Missão e misericórdia caminham juntas?

A missão e a misericórdia

A carta aos Efésios no capítulo 2 versículo 4, diz que Deus é rico em misericórdia. Ele se manifesta em todas as suas obras pelo grande amor com que nos amou, porque “Ele é amor” (1Jo 4,8).

Santo Tomás de Aquino ensina que a “misericórdia” máxima se deve atribuir a Deus, e nós a evidenciamos ao considerar que misericordioso é quem possui um coração comiserado, que se contrista com a miséria do outro como se fosse a própria; e se esforça por afastar esta miséria como se esforçaria por afastar de si próprio. Com isso, temos que o maior exemplo da misericórdia é o próprio Jesus, que foi até a miséria da humanidade para resgatar e salvar todos os filhos de Deus.

Toda a vida de Cristo exprime sua “missão”, que é servir e dar a vida em resgate por muitos. (CIC. 608). Na missão de Jesus, portanto, está a missão da Igreja e de cada um daqueles que se comprometem com o Evangelho. Pois, a missão de Cristo passa a ser a missão da Igreja após Jesus ressuscitar e aparecer aos discípulos e lhes dizer: “como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). Assim, o Pai envia o Filho e o Filho envia todo cristão, que está em estado permanente de missão no mundo pela força do Espírito Santo.

As obras de misericórdia/ misericordia.org

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Missão e misericórdia conjuntas

Existe unidade na vivência da missão que deve ser realizada através da misericórdia de Deus, que alcança a todos que se deixam ser alcançados. Todo cristão é agente por excelência de anunciar a boa nova como o próprio Senhor o fez; que é ir até a miséria dos irmãos, para acolher os dispersos e erguer os caídos.

Uma forma de colocar em prática no dia-a-dia a missão e a misericórdia no seio da Igreja é através das obras de misericórdia, que são as ações de caridade pelas quais socorremos o próximo em suas necessidades corporais e espirituais a exemplo de Jesus.

Somos o corpo místico da Igreja que tem Cristo como cabeça, o que nos leva a exercer nossa missionariedade de forma caritativa pelas obras de misericórdia que é “instruir, aconselhar, consolar, confortar (…), como também perdoar e suportar com paciência. (…), dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar moradia aos desabrigados, vestir os maltrapilhos, visitar os doentes e prisioneiros, sepultar os mortos. Dentre esses gestos de misericórdia, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna” (CIC. 2447).

Estes atos concretos são importantes, porque muitas vezes nos preocupamos em realizar a missão em lugares distantes, sendo que, na maioria das vezes a nossa missão está mais próxima a nós do que imaginamos. Claro que, ninguém está isento de observar o pedido de Jesus, que é “ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Mas é preciso estar sempre em missão e aplicar as obras de misericórdia onde estivermos para concretizarmos o estado permanente de missão de todo cristão.

Igreja em saída

A missão e a misericórdia são aspectos característicos de uma Igreja em saída, que não fecha em si mesma, mas vai ao encontro do outro na sua necessidade.

O Papa Francisco na Evangelii Gaudium aponta que no “ide de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova saída missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.”

Portanto, nesta perspectiva de saída até o próximo, que todos possam dizer como Jesus: “meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra” (Jo 4,34), para que, assim, todos cumpram com amor sua missão dentro do projeto misericordioso que o Senhor tem para cada um de nós, que somos os seus filhos amados.

Márcio Leandro
Candidato as ordens sacras na Comunidade Canção Nova