Na liturgia de hoje, a Palavra de Deus nos convida a duas grandes reflexões: o valor dos dons espirituais vividos em comunidade e a vigilância constante para a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A riqueza dos dons a serviço da comunidade
Na primeira leitura, São Paulo louva a Deus pela comunidade de Corinto. Trata-se de uma igreja carismática, onde o Espírito Santo manifestava com abundância os dons de cura, ciência e sabedoria.
Como é frutuoso encontrar paróquias e comunidades assim em nossa Igreja, onde as pessoas rezam juntas, vivem unidas e se ajudam mutuamente! Quando há união e vida no Espírito, Deus manifesta seus prodígios e milagres. A comunidade torna-se, então, um forte testemunho de fé para a sociedade, assim como diziam dos primeiros cristãos nos Atos dos Apóstolos: “Vede como eles se amam!”.
Diante disso, vale a pena nos perguntarmos:
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Tenho sido um instrumento de Deus na comunidade onde estou?
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Tenho promovido a união entre os irmãos?
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Estou colocando em prática os dons que recebi?
Deus concedeu talentos a cada um de nós não para uso egoísta, mas em primeiro lugar para a Sua honra e glória, e em segundo lugar para a edificação da Igreja e o bem do próximo.
Vigilância cristã: você está preparado para a vinda de Jesus?
São Paulo conclui lembrando que o Senhor nos dará perseverança até o fim, para que sejamos irrepreensíveis no dia da vinda de Jesus. Este tema também é o centro do Evangelho de hoje.
É impossível refletir sobre a vinda do Senhor sem recordar o nosso saudoso fundador, Padre Jonas Abib, e também o Padre Léo. Quantas vezes, neste território eucarístico, o Padre Jonas pregou com ardor: “Ficai atentos!”.
O anúncio do retorno de Jesus não deve gerar medo ou pavor. Não nos cabe especular o dia, a hora ou o ano — mistério que pertence somente ao Pai. A pergunta essencial que o próprio Jesus nos faz neste momento é: “Eu estou preparado para a vinda do Senhor?”
Hoje é o dia da conversão: vença a procrastinação
Muitas vezes, a resposta imediata do nosso coração é adiar a decisão por Deus, alegando que ainda temos pendências ou projetos humanos a resolver. Contudo, a procrastinação espiritual é uma armadilha.
A tradição de Santo Expedito nos ensina essa lição. Diante da tentação do maligno — que se apresentava como um corvo gritando “Cras! Cras!” (amanhã, amanhã) —, o santo pisou na tentação e decretou: “HODIE!” (Hoje!).
A conversão não pode ser deixada para depois. Jesus virá como um elemento surpresa, tal como o ladrão que não avisa a hora da sua chegada. O tempo favorável para acertar a vida com Deus é o agora.
Somos administradores dos bens do Senhor
Deus nos confiou a vida, a fé, a família e os nossos deveres de estado. Não somos donos de nada; somos administradores dos bens divinos. O Senhor espera encontrar em nós servos fiéis e prudentes, que cumprem sua vocação com santidade, justiça e amor.
Quando Jesus passar, precisamos estar no lugar onde Ele nos plantou — na família, no trabalho, na comunidade —, produzindo frutos de eternidade. Um costume muito salutar é realizar diariamente o exame de consciência antes de dormir, pedindo perdão pelos erros e renovando a disposição de amar a Deus.
Não se perca no meio do caminho nem deixe o egoísmo enfraquecer o seu chamado. Fomos criados para o Céu e para viver a plenitude dos dons do Espírito Santo.
Que Deus nos conceda a graça da fidelidade e da perseverança diária, pela intercessão de Santa Mônica. Amém!




