Meu nome é Jucirlei e o meu esposo se chama Fábio , gostaria de dar um testemunho onde atráves do Terço da Misericórdia, fomos acolhido pelo amor misericordioso de Deus em nossas vidas. Em março de 2020 o meu irmão Wanderson Flora passou a morar conosco, meu esposo o acolheu com amor, ele era um rapaz maravilhoso, gostava de comer, conversar e correr, ele era especial ( deficiência intelectual/mental ), ou seja sua idade mental de uma criança com mais ou menos a idade de 10 anos, fisiologicamente 38 anos, então precisava de cuidados diários e como ele morava com minha mãe Glorinha que era dona de uma abrigo de crianças encaminhadas pela Vara da Infância, achei melhor levar ele pra minha casa e falei pra minha mãe não se preocupar que sempre iria cuidar dele, principalmente devido ele ter alguns problemas de saúde e estávamos vivendo uma pandemia – COVID no mundo todo, com muitas mortes, hospitalizações, etc. E nós sempre rezávamos o Terço da Misericórdia na Canção Nova, seja em casa ou no hospital nos dias de internações. Ele não sabia dizer onde doía, porém mesmo sentindo dor, não reclamava de nada. Nos hospitais que passávamos todos ficavam admirados com nossa fé, estamos sempre com a TV ligada na Canção Nova, rezando, louvando e dando graças a Deus pelos momentos que estávamos passando com ele, pois o Wanderson era um guerreiro e sempre mostrou uma paz e em alguns momentos nos passava um paz com seu jeitinho de criança (era um anjo em nossas vidas).
Logo neste período ele teve que começar a dialisar, algo que o médico (nefrologista) dele já havia nos informado e que eu tanto temia, afinal ele não entendia o que ele teria que passar. A partir deste período, foram dias de diálise, internações, cirurgias, tentativas de amenizar e dar um conforto na forma de viver dele. Eu e o meu esposo resolvemos que ele iria morar com a gente pra sempre, afinal já havia prometido pra minha mãe que cuidaria dele. No fundo do nossos corações sabíamos que não seria fácil, mas Deus nos fortaleceria principalmente nos momentos de tribulações. Ele passou por muitos momentos difíceis, mas Deus sempre cuidou de nós.
No ano de 2024, tivemos a perda da minha mãe de forma repentina, pois ela teve uma infecção urinária muito grave e precisou ser internada, apesar da situação estava tendo progresso no quadro dela (ela internou na segunda-feira) e na terça-feira 13/08/2024, vimos uma melhora, porém sei que quando chega a hora não adianta, apesar de ter tido erro médico, pois minha mãe teve um momento de falas desconexas e agitação e então foi aplicado uma medicação que fez com que ela sofresse um choque anafilático e em seguida uma parada cardíaca e assim veio a falecer. Não foi fácil pra todos da família, afinal não queremos ficar sem nossos pais como se eles fossem eternos.
Imagina como nós familiares que entendemos as coisas ao nosso redor ficamos. Porém o Wanderson quando se deu conta que nossa mãe faleceu e que ele não viria ela de forma nenhuma, acabou deixando de comer, tivemos que interna-lo para colocar uma sonda gástrica para que ele alimentar-se, porém foi complicado porque por ele ser um paciente renal, não era possível colocar na barriga dele a dieta que era de forma líquida. Ainda internado o organismo dele teve rejeição da sonda gástrica, voltando de novo para o Centro cirúrgico pra fazer um procedimento pra segurar o acesso da sonda no Abdômen dele. Momentos difíceis, de incertezas, medos, entregas e principalmente de provações de nossa fé. Chegamos voltar pra casa com o atendimento de HOME CAR, ele até voltou a comer de forma normal, mas ainda com o auxilio da dieta na sonda, que era fornecida pelo Plano de saúde. Ficamos desta forma durante 03 meses, porém o organismo do meu irmão Wanderson não aguentou essa forma de alimentação, assim voltamos do inicio ele sem conseguir comer e nem ter como inserir a dieta liquida em grande volume no seu estômago e vindo perdendo peso, ficando tão magro que víamos seus ossinhos e que as vezes tínhamos medo de até quebrar quando fazíamos os cuidados diários. O planos de saúde conseguiu marcar uma consulta com o gastro no ambulatório, que no dia da consulta lembrou do problema de coração que ele também estava que era um aumento no coração dele. No momento ele demonstrou preocupação e como era num sábado, pediu pra nós que o levasse na segunda-feira 06/01/2025 para interna-lo no hospital, e no fundo do nosso coração sabíamos que o intuito do doutor era que deveríamos passar o final de semana com ele, pois o quadro era grave.
Internamos ele no dia 06 de janeiro de 2025, o quadro era grave, a conversa dos médicos era unânime, o gastro até levantou a possibilidade de fazer uma endoscopia, porém na hora do exame não fizeram e nós ficamos muito chateados, onde fiz uma ouvidoria contra o médico, mal sabíamos que assim o médico estava querendo que ficássemos mais um tempo com meu irmão. Afinal no dia seguinte o médico e o anestesista estiveram no quarto e nos falaram que não fez o procedimento porque Wanderson morreria na mesa de cirurgia. Assim continuamos rezando o terço da misericórdia, pois apesar da situação não deixamos de confiar em Deus. Tivemos uma semana difícil, não tinha como fazer as diálises porque poderia morrer na máquina, devido ao problema do coração e a pressão que estava sempre baixa. No sábado 11/01/2025 foi feito a troca do acesso de diálise, ele passou muito mal, perdeu o acesso de medicação que tinha no braço e inchou muito. No domingo dia 12/01/2025 foi a última vez que consegui dar banho nele no banheiro e que foi muito difícil, neste dia ouvi dele algo que me pensei que nunca ouviria dele: Eu pedi pra ele me abraçar para que eu conseguisse vestir a roupa nele, onde ele me falou “irmã eu estou cansado” e no momento eu abracei ele bem forte e falei “ eu sei meu irmão, mas ele iria melhorar e não sentiria mais dor e nem iria fazer mais diálise”, eu sabia que ele estava piorando. Coloquei ele sentado no sofá e chamei a médica que tentou de todas as formas aferir a pressão que no momento mostrava que poderia estar em 5×7 baixíssima, estava no auxilio com a doutora o fisioterapeuta que demostrou preocupação. Eles saíram do quarto e eu chorei bastante porque eu sabia que o quadro dele não era bom. A doutora voltou no quarto e confirmou que não poderia fazer mais nada e que no momento iria paleativar meu irmão, deixar ele confortável até a vontade de Deus e que era pra ligar para os meus irmãos e pedir pra virem visitar ele porque qualquer hora ele poderia morrer, no dia 14/01/2025, meu esposo tinha ido em casa e logo correu para o hospital, então ligamos para meus irmãos para virem para o hospital, as 15:10 ele parou (com fé sabíamos que ele voltou pra Deus).
O fato dele sempre pedir umas moedas para colocar no cofrinho dele, sempre que saia com a gente de carro, ele pedia uma moeda e até falava que era pra comprar pão e ás vezes quando passava uma pessoa na nossa porta pedindo ajuda ele falava que queria dar. Ele era uma pessoa muito boa. Sempre se preocupava com o próximo. O meu esposo sugeriu doarmos pra igreja, assim ajudar na evangelização, por isso será feito a doação para o projeto: “Dai-me almas ”da Canção Nova. E agradecemos sempre a Deus que seu amor misericordioso nos sustentou e nunca deixou de acolher.
Jucirlei Pereira de Lima / Brasília/DF