Você Frequenta ou Pertence à Igreja?
Existe uma diferença fundamental na vida de fé que precisa ser meditada por todo cristão: a distância entre frequentar a Igreja e pertencer à Igreja. Muitas pessoas dizem frequentar a casa de Deus, mas nem todas pertencem verdadeiramente à família de Jesus.
1. Frequentar ou Pertencer: Quem é a Família de Jesus?
Na nossa própria casa, recebemos visitantes. As pessoas que apenas frequentam a nossa casa não devem satisfação de suas vidas ao dono da casa, nem seguem as suas regras diárias. Elas vêm e vão de acordo com a sua própria conveniência. Na Igreja, acontece exatamente o mesmo: há quem assista à Santa Missa, mas continue vivendo segundo as suas próprias regras e vontades, sem pertencer de fato.
Esta realidade fica clara no Evangelho de São Mateus (Mt 12,46-50), quando Jesus faz a provocadora pergunta: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?” A resposta do Mestre é categórica: “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Pertencer à família de Jesus exige fazer a vontade do Dono da casa, que é Deus Pai.
2. Qual é a Vontade do Pai? A Mudança de Conduta
Se pertencer exige cumprir a vontade do Pai, qual é essa vontade? A Sagrada Escritura responde no livro do Profeta Ezequiel (Ez 33,11): “Não tenho prazer na morte do pecador, mas antes que ele mude a sua conduta, que ele se converta e que ele viva.”
A vontade de Deus não é a condenação, mas a salvação de todos. Contudo, para ser salvo, é indispensável haver mudança de conduta. Todos nós temos algo em nossa vida que precisa ser transformado e convertido.
O Exame de Consciência no Cotidiano
Ser família de Deus não se resume ao espaço físico do templo. Você pertence à família de Cristo no seu trabalho, na sua casa e em qualquer lugar em que estiver. Não podemos viver uma dupla personalidade — agir com devoção dentro do templo, mas manter uma vida repleta de mentiras, agressividade, palavrões ou fofocas no lar.
Todas as noites, antes de colocar a cabeça no travesseiro, somos convidados a fazer um sincero exame de consciência: “Qual foi a minha conduta hoje diante do meu Criador?”
3. A Única Verdade e a Necessidade de Derrubar os Ídolos
Em 1 Timóteo 2,3-6, São Paulo ensina que Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. E essa verdade é clara: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade, o homem Cristo Jesus, que se entregou e nos resgatou.”
Nada nem ninguém pode substituir o Senhor. Tudo o que colocamos no lugar de Deus se torna idolatria — seja o celular, o trabalho, o dinheiro ou o próprio ego. Para pertencer verdadeiramente a Deus, é preciso examinar o coração e derrubar os falsos altares. O Senhor deve ser o único a reger as nossas normas de vida.
4. A Parábola da Rede: Nem Todos os que Estão Dentro Permanecerão
O Evangelho nos mostra a Igreja como uma grande rede lançada ao mar (Mt 13,47-50). A rede recolhe todos os tipos de peixes: bons e maus, fervorosos e indiferentes, convertidos e acomodados. Tudo está no mesmo lugar no tempo presente.
Por isso, não devemos nos surpreender ao ver falhas ou incoerências na humanidade. No entanto, o alerta de Jesus é severo: no juízo final, os anjos virão para separar os maus dos justos. Estar dentro da Igreja não é garantia automática de salvação se a vida permanecer pautada pelo mau caráter e pela falta de amor.
Como advertia São Tiago (Tg 1,8; 2,17), a pessoa inconstante e de coração dividido não deve pensar que receberá algo do Senhor, pois a sua fé sem obras é morta. Da mesma forma, São João lembra: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso” (1 Jo 4,20).
5. A Esperança Viva: A Rede Ainda Está em Alto-Mar!
Apesar da seriedade do aviso, há um profundo motivo de alegria e esperança: a rede ainda está no mar!
Enquanto a rede estiver na água e houver sopro de vida em nós, ninguém foi descartado definitivamente. Deus continua insistindo com você, oferecendo a Sua infinita misericórdia e dando a oportunidade para que você se coloque como barro maleável nas mãos do Oleiro.
“Eu quero ser, Jesus amado, como um vaso nas mãos do oleiro: quebra a minha vida e faça de novo. Eu quero ser um vaso novo.”
Como nos lembrava Santo Agostinho: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” A graça está à disposição de todos, mas exige de nós uma resposta concreta e decidida de conversão. Não importa o tamanho dos erros ou as falhas do passado; enquanto houver vida, haverá tempo para alcançar a misericórdia de Deus. Refaça hoje a sua aliança e viva não apenas como alguém que frequenta, mas como alguém que pertence inteiramente a Jesus Cristo.




