A insistência do Amor de Deus diante da nossa rebeldia
Muitas vezes temos dificuldade em compreender a grandeza do amor de Deus. Também nos custa perceber tudo o que Ele faz para nos demonstrar essa misericórdia.
Infelizmente, ainda agimos como o povo rebelde citado pelo profeta Ezequiel. Somos como pessoas que têm olhos para ver, mas não veem. Temos ouvidos para ouvir, mas não ouvem.
Mesmo com a nossa resistência, Deus nunca desiste de nós. Essa é a grande beleza do Evangelho. O Senhor insiste conosco, apesar da nossa rebeldia. Ele deseja nos atrair. Deus quer nos fazer compreender o Seu amor.
O sinal do profeta Ezequiel e a indiferença humana
Na Primeira Leitura, Deus pede uma encenação ao profeta Ezequiel. O objetivo era alertar o povo sobre as consequências da infidelidade. Por isso, Ezequiel exortou a todos à conversão.
O profeta arrumou suas bagagens à vista do povo. Ao entardecer, abriu um buraco no muro. Depois, saiu no escuro como um exilado.
A intenção de Deus era pedagógica. Ao verem a cena, as pessoas deveriam refletir. Elas precisavam perceber a urgência de mudar de vida.
Contudo, o povo permaneceu indiferente. Nem sequer tiveram a curiosidade de perguntar: “Profeta, o que significa isso?”
Esse fato reflete a nossa atitude no dia a dia. Temos dificuldade para interpretar os acontecimentos. Nem sempre compreendemos o que Deus quer nos dizer por meio dos fatos.
Deus nos fala nos fatos da vida
O Senhor comunica Sua vontade de diversas maneiras. Ele fala de modo especial pela Sagrada Escritura. No entanto, Ele também se revela nas circunstâncias do nosso dia a dia.
Na Canção Nova, costumamos recordar uma grande verdade espiritual: Deus nos fala nos fatos.
Não podemos ser cristãos passivos ou apáticos. Deus é o Senhor da nossa vida e conduz o nosso caminho. Por isso, precisamos cultivar um bom hábito em cada situação:
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“Senhor, o que queres me comunicar com isso?”
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“O que queres me ensinar através desta provação ou desta graça?”
Isso não significa agir com impulsividade. Tampouco significa tentar controlar tudo. Trata-se de exercer um discernimento espiritual constante.
Isso vale para os sofrimentos, provações ou alegrias. O cristão deve discernir a vontade de Deus. Diante de cada situação, precisamos dar uma resposta concreta a Ele.
O Perdão 70×7: Uma graça recebida que deve ser partilhada
O perdão é um dos maiores dons que recebemos de Deus. Essa graça exige de nós uma resposta imediata.
Pense em quantas vezes você já errou e pecou. Deus sempre perdoou você com generosidade. Isso mostra a imensidão do amor divino.
Pedimos perdão no Ato Penitencial da Santa Missa. Procuramos também o Sacramento da Confissão. Em tudo isso, o Senhor apaga as nossas faltas sem impor limites.
No Evangelho, São Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar. Pedro sugere perdoar até sete vezes. Jesus responde: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete” (Mt 18,22).
Por que temos dificuldade em perdoar?
Perdoar setenta vezes sete significa perdoar sempre. Não há outra interpretação.
Contudo, somos de cabeça dura. Colocamos limites no perdão que damos ao outro. Muitas vezes pensamos que perdoar sempre é exagero.
Esquecemo-nos de uma coisa: Deus jamais nos negou o perdão. Ele sempre nos acolhe quando O procuramos com coração sincero. Por que, então, continuamos a negar o perdão aos nossos irmãos?
O perdão não é por merecimento, é por misericórdia
Dar o perdão nem sempre é fácil. Muitas vezes é um caminho longo. É um processo de cura interior, conversão e oração. Afinal, trazemos feridas humanas reais.
Entretanto, precisamos aprender uma verdade libertadora. Nós não perdoamos porque o outro merece. Nós perdoamos porque fomos infinitamente perdoados por Deus.
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O próximo pode não ter pedido desculpas.
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O próximo pode não “merecer” o perdão humano.
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Mas lembremo-nos: nós também não merecíamos o perdão de Deus. Mesmo assim, Ele nos perdoou gratuitamente.
Ao nos absolver, Deus apaga a nossa dívida. Além disso, Ele coloca a Sua misericórdia em nossas mãos. O Senhor nos dá a graça para distribuir essa misericórdia aos irmãos.
Portanto, o Senhor nos concede a força e a capacidade necessárias para perdoar.
Oração de Conclusão
Peçamos ao Senhor a graça de aprender com a Sua infinita misericórdia. Que o Senhor cure as nossas feridas. Que Ele retire toda a resistência do nosso coração.
Assim, seremos testemunhas do Seu amor, capazes de perdoar sem medidas e sem barreiras.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!




