Vencendo as Obras da Carne e Vivendo os Frutos do Espírito
Queridos irmãos e irmãs, a primeira leitura de hoje, retirada da Carta de São Paulo aos Gálatas, é muito apropriada para quando desejamos fazer uma confissão. Ela serve como um perfeito exame de consciência para percebermos se, em nossa vida, estamos vivendo as obras da carne ou os frutos do Espírito.
As obras da carne nos levam ao pecado. São Paulo elenca várias delas: fornicação (o sexo fora do casamento), feitiçaria, libertinagem, devassidão, idolatria, inimizades, contendas e ciúmes. O Apóstolo ainda alerta que existem outras coisas semelhantes a estas. São pecados que levam a pessoa à escravidão, deixando-a acorrentada ao mal.
Deus não quer isso para nós! Somos filhos de Deus pelo batismo, e o Senhor nos fez pessoas livres. Toda vez que caímos em um pecado grave, nós nos acorrentamos a Satanás e ofendemos profundamente o coração de Jesus.
O Exame de Consciência e o Combate Espiritual
É preciso que, ao chegarmos em casa, retomemos essa leitura e analisemos: estou vivendo alguma dessas obras da carne? Olhemos para os Dez Mandamentos da Lei de Deus, para os mandamentos da Igreja, para as obras de misericórdia (corporais e espirituais) e também para os pecados capitais. Se você perceber que está vivendo alguma dessas realidades, procure confessar-se o mais rápido possível. Os pecados mortais destroem a nossa amizade com Deus e a nossa caridade.
Por outro lado, São Paulo nos apresenta os frutos do Espírito: caridade, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão e continência. Nós somos chamados, como filhos de Deus, a viver uma vida no Espírito.
Quando a Palavra fala em “carne”, não está dizendo que o nosso corpo é mau. A carne aqui é no sentido do pecado original, da concupiscência — essa tendência que temos ao mal, ao desamor, ao egoísmo e ao fechamento. Por isso, a nossa vida é um verdadeiro combate. Precisamos tomar as armas espirituais que Deus nos deu, como a oração e os sacramentos, para combatermos o mal e vivermos na vontade do Senhor.
A Hipocrisia dos Fariseus e o Verdadeiro Serviço
O Evangelho de hoje nos mostra Jesus convidado para uma refeição na casa de um fariseu. Ao chegar, Jesus não lavou as mãos, um gesto que era puramente ritualístico na época. O fariseu imediatamente começou a julgar e a condenar Jesus em seu coração.
Jesus, que não tem medo de falar a verdade e não se omite pelo simples respeito humano, aproveita o momento para ensinar. Ele desejava a salvação daquele fariseu e de todos à mesa. Por isso, profere palavras duras: “Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã e da arruda, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus”. Eles faziam o mínimo para aparecer, para mostrar aos outros que eram justos, mas esqueciam o que realmente importava.
Jesus nos alerta contra o orgulho espiritual e a vaidade. Ele nos questiona: aquilo que você faz na Igreja, na sua casa ou no seu trabalho, é para quê? É por amor a Jesus e aos irmãos, ou é para se exaltar?
Nós somos chamados a imitar o Bom Pastor. Jesus era humilde, simples e veio para servir, não para ser servido. O trabalho na Igreja é ministério e serviço, não ostentação. A honra pertence a Nosso Senhor Jesus Cristo; tudo vem Dele, é para Ele e é Dele.
A Correção Fraterna como Gesto de Amor e Salvação
Jesus continua e desmascara os mestres da lei: “Ai de vós também, mestres da lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas nem com um só dedo”. Eles exigiam 613 preceitos do povo, mas não viviam nenhum deles. Isso se chama hipocrisia.
Eles eram os guias religiosos, deveriam levar o povo para Deus, mas estavam lá apenas por interesse próprio. Eram impiedosos, não tinham misericórdia e invejavam Jesus.
O Senhor os corrigiu duramente para que pudessem mudar de vida. Meu irmão e minha irmã, se você estiver em um mau caminho e alguém te corrigir com caridade, não fique revoltado. Agradeça! Essa pessoa está sendo um instrumento de Deus para a sua salvação.
Da mesma forma, quando virmos alguém errando, precisamos ter a coragem de chamar a atenção com misericórdia. O pior erro é a omissão motivada pelo respeito humano: “Ah, não vou falar nada, senão perco a amizade”. Jesus não teve respeito humano porque Ele queria salvar aquelas almas, independentemente do que pensariam Dele.
Estejamos atentos! Toda vez que Deus nos chamar a atenção para alguma realidade, que possamos agradecer e dizer: “Obrigado, Senhor! Eu estava cego e surdo espiritualmente, mas Vós abristes os meus olhos”. Que o Senhor abra os olhos do nosso coração para que, em tudo, façamos a Sua santa vontade. Amém.




