Mensagem de Fátima

Santuário promove a Devoção Reparadora, neste sábado

O apelo à devoção ao Imaculado Coração de Maria na Mensagem de Fátima

Desde fevereiro deste ano, o Santuário do Pai das Misericórdias oferece ao peregrino dentro da “Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados” uma catequese temática baseada no livro da serva de Deus Ir. Lúcia, intitulado “Apelos da Mensagem de Fátima”, com a finalidade de proporcionar um maior entendimento sobre a Mensagem que Deus enviou à humanidade – por meio do Anjo e de Maria Santíssima – convidando-a a voltar-se para Ele.

Irmã Lúcia junto a imagem de Nossa Senhora de Fátima | Foto: Arquivo Pessoal

O apelo à devoção ao Imaculado Coração de Maria é o décimo primeiro explicitado na obra e traduz o relevante papel de Maria Santíssima na história da salvação do gênero humano. A Ir. Lúcia para elucidá-lo parte da fala de Nossa Senhora na aparição de junho de 1917: “Jesus quer […] estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração” (IRMÃ LÚCIA, 2015, p.175). Então, exprime o significado desta devoção nos seguintes termos:

“Estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria significa levar as pessoas a uma plena consagração de conversão, doação, íntima estima, veneração e amor. É, pois, neste espírito de consagração e conversão que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria (IRMÃ LÚCIA, 2007, p. 135).”

Assim sendo, assegura que essa devoção se estabelece no mundo por uma verdadeira consagração ao Imaculado Coração de Maria, que se traduz numa autêntica conversão e entrega ao Seu Filho Jesus. Dá a entender que essa conversão é permeada pela escuta da Palavra de Deus, da qual é o grande modelo, Ela que a guardou de tal maneira em seu Coração, que se tornou digna de trazê-la encarnada em seu seio: “A Palavra se fez homem e acampou entre nós” (Jo 1, 14). 

Entretanto, a Ir. Lúcia evidencia que a obra da redenção da humanidade foi iniciada no Coração Imaculado de Maria com o seu fiat: “Aqui tens a escrava do Senhor. Que sua palavra se cumpra em mim” (Lc 1,38). Logo, aduz ao papel de Nossa Senhora como corredentora do gênero humano, dado que Ela trouxe o Redentor em seu seio, O amamentou, O carregou nos braços, foi quem mais conviveu com Ele ao longo de sua vida terrena e, portanto, quem mais o conheceu profundamente. Ela esteve no início de Sua vida pública adiantando a Sua hora e o Seu primeiro milagre, O acompanhou em vários momentos de Seu ministério e, por fim, esteve com Ele a caminho do calvário, sofrendo, no Coração, o martírio que Ele sofreu na Alma e no Corpo. Assim, pode-se constatar que Jesus em suas últimas palavras proferidas, demonstra o seu amor e gratidão por sua Santíssima Mãe (Jo 19, 26-27), entregando-A aos cuidados de João, ao mesmo tempo em que compartilha com a humanidade Sua sublime maternidade, tornando-A partícipe da universalidade de sua mediação. O Concílio Vaticano II ratificou esta verdade de fé, vivenciada e ensinada pela Igreja, desde os seus primórdios nos seguintes termos:

“Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo” (LUMEN GENTIUM, 62).

Esse sagrado Concílio reiterou ainda que, a Virgem Santíssima “cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça” (LUMEN GENTIUM, 61). Logo, pode-se observar que a doutrina da Igreja sobre a Virgem Maria expressa nesta Constituição dogmática aduz às palavras de Nossa Senhora na aparição de junho em Fátima (1917) quando Ela mesma diz: “Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus” (IRMÃ LÚCIA, 2015, p.175). Pode-se observar que essa Constituição também ajuda a entender o múnus da Mãe de Deus e nossa, na história da salvação, ao afirmar que “esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la; sente-a constantemente e inculca-a aos fiéis, para mais intimamente aderirem, com esta ajuda materna, ao seu mediador e salvador” (N.62).

“Seja feita a vossa vontade” | Foto: Canção Nova PT

Considerados estes aspectos, pode-se concluir, com as palavras do então Cardeal Joseph Ratzinger no “Comentário Teológico” sobre o segredo de Fátima, a respeito da Devoção ao Coração Imaculado de Maria:

“Devoção ao Imaculado Coração de Maria é aproximar-se desta atitude do coração, na qual o fiat — ‘seja feita a vossa vontade’ — se torna o centro conformador de toda a existência. Se porventura alguém objetar que não se deve interpor um ser humano entre nós e Cristo, lembre-se de que Paulo não tem medo de dizer às suas comunidades: ‘Imitai-me’ (1 Cor 4, 16; Fil 3, 17; 1 Tes 1, 6; 2 Tes 3, 7.9). No Apóstolo, elas podem verificar concretamente o que significa seguir Cristo. Mas, com quem poderemos nós aprender sempre melhor do que com a Mãe do Senhor? […] ‘O meu Imaculado Coração triunfará’. Que significa isto? Significa que este Coração aberto a Deus, purificado pela contemplação de Deus, é mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer espécie. O fiat de Maria, a palavra do seu Coração, mudou a história do mundo, porque introduziu neste mundo o Salvador: graças àquele ‘Sim’, Deus pôde fazer-Se homem no nosso meio e tal permanece para sempre” (CONGREGAÇÃO PARA DOUTRINA DA FÉ, p. 49.54-55).

A sua homilia, por ocasião da canonização do Frei Galvão, em maio de 2007, no Brasil, referenda esta afirmação: “Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora”.

Para um maior aprofundamento dessas verdades dogmáticas, no próximo dia 07 de dezembro de 2019, esse será o tema abordado na Devoção Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados, no Santuário do Pai das Misericórdias, com início às 10h. Que, ao conhecer um pouco mais sobre a importância dessa devoção, possamos prestar a honra e a reparação devida ao Seu Coração Imaculado, muitas vezes, ofendido pelos ultrajes dos pobres pecadores.


Áurea Maria,
Comunidade Canção Nova

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REFERÊNCIAS

BENTO XV. Santa Missa e Canonização de Frei Galvão, OFM. 11 maio 2007. Disponível em: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070511_canonization-brazil.html. Acesso em: 01 dez. 2019.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. A Mensagem de Fátima: o segredo. 3. ed. Lisboa: Paulinas, 2000.

CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA Lumen Gentium sobre a Igreja. In: COMPÊNDIO DO VATICANO II: constituições, decretos, declarações. 31. ed. Petrópolis: Vozes, 2016. p. 37-117.

IRMÃ LÚCIA. Apelos da Mensagem de Fátima. 4. ed. Fátima – Portugal: Secretariado dos Pastorinhos, 2007.

IRMÃ LÚCIA. Memórias da Irmã Lúcia. 17. ed. Fátima – Portugal: Fundação Francisco e Jacinta Marto, 2015.

SCHOKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. Tradução de Ivo Storniolo, José Bortolini e José Raimundo Vidigal. São Paulo: Paulus, 2002.