Como vencer a paralisia espiritual pela força da intercessão
Caríssimos irmãos no sacerdócio, caríssimos irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta um paralítico levado até Jesus. E veja: ele não chega sozinho. Alguém — ou alguns — o carrega. Alguém acredita por ele; alguém o coloca diante do Senhor.
É importante mensurarmos isso. O Evangelho faz questão de dizer que, vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados” (Mt 9, 2).
Jesus vê a fé daqueles que carregam o paralítico. Imaginem a cena de alguém sendo carregado por seus amigos, homens que acreditavam que, se aquele enfermo conseguisse chegar perto de Jesus, ele seria curado.
O poder da intercessão: não desista de carregar os seus
Há graças que chegam à vida de uma pessoa porque alguém intercede por ela. Há pessoas que, talvez, já não tenham mais forças para rezar, mas são sustentadas pela oração de alguém. Há filhos que são carregados pela fé de seus pais. Por mais que você, pai ou mãe, tenha dado uma boa catequese, o filho pode ter se desviado no decorrer da vida, e agora é sustentado pela sua fé.
Há famílias carregadas pela oração de uma mãe, de uma avó ou de um sacerdote que continua acreditando. A fé de alguém pode abrir caminhos para que a misericórdia de Deus alcance outro coração.
Nunca devemos desprezar o valor de uma intercessão. Precisamos aprender a nos colocar na brecha. Quando rezamos por alguém na Adoração ou na Santa Missa, fazemos o mesmo gesto daqueles homens do Evangelho: carregamos quem não consegue mais caminhar sozinho. Por isso, por favor, não desista de carregar as pessoas. Como o Monsenhor Jonas Abib sempre nos ensinou aqui na Canção Nova: “Não é pesado, é meu irmão”.
Jesus vai à raiz da nossa paralisia espiritual
Nosso Senhor é pedagogo. O que Ele faz primeiro surpreende a todos. Aquele homem era paralítico e seus amigos o levaram até Jesus para que voltasse a andar. Todos esperavam ouvir: “Levanta-te e anda”. Mas Jesus começa dizendo: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados”.
Por que Ele faz isso? Porque Jesus vai sempre na raiz do problema. Ele não trata apenas o sintoma exterior; toca na ferida mais profunda. Antes de devolver o movimento ao corpo, Ele devolve a paz àquela alma prostrada.
Isso nos ensina que a maior paralisia não é a física, mas a paralisia espiritual provocada pelo pecado, pelo medo, pela culpa, pelo ressentimento e pela falta de fé. O pecado paralisa a nossa vontade de recomeçar, rouba a nossa alegria e destrói a nossa esperança. O inimigo sabe que o pecado nos mata por dentro, e o seu objetivo é nos paralisar.
Sede sóbrios e vigiai: fechando as brechas para o inimigo
Na Primeira Carta de São Pedro, somos advertidos: “Sede sóbrios e vigiai. O vosso adversário, o diabo, anda ao redor de vós como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (1Pe 5, 8). A vigilância cristã não é viver com medo do demônio, mas sim viver atentos a Cristo.
Vigiar é perceber por onde o pecado quer entrar. O inimigo raramente começa com grandes quedas; ele começa enfraquecendo nossa sobriedade espiritual através de pequenas brechas:
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Uma oração que vai sendo abandonada;
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Uma confissão adiada por vergonha do pároco (lembre-se: o padre está ali para perdoar, não para julgar);
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Ressentimentos guardados no coração;
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Pequenas mentiras ou vaidades escondidas.
Diante de Jesus Eucarístico, nós voltamos ao essencial. Na presença de Deus, a alma se ordena, o coração se acalma e a misericórdia nos dá coragem para recomeçar. Não importa o que você viveu, Ele lhe dá uma nova chance.
O abraço do Pai que nos levanta
Enquanto os escribas julgavam e acusavam, Jesus respondia com fatos e ordenava: “Levanta-te, toma a tua cama e vai para a tua casa”. O perdão de Jesus não é uma ideia bonita, é uma força concreta de ressurreição.
Todas as vezes que vamos ao confessionário, acontece a cena do mosaico do Santuário do Pai das Misericórdias: o filho não está totalmente prostrado, nem totalmente em pé; ele está sendo reergido pelos braços do Pai.
Seja qual for a sua luta silenciosa, Jesus olha nos seus olhos hoje e diz: “Coragem, filho”. Ele convida você à sobriedade para não brincar com o pecado, e à vigilância para não ceder ao inimigo. Quem tem a última palavra na sua vida não é o acusador; a última palavra é de Cristo Jesus, e Ele diz: recomeça, a minha graça te basta.




