própria vida, o outro é a morte do agressor. Só se quer o primeiro; o outro, não’” (CIC §2263). O Catecismo está nos dizendo, que em um ato de legítima defesa, o que se quer é salvar a vida e não tirar a vida de outro.

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A legítima defesa é um direito e um dever. É sempre necessário preservar a vida e o bem comum da sociedade. Por isso, a orientação é que se os meios incruentos bastarem para defender a vida contra um agressor, protegendo assim também a ordem pública e a segurança das pessoas, que sejam usados tais meios, porque estão mais de acordo com a dignidade da pessoa humana (Cf. CIC §2267).

Outros tipos de morte

São ainda proibidos os atos de matar, sejam eles: o Homicídio Voluntário, que podem ser direto ou indiretamente com algum tipo de cooperação; o Aborto, que é também considerado um ato extremamente grave, pois tira a vida de alguém totalmente inocente e indefeso. A vida deve ser defendida desde o primeiro momento da sua existência; a Eutanásia, que embora por algum motivo algumas pessoas estejam com suas vidas debilitadas, necessitam de maior zelo por elas; o Suicídio, Deus que nos deu a vida, sendo assim, precisamos preservá-la, somos administradores e não donos. O suicídio é contrário ao amor a si mesmo. Todos esses meios pelos quais a vida humana é tirada, eles são pecados graves e clamam ao céus justiça.

Por fim, não esqueçamos que cada um é responsável pela sua vida, ao mesmo tempo que, de certa forma, precisamos também contribuir para que os outros possam ter condições de preservá-la. Somos membros de um único corpo que é a Igreja, que tem Cristo como cabeça, por isso, estamos ligados e somos responsáveis também pelos nossos irmãos, como perguntou Deus a Caim: “Onde está teu irmão Abel?” (Gn 4,9). Que não sejamos como Caim, mas tenhamos cuidado com o outro que caminha ao nosso lado rumo à pátria celeste, aquela que não terá fim.  

Fábio Nunes
Seminarista da Canção Nova

Fontes:

BÍBLIA. Português. Tradução da Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. 2206p.
CATECISMO da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.