evangelho do dia

Guarde os Mandamentos de Deus - Padre Vagner Baia (07/05/2026)

A Medida do Amor de Jesus e a Fidelidade a Deus

Jesus nos faz uma revelação extraordinária: Ele nos ama na mesma medida em que o Pai O ama. Esse amor permanece Nele porque Ele guarda e cumpre perfeitamente tudo o que o Pai Lhe ordenou. Diante disso, o Senhor nos convida a fazer o mesmo: permanecer no Seu amor.

Não existe um amor dividido. O amor que dedicamos aos nossos pais, irmãos, familiares e a cada pessoa deste mundo deve ser o reflexo direto do amor de Deus em nossos corações. A Palavra de Deus, na Primeira Carta de São João (4,20), é categórica: se alguém diz que ama a Deus, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso. Quem acolhe a Deus não pode nutrir ódio, raiva, mágoa ou desejos de vingança. Onde há essas realidades, a alma se afasta da salvação e se fecha para o Céu. Guarde os Mandamentos de Deus

O Próximo mais Próximo: A Relevância do Quarto Mandamento

Quando questionado sobre quem é o próximo, Jesus nos deixou a parábola do Bom Samaritano, mostrando que o próximo é aquele de quem nos aproximamos para cuidar e manifestar misericórdia. O cuidado com o outro é a expressão visível do nosso amor por Deus. Se nos fechamos no egoísmo, rejeitamos o próprio cuidado do Senhor.

Para compreendermos quem é o nosso primeiro “próximo”, basta olharmos para a ordem dos Mandamentos. Depois dos três primeiros, que tratam dos nossos deveres para com Deus, o quarto mandamento nos apresenta o próximo mais imediato: “Honra teu pai e tua mãe, para que tenhas uma vida longa e sejas feliz.”

Muitas pessoas experimentam uma infelicidade constante, enfrentam caminhos fechados e não compreendem a raiz de seus sofrimentos. Muitas vezes, o diagnóstico está na falta de cumprimento deste mandamento. Se os seus pais já faleceram, ou se estão vivos e houve feridas, o caminho é a reparação: por meio de muita oração, da Santa Missa e do sacramento da Confissão, para que a sua história seja restaurada em Deus.

Resolver os Conflitos em Comunidade e em Oração

A primeira leitura dos Atos dos Apóstolos nos ensina como a Igreja Primitiva resolvia seus desafios: sentando-se juntos, conversando e rezando. São Paulo e Barnabé viajaram de Antioquia a Jerusalém para consultar São Pedro — o primeiro Papa, constituído por Jesus como a rocha da Igreja. As decisões eram tomadas no discernimento espiritual.

Essa sinodalidade é vivida ainda hoje, como nos conclaves para a eleição dos Papas ou nas assembleias de governo da comunidade Canção Nova, onde os membros se retiram em oração para encontrar a vontade de Deus.

Esse é o modelo para a sua casa. Quando as dificuldades e as crises familiares surgirem, os pais devem reunir os filhos, sentar-se à mesa e rezar juntos. É o amor de Deus que nos dá a graça e a humildade necessárias para resolver os problemas em unidade.

Renúncia ao Mal e Combate Espiritual

A Igreja nascente também estabeleceu critérios claros para proteger os fiéis do paganismo, exortando-os a evitar uniões ilegítimas e práticas contaminadas. Trazendo para a nossa realidade atual, precisamos compreender que não podemos estar em qualquer lugar, nem achar que Deus compactua com tudo. A salvação é guardada na fidelidade aos sacramentos; por isso, a importância de regularizar a vida matrimonial através do Matrimônio na Igreja.

O combate espiritual é real. Práticas de ocultismo, feitiçaria, desvalorização da vida e a ação do satanismo continuam presentes no mundo, tentando envolver aqueles que estão fracos na fé. Quem não guarda os mandamentos torna-se presa fácil para o inimigo.

Além disso, os pecados silenciosos também destroem a alma. Matamos o próximo não apenas com armas, mas com a língua, com a fofoca e com a calúnia, roubando-lhes a dignidade e a paz. A cobiça, a luxúria, a ira e o orgulho operam diariamente para nos afastar da graça.