Ou Santos ou Nada: Como Ser Terra Boa para Deus
A liturgia da Palavra nos questiona e, ao mesmo tempo, nos constrange de forma redentora. Sempre que participamos da Santa Missa, meditamos em nossas casas ou fazemos nosso estudo bíblico, a Palavra de Deus age com eficácia divina: ela possui a força de gerar em nós vida nova e ressurreição.
São Paulo, ao escrever à comunidade de Corinto, mostra a profunda diferença entre o homem terrestre e o homem celeste. Aqueles que vivem um verdadeiro encontro com Jesus Cristo passam a ter os olhos e o coração ancorados no céu, pois compreendem que a sua pátria definitiva não é este mundo.
Desde o início da Canção Nova, o Monsenhor Jonas Abib nos ensinou que a nossa missão — assim como a dos nossos grupos de amigos e comunidades — é formar homens e mulheres novos para um mundo novo. Tudo o que vivemos aqui é em vista da eternidade.
Os Quatro Terrenos do Coração
Na Parábola do Semeador, Jesus nos mostra que a Palavra é semeada com generosidade. No entanto, o que determina o fruto que ela produzirá em nós é uma palavra-chave: disposição. O mais importante não é apenas ouvir a Palavra, mas como a ouvimos e a acolhemos.
Jesus identifica quatro tipos de terrenos que representam as disposições do nosso coração:
1. O Terreno Superficial: O perigo do pecado grave
É a terra vulnerável, da qual o inimigo facilmente rouba a semente. Para mudar de vida, o primeiro passo é colocar a casa em ordem. A santidade começa com purificação e limpeza. Ninguém nasce santo; a santidade é uma conquista.
Diante do pecado grave, não pode haver diálogo ou convivência. Não existe “pecado de estimação”, pois não estimamos o que nos afasta de Deus. O pecado precisa ser combatido e extirpado. Caso contrário, continuaremos superficiais — rezando, comungando e ouvindo a Palavra, mas permitindo que as investidas do mal nos roubem a salvação.
2. O Terreno Pedregoso: A inconstância da fé emotiva
Representa as pessoas de momentos, guiadas apenas por sentimentos. A fé autêntica não é emoção ou lágrimas; a fé é feita para os tempos de aridez, de dor e de provação.
Um exemplo marcante é o de um pai que, ao ver o filho entre a vida e a morte na UTI, testemunhou com fé: “Deus deu, Deus tirou. Bendito seja o nome do Senhor!”. Isso é fé madura. Chegará o dia da noite escura, em que Deus parecerá em silêncio. Nesses momentos, a aridez é uma graça para descobrirmos se amamos a Jesus por quem Ele é, ou apenas pelo que Ele pode nos dar.
3. O Terreno entre Espinhos: A mediocridade da tibieza
É o coração morno, que mantém um pé na Igreja e outro no mundo. Abandona os pecados mais graves, mas conserva as pequenas faltas com complacência.
Na Missa de corpo presente da jovem Isabel Corts — primeira filha espiritual da Canção Nova —, o Padre Jonas Abib proclamou um lema que se tornou baliza para o nosso carisma: “Ou Santos ou Nada!”. Na vida espiritual, não existe meio-termo ou caminho intermediário. A santidade exige uma decisão radical e apaixonada.
A Lição dos Santos Jovens: Carlo Acutis e Jacinta Marto
A história da Igreja é repleta de testemunhos de quem não aceitou a mediocridade do “terreno entre espinhos”:
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São Carlo Acutis: Na fase terminal de uma leucemia grave, ao lhe oferecerem analgésicos para aliviar dores atrozes, respondeu: “Não, eu não quero tomar, porque quero ir direto para o céu, sem passar pelo purgatório”. Um jovem de 15 anos que compreendeu o valor de oferecer o sofrimento para não se atrasar rumo ao Céu.
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Santa Jacinta Marto: Aos 13 anos, hospitalizada e sem anestesia para um procedimento doloroso nos pulmões, chorava e oferecia cada dor: “É tudo por amor a Jesus, pela conversão dos pecadores e em reparação ao Imaculado Coração de Maria”.
Diante de testemunhos tão generosos, somos convidados a abandonar a covardia espiritual e a abraçar a nossa cruz diária com coragem.
O Coração Fecundo e o Testemunho de Amor do Padre Jonas Abib
A terra boa é aquela que acolhe a semente, suporta os sacrifícios e produz frutos a cem por um. O coração do Padre Jonas Abib foi um exemplo límpido dessa terra fecundo.
Um testemunho marcante dessa paternidade espiritual ocorreu há cerca de dez anos. Após um grave acidente, um jovem seminarista da comunidade encontrava-se entre a vida e a morte no hospital. Diante dos prognósticos médicos negativos, o Padre Jonas retirou-se em oração na capela e intercedeu com insistência pela vida daquele jovem.
Em sua oração ousada, ao sentir uma forte impressão interior de perda, o Padre Jonas dobrou os joelhos e disse a Deus: “Senhor, se alguém precisa ir, eu já sou padre há 50 anos; acolha a minha vida, mas permita que ele viva para se tornar sacerdote”.
Deus restaurou a vida daquele jovem sem nenhuma sequela, e no dia 12 de junho de 2022 ele foi ordenado sacerdote. Esse gesto de doação extrema reflete a essência do coração que é terra boa: a disposição de perder a própria vida para gerar vida nos seus filhos.
Qual terreno é o seu coração hoje?
A Palavra de Deus continua a ser semeada abundantemente no Santuário do Pai das Misericórdias e através dos meios de comunicação. No entanto, a decisão final pertence a cada um de nós.
Que possamos abrir mão das pedras e dos espinhos para nos tornarmos a terra boa onde a semente divina frutifica em santidade, conversão e salvação para as nossas famílias e para o mundo.




