A Semente de Deus e o Joio do Inimigo
Meus irmãos e minhas irmãs, recentemente, refletimos sobre a abertura da sessão de parábolas sobre o Reino dos Céus, especificamente a parábola do semeador. Deus semeia a Sua Palavra em nossos corações e nos dá a graça de frutificar esta boa semente. É uma grande alegria sermos esse terreno onde o Senhor planta.
Porém, existe um outro que também gosta de semear: o inimigo de Deus. O maligno não semeia a Palavra, mas o joio dentro de nós. Ele não quer que sejamos aquilo para o qual fomos criados e age através de sugestões, opressões e, em estágios piores, possessões. É por isso que, neste acampamento na Canção Nova, clamamos: livrai-nos do mal. Nós queremos nos libertar desse mal que tantas vezes assola o nosso coração.
A Indulgência e a Paciência de Deus
A liturgia nos apresenta, através do Livro da Sabedoria, um Deus indulgente, que tem paciência. Um Deus que permite que os Seus filhos até errem, para que depois se arrependam. Ele dá ao ser humano o tempo necessário para retornar a si e fazer o caminho de volta.
Lembrando o mosaico do abraço do Pai, vemos um Deus que permite que o filho se afaste de casa, experimente a amargura de uma vida longe de Seu cuidado paterno, mas, no retorno, O envolve em um abraço de amor e perdão. Nesta batalha que travamos todos os dias contra o mal dentro de nós, precisamos conservar essa visão: Deus é indulgente e favorável. O Salmo confirma: “Sois bom e clemente. Sois perdão para quem Vos invoca”.
Nunca nos esqueçamos disso. Quando você tocar na mais profunda miséria do seu coração, que consiga dizer: “Deus é clemente, Deus é perdão. Eu posso voltar”. Essa é a força motriz de uma caminhada de discipulado, a força que nos move a buscar a santidade em vez de parar negativamente em nossa miséria.
A Luta Interna: O Trigo e o Joio em Nosso Coração
Esse mistério da ambiguidade humana é ricamente trabalhado na parábola do joio e do trigo. São Paulo resume isso perfeitamente: “Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero”. Quantas vezes você já se esbarrou com pensamentos, sentimentos e atitudes que são estranhos à sua essência de imagem e semelhança de Deus?
A vida real não é homogênea como um brinquedo de montar, onde tudo se encaixa perfeitamente. Ela se torna heterogênea por causa das nossas escolhas erradas. Muitas vezes, as sementes de Deus caem em terrenos inapropriados dentro de nós. Nessas horas, parece que a bondade desaparece, dando lugar a sentimentos destrutivos e contradições. O que fazer diante disso? Nos desesperar? De modo algum.
Tenha Paciência com o Seu Processo de Conversão
A primeira coisa a fazer é voltar o olhar para a bondade e clemência de Deus. Com toda a nossa miséria e maldade, precisamos nos aproximar d’Ele e do fogo do Seu amor.
O segundo passo é ter paciência. Se Deus é paciente, clemente e perdoador, nós também não podemos querer arrancar nossas falhas de modo brusco e radical. O trigo e o joio se parecem muito enquanto crescem. O trigo, quando amadurece, fica dourado e dá frutos; o joio permanece verde e vazio por dentro.
O grande risco, como alerta a parábola, é que, ao tentar arrancar o joio antes da hora, acabemos arrancando a semente boa junto. Tenha paciência com você e com o seu processo de conversão. A vida com Deus é um caminho de passos graduais, superando limitações e dificuldades. Os extremos — tanto o relaxamento quanto o radicalismo — são sempre perigosos.
O bem tem o seu tempo próprio para florescer. Isso vale para nós e para os outros. Não podemos emitir julgamentos cortantes e definitivos sobre aqueles que também estão em processo de crescimento. O trabalho de educar e transformar o coração exige tempo e paciência profunda, pois é Deus quem conduz.




