A necessidade do profetismo e a verdadeira conversão
A Liturgia da Palavra nos apresenta uma reflexão profunda sobre o papel dos verdadeiros profetas. Na primeira leitura, no livro do profeta Jeremias (capítulo 28), vemos o povo prestes a enfrentar o exílio na Babilônia. Há muito tempo, Jeremias alertava sobre a necessidade de conversão, abandono do pecado e da idolatria. No entanto, o povo preferia ouvir os chamados “profetas da corte”, pregadores que falavam apenas o que agradava aos ouvidos e confortava sem exigir mudança de vida.
Jeremias não era um profeta de conveniência. Escolhido desde o ventre materno, foi fiel à ordem do Senhor de anunciar a verdade, mesmo quando isso resultou em perseguição e na sua prisão em uma cisterna. Ele alertou contra os falsos discursos de paz sem arrependimento.
Uma sociedade ou indivíduo espiritualmente doente manifesta a incapacidade de aceitar a correção. O Evangelho acolhe o pecador não para mantê-lo no erro, mas para conduzi-lo à transformação de vida, a exemplo de figuras como Maria Madalena, São Mateus e Santo Agostinho. Como ensinava Santo Agostinho: “Não é amigo aquele que elogia o erro, mas aquele que corrige por amor. A verdade muitas vezes dói antes de curar; a mentira conforta antes de destruir.”
Jesus anda sobre as águas e acalma a tempestade
No Evangelho, os discípulos enfrentam uma forte tempestade no Mar da Galileia. Pescadores experientes tomados pelo medo diante de ondas violentas e ventos contrários. Na quarta vigília da noite — entre três e seis horas da manhã, o momento mais escuro e exaustivo —, Jesus vem até eles andando sobre as águas.
Cristo permitiu a tempestade para ensinar que a salvação vem exclusivamente de Deus, manifestando-se exatamente quando os recursos humanos se esgotam. Diante do pavor dos discípulos, Ele proclama: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo.”
“A salvação não vem dos esforços humanos, mas de Cristo. Ele se manifesta na hora mais escura para revelar o Seu poder e a Sua misericórdia.”
Para onde você tem dirigido o seu olhar?
Ao ouvir a voz do Mestre, Pedro pede para ir ao Seu encontro sobre as águas. Inicialmente ele caminha, mas, ao reparar na força do vento, começa a afundar. O texto bíblico em grego utiliza a expressão blepon, que significa fixar continuamente o olhar ou contemplar.
O afundamento de Pedro ocorre no instante em que ele para de contemplar a Cristo e passa a contemplar fixamente o problema. Quando escolhemos focar nossa atenção na força das ondas — que representam a fé abalada, os medos, os problemas financeiros ou a enfermidade —, enfraquecemos a nossa confiança. Por outro lado, quando mantemos os olhos fixos em Jesus, encontramos a firmeza necessária para caminhar sobre as tempestades.
Ao sentir que afundava, Pedro pronunciou uma das preces mais curtas e eficazes das Escrituras: “Senhor, salva-me!”. Prontamente, Jesus estendeu a mão e o levantou, exortando-o sobre a falta de fé. Como recorda São Bernardo de Claraval, Deus é mais rápido em levantar o pecador arrependido do que o pecador em cair.
Mantenha o foco na misericórdia divina
Assista ao vídeo completo da pregação no topo desta página e reflita sobre onde você tem colocado o seu coração. Diante dos desafios diários, busque fixar os olhos naquele que é maior do que qualquer tempestade.




