Eu quero ser lápis nas mãos de Deus...

“Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser lápis.” Madre Teresa de Calcutá.

Um abandono nas mãos do Pai

Esta frase de Santa Teresa de Calcutá, diz muito de sua espiritualidade de toda a condução que o próprio Deus a levou a fazer e a viver por onde passou, e principalmente na sua missão específica com os mais pobres e abandonados. E logo nos vem o questionamento de como podemos ‘ser lápis nas Mãos de Deus’, pois ser lápis na verdade gera um grande desafio interior, é um abandono nas mãos do Pai, uma conquista a cada dia e a cada atitude, das quais nos deixamos ser conduzidos por Ele.

Ser lápis é total renúncia do nosso eu e uma entrega para Deus. É deixar-se livremente ser guiado e confiar em todos os movimentos, pois estaremos sendo apenas canal entre o Escritor e o papel. É, ao mesmo tempo, não nos preocuparmos com o que será escrito, não termos medo, pois a entrega nos gera Paz, Daquele que nos usa com Amor e por Amor, para uma missão em favor do nosso próximo.

De tal forma, ser lápis é ser humilde em qualquer situação, pois como em qualquer texto que lemos, a última coisa que pensamos é no lápis utilizado e assim seremos os menos reconhecidos diante das Obras de Deus que acontecerão pela nossa disposição. Madre Teresa viveu esta experiência em toda sua vida, sendo fundadora das Missionárias Caridade, não parou no título ou no que fazia, mas sim no desejo em agradar a Deus, em fazer para Deus, enxergando em cada pessoa o rosto do crucificado que lhe dizia constantemente: ‘tenho sede!’.

Fonte: cancaonova.com

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Estar sob a vontade de Deus

A graça de ser lápis é amar cegamente o nosso Condutor , sem ao menos nos engrandecer ou achar que nossos feitos foram de nossa autoria. Quando nos permitirmos ser lápis só teremos que ser lápis e mais nada! E mesmo sendo apenas um lápis poderemos ter a certeza que estaremos nas Mãos de Deus, sendo utilizados por intermédio Dele para o bem de outras pessoas em outras realidades que nem podemos imaginar. Hoje nossa sociedade anseia por um olhar, um toque, um sorriso, e cabe a cada um de nós como Cristãos, estar no meio da sociedade, indo ao encontro do nosso irmão.

Ser lápis não é só ser a mesma coisa sempre. Seremos apontados, quebrados, desgastados e de vez em quando guardados, para então vivermos um tempo de reflexão e reciclagem. Madre Teresa viveu quarenta anos de uma fé provada sem sentimentos, mas não deixou sequer de passar um dia de sua vida sem ir á capela visitar o Santíssimo Sacramento. Como a Santa de Calcutá nos ensina, nos aponta o Evangelho, do qual viveu integralmente, como sua simplicidade atraiu olhares e até hoje gera frutos de conversão e santidade. Certamente ser lápis é isso: estar sob a vontade de Deus.

Convido você hoje a deixar ser um lápis nas Mãos de Deus. Deixar-se guiar livremente sem medo do que poderá ocorrer, deixar que Deus seja o Autor de tudo, pois verdadeiramente somos apenas humildes instrumentos. E nos permitindo sermos este lápis, seremos aptos a cada mudança ou reforma naquilo que despojamos do nosso interior a ser utilizado por Deus. E nesse sentido figurado, o que Deus quer fazer em nós, é utilizar-nos como filhos Dele, através de nossas palavras, atitudes, gestos, sentimentos, e diversas coisas que Ele mesmo nos dá a graça de fazer pela condução do Teu Santo Espírito em nosso coração, e nos abraça com a Sua compaixão de Pai, contando conosco para a construção do Seu Reino, que já começa agora.

Ser lápis é uma opção nossa, mas como concretiza Madre Teresa: “eu só tenho que ser lápis”, e Deus fará o restante com certeza. Aos poucos deixe-se conduzir e muitos frutos surgirão das autorias de Deus em sua vida.
Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!

Thulio Donizete Fonseca Silva
Missionário da Comunidade Canção Nova