EVANGELHO DO DIA

O Impeditivo para o Milagre - Padre Adriano Zandoná (31/07/2026)

O Impeditivo para o Milagre: Orgulho e Familiaridade

O Evangelho nos apresenta uma realidade forte e provocativa. Ao retornar a Nazaré, Sua terra natal, Jesus encontrou corações fechados e não pôde realizar ali muitos milagres.

Ao meditarmos a Palavra de Deus, percebemos que nem a ação do demônio, nem a oposição das autoridades civis ou religiosas da época, e tampouco a condição do pecador mais público foram capazes de conter o poder de Deus encarnado. No entanto, o próprio Evangelho revela que o milagre não aconteceu por causa da falta de fé daquele povo.

O Limite da Ação Divina: A Liberdade Humana

Deus não é incapaz ou fraco, mas Ele respeita profundamente a liberdade humana. Como ensinava Santo Tomás de Aquino, o Senhor age respeitando a nossa vontade: Ele não realiza transformações, curas ou libertações em quem fecha as portas do próprio coração.

Complementando essa verdade, Santo Agostinho nos lembra: “O Deus que te criou sem ti, não pode te salvar sem ti”. A fé funciona como o canal de abertura para a graça; sem o assentimento humano, a ação extraordinária de Deus encontra barreiras.

Os Dois Grandes Obstáculos: Orgulho e Familiaridade Espiritual

Os habitantes de Nazaré reconheciam a sabedoria de Jesus e os prodígios que Ele operava em outros lugares. Contudo, tropeçaram em duas atitudes interiores:

  1. O Orgulho: A soberba impede a aceitação de Deus quando Ele se manifesta de forma simples e cotidiana. O orgulhoso busca o espetacular e despreza a humildade do ordinário.

  2. A Familiaridade Espiritual (ou Rotina): A comunidade de Nazaré tinha informações sobre Jesus — conhecia Sua família, Sua profissão de carpinteiro e Sua história —, mas não conhecia o Seu coração nem Sua identidade divina.

Existe um grande perigo em ter apenas informações sobre Deus sem ter uma experiência pessoal com Ele. Como alertava Santo Agostinho, muitos estão dentro da igreja corporalmente, mas permanecem fora dela com o coração. A rotina e o hábito podem roubar o encanto da vida de fé e resfriar a vivência dos sacramentos e da vida comunitária.

Renovando o Encanto com o Sagrado no Dia a Dia

São Josemaría Escrivá afirmava que existe “algo de santo, algo de divino escondido nas situações mais comuns do dia a dia, e compete a cada um de nós descobri-lo”. Deus trabalha prioritariamente na simplicidade do cotidiano.

Para vivermos a plenitude da graça, precisamos romper com o preconceito e a tibieza espiritual. É necessário cultivar a humildade para reconhecer a ação de Deus no ordinário, renovar diariamente a admiração por Jesus na Eucaristia e nos sacramentos, e não permitir que exista “uma Nazaré” de resistência e incredulidade dentro do nosso coração.