O contraste entre a vaidade de Corinto e a postura dos Apóstolos
Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo destaca o contraste entre a comunidade e os apóstolos. Ele reflete sobre as atitudes de cada grupo.
O apóstolo afirma: “Fomos colocados como um espetáculo para o mundo”. Ele se refere aos sofrimentos vividos pelos apóstolos na missão.
A comunidade de Corinto era abundante em dons espirituais. No capítulo 12, São Paulo recorda que aquela comunidade possuía muitos carismas. Havia dons de cura, milagres, profecia, línguas e interpretação. Ele confirma que nenhum dom lhes faltava.
Apesar disso, o apóstolo faz uma dura crítica. Os fiéis continuavam carnais e divididos por brigas, rixas e ciúmes. Havia divisões entre eles, com fiéis dizendo: “Eu sou de Paulo” ou “Eu sou de Apolo”.
Diante dessa situação, São Paulo adverte: “Um planta, outro rega, mas é Deus quem faz crescer.”
O apóstolo já vinha comparando a sabedoria do mundo com a sabedoria de Deus. O que é loucura para o mundo é sabedoria para Deus. Do mesmo modo, a sabedoria humana pode ser loucura divina.
São Paulo não usou uma oratória rebuscada para anunciar o Evangelho. Ele preferiu demonstrar o poder do Espírito Santo. Assim, a fé daquela comunidade se fundamentou em Deus, não em raciocínios humanos.
O que tens que não tenhas recebido?
São Paulo exorta a comunidade porque os fiéis estavam orgulhosos. Eles se vangloriavam de seus dons espirituais. Viviam uma situação espiritualmente perigosa: a vaidade.
Por isso, o apóstolo os questiona diretamente:
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“Quem te faz melhor que os outros?”
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“O que tens que não tenhas recebido?”
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“E se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido?”
Vocês possuem dons, mas eles não são de produção própria. Todos foram dados por Deus. Se foi o Senhor quem deu, por que se envaidecer?
A comunidade se achava autossuficiente. Enquanto isso, os apóstolos enfrentavam perseguições, flagelos e sofrimentos. Deus havia confiado a eles o cuidado da Igreja.
São Paulo fala como um pai carinhoso. Ele não quer humilhar os fiéis. Sua intenção é colocá-los no devido lugar de dependência de Deus.
O caminho do envaidecimento é o caminho de Lúcifer, que quis ter o lugar do Criador. O cristão precisa reconhecer sua constante dependência de Deus.
A oração como o supremo ato de humildade
Somos dependentes de Deus. É por essa razão que rezamos e nos aproximamos d’Ele.
O Salmo nos lembra: “Abris a vossa mão e a todos saciais.” É Deus quem sustenta toda a criação. Jesus também ensina que o Pai cuida dos passarinhos.
Rezar é um sinal claro de humildade. Na verdadeira oração, assumimos nossa pequenez diante da grandeza divina.
A vida de meditação do homem passa por dois pontos fundamentais:
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Ver a grandeza de Deus e glorificá-lo.
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Reconhecer a nossa pequenez e clamar: “Senhor, tem piedade de mim, pois sem Ti nada sou.”
O mesmo sentimento aparece nos versículos do Salmo de hoje: “Que a minha boca cante a glória do Senhor.” E complementa: “Que todo ser bendiga o seu santo nome.”
Vemos essa atitude no Magnificat de Nossa Senhora: “A minha alma glorifica ao Senhor. O meu espírito exulta em Deus, meu Salvador.”
Orar é reconhecer que precisamos de Deus para existir. Não vivemos sem ar, assim como não vivemos espiritualmente sem oração. Quando deixamos de rezar, dizemos a Deus que não precisamos d’Ele.
O perigo de rezar com “3% de bateria”
O humilde reza porque sabe que depende de Deus. Quando adiamos a oração com desculpas, agimos com autossuficiência.
Muitas vezes deixamos a oração para o final do dia. Nesse momento, nossa energia física e mental já está em 3%. Ao tentar rezar o terço à meia-noite, a sonolência é inevitável. Nesses momentos, vale o conselho prático: reze em pé para não dormir!
Com a negligência diária, dizemos sem palavras que nos bastamos. Agimos exatamente como os cidadãos de Corinto.
Contudo, Jesus é claro: “Sem mim, nada podeis fazer que tenha fruto.”
Recordemos a experiência de São Pedro. Ele passou a noite inteira pescando sem sucesso. Porém, lançou as redes novamente em atenção à Palavra de Jesus.
É a presença de Deus em nós que traz eficácia. Monsenhor Jonas Abib trazia um exemplo simples: precisamos ser como uma mangueira conectada em Deus. Assim, a graça do Senhor chegará aos outros através de nós.
Testemunhos de humildade na oração
São João Paulo II: a oração à frente das palavras
São João Paulo II era um homem cuja vida transbordava oração. Durante sua visita ao Rio de Janeiro, o Papa esteve com o Cardeal Dom Eugênio Sales. Após um dia exaustivo, o Papa foi para a capela rezar. No meio da noite, o Cardeal o encontrou ainda ajoelhado diante do Santíssimo.
Antes dos grandes discursos, o Santo Padre passava horas em oração. Ele sabia que rezar era mais importante do que falar. Quando era Arcebispo em Cracóvia, ele colocou sua escrivaninha na capela. Escrevia seus livros e documentos diante do Santíssimo Sacramento.
Monsenhor Jonas Abib: ouvir a Deus antes de planejar
Nos primeiros anos da Canção Nova, uma religiosa quis propor um projeto de formação. Ao apresentar a ideia, ouviu do Monsenhor Jonas Abib:
“Se a senhora quer fazer este projeto, funde uma comunidade e o faça. Aqui na Canção Nova, nós primeiro vamos ouvir a Deus.”
A verdadeira humildade consiste em ouvir a Deus antes de estruturar planos humanos. Até o fim da vida, Monsenhor Jonas nunca abandonou a oração. Mesmo sem forças físicas, mantinha a recitação da Liturgia das Horas.
O próprio Cristo
O próprio Jesus Cristo retirava-se de madrugada para rezar. Ele vivia em perfeita união com o Pai. Quanto mais nós precisamos da oração no dia a dia!
Peçamos ao Senhor a graça do dom da oração. Peçamos também a virtude da humildade. Reconheçamos que Deus é o único e verdadeiro sustento da nossa alma.




