Um ano dedicado aos leigos na Igreja do Brasil

A pertença dos leigos na comunidade

Ao instituir o Ano do Laicato, a CNBB, convida a todos os fiéis a dar uma nova resposta e um novo sentido à sua pertença na comunidade eclesial.
Quando a verdade é clara e simples, podemos entendê-la facilmente. Aprendemos a sua forma, o seu motivo, o que ela abre de novos panoramas na nossa inteligência e, assim, temos um novo conhecimento, conhecemos a verdade! Se é uma verdade de Fé, isto é, se tem um conteúdo espiritual revelado por Deus, essa verdade certamente nos liberta (cf. Jo 8, 32).

Começa, então, uma segunda etapa a que, infelizmente, poucos se aventuram: viver plenamente essa verdade conhecida. Nos evangelhos, Jesus, nos convida o tempo todo a entender esse caminho, que é a verdade e também é a verdadeira vida, nos convida também a não ficarmos parados no
entendimento, e sim, a tomar posse daquilo que se entende e viver uma vida renovada. Desse entender/viver começa-se a construir uma nova vida em nós, que desemboca em um novo eu, um outro Cristo que, como ensina São Paulo, está ainda escondido, mas ansioso por se revelar
(Cf. Cl 3, 3 / Rom 8, 19).

Mais surpreendente ainda é que Deus não só conduz cada homem nesse caminho de vida, mas também, conduz sua Igreja através dos séculos a uma experiência cada vez mais profunda, com a revelação e os desígnios do Senhor para o Seu povo eleito. Como é lindo ver o discernimento, cada vez mais límpido e revigorante, que vai desde o reconhecimento do Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus no primeiro milênio, passando pelo papel de Maria na economia da salvação nos últimos séculos, o reconhecimento das contribuições das santas como doutoras da Igreja após o Concílio Vaticano II e, mais recentemente ainda, da santidade dos casais.

Afinal, se o matrimônio é um sacramento, como não pode e deve ser uma verdadeira via de santificação dos cônjuges? Uma verdade sabida a muitos séculos, que somente agora começa a ser reconhecida, como também passível de ser vivida com o exemplo de Luís e Zélia Martin,
canonizados em 2015, e outros casais que agora se encontram em processo de beatificação ou canonização.

O leigo é parte integrante da Igreja. Fonte: cancaonova.com

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Ser leigo na Igreja

Citamos os casais, pois, são um excelente exemplo do que chamamos de leigos! No último século, onde o ser humano passou a ser conhecido muito mais pelo o que faz no mundo do trabalho, do que por aquilo que realmente é, na Igreja parecia existir uma elite composta por sacerdotes, monges, freiras e uma massa informe e bem mais numerosa que não se enquadrava nessas condições chamados de leigos.

A etimologia da palavra “leigo” já nos diz bastante sobre esse pensamento primitivo de alguém que é inferior: ela surgiu para designar os serviçais nos conventos e, mesmo hoje em dia, é utilizada para referir-se a alguém que sabe pouco ou nada sobre determinado assunto. Assim, podemos dizer que somos leigos em medicina, ou em informática, ou em qualquer modalidade, logo, entende-se que não sabemos muito sobre o assunto em questão.

Nos últimos anos, porém, cresceu o entendimento de que o leigo não é somente o povo que vai à missa ou a massa inerte dos fiéis. Digo melhor, como lembrado no início, sempre houve na Igreja o entendimento de que o leigo ou fiel é parte integrante da Igreja, porque, como batizado é membro do corpo místico de Cristo. O que vemos agora e cada vez mais a partir do Concílio Vaticano II, é que esse entendimento começou a traduzir-se em vivência real na Igreja universal e nas igrejas locais. O leigo não é somente um passageiro nessa enorme “arca da salvação”, conhecida por Igreja Católica, mas tem papéis e funções a desempenhar que se não forem realizadas por esses fiéis, ficarão sem ter quem o faça ou não serão realizados em plenitude.

Assim como os casais católicos (não são somente “fábrica” de padres); consagrados e consagradas; os leigos também têm uma missão própria e insubstituível: ser semente de Santidade no mundo ou, usando uma citação do Evangelho, ser “sal da terra e luz do mundo” (Cf. Mt 5, 13). Para que a mensagem de Cristo penetre em todas as camadas da sociedade, em todos os países do mundo, e em todas as realidades diárias dos homens e mulheres, faz-se necessário esse fermento que leveda toda a massa. Esse fermento que age na massa dos homens, a partir de dentro, precisa ser formada pelos leigos.

Ao cumprimentar a iniciativa dos bispos do Brasil pelo ano do laicato, o Papa Francisco, lembra os fiéis católicos de que devemos atrair a todos para a vida em Cristo, mas, “não se trata simplesmente de abrir a porta para que venham, para acolher, mas de sair porta fora, para procurar e encontrar”. Reforça assim, a missionariedade dos leigos no mundo, que fazem parte como ferramenta ativa na evangelização.

Por onde devemos começar?

No entanto, não devemos nos iludir, sejam padres, freiras, consagrados de qualquer tipo ou leigos, o caminho para a evangelização do mundo e das realidades que nos cercam, começa sempre pelo mesmo lugar: uma adesão pessoal a Cristo cada vez mais firme e profunda. Membros do corpo místico de Cristo, a eficácia de nossa missão no mundo está diretamente relacionada com o grau de adesão a esta cabeça mística, que nos salva e santifica. Somente à medida que buscamos a santidade pessoal com cada vez mais intensidade, nossa missão no mundo como leigos se revela, cresce e frutifica. Afinal, como bem nos lembra o Salvador, ‘sem mim nada podeis fazer’ (Cf. Jo 5, 15).

A beleza do convite dos bispos do Brasil está nessa dupla realidade de ser discípulo e missionário, já tão bem explicitada no Documento de Aparecida em 2007. Devemos, como discípulos, beber fartamente dessa fonte de água viva que é a Igreja e seus sacramentos, para que possamos ser também canais dessa graça aos nossos irmãos, como verdadeiros missionários nas realidades cotidianas do mundo ou, melhor dizendo, como verdadeiros leigos cristãos.

So é preciso lembrar que, sem a busca da santidade pessoal, nada que é espiritual vinga, também é necessário recordar que esse mesmo Cristo que nos chamou quando ainda éramos pecadores (Cf. Rom 5, 8), também, não espera que estejamos prontos e acabados para a missão. Enquanto ramos presos à verdadeira videira, estamos em crescimento e desbravando o pequeno mundo que nos cerca para levar os frutos do Espírito de Cristo. Assim, a missão dos leigos dentro e fora dos muros das Igrejas é para já e, assim como a santificação pessoal, constrói-se no dia a dia. Não deixemos para amanhã! Receba (se possível) diariamente esse pão que é “nosso” por pura bondade do criador, e seja canal para que outros O possam receber e O reconhecer como o Pão da Vida! O único capaz de nos preparar para a eternidade.

Flávio Crepaldi
Gerente de programação da TV Canção Nova

 

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