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Gestos e palavras de amor: o coração de Cristo pelo Papa Francisco

O coração de Cristo como centro do primeiro anúncio

“O Coração de Cristo, que simboliza o centro pessoal de onde brota o seu amor por nós, é o núcleo vivo do primeiro anúncio. Ali, encontra-se a origem da nossa fé, a fonte que mantém vivas as convicções cristãs.” – Papa Francisco

Gestos e palavras de Amor: O coração de Cristo pelo Papa Francisco

Foto: CanvaPro

Nosso Senhor, em diversas situações, expressa por meio de gestos o que reflete o Seu coração:

  • Ao tentarem os discípulos afastar as crianças d’Ele, Nosso Senhor as acolheu: “Em seguida, abraçou-as e as abençoou, impondo-lhes as mãos” (Mc 10,16).
  • Ao tocar o leproso — homem rejeitado e marginalizado pela sociedade de então —, Nosso Senhor manifestou Sua infinita caridade: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: ‘Eu quero, sê curado!’” (Mc 1,41).
  • Ao contemplar a profunda dor daquela mulher, que enfrentaria o desamparo emocional e financeiro após a perda de seu único filho, Nosso Senhor moveu-se de íntima piedade: “Vendo-a, o Senhor sentiu compaixão para com ela e disse-lhe: ‘Não chores!’” (Lc 7, 13).
  • Ou nesta passagem, na qual se revela a profunda proximidade de Nosso Senhor, que permitia a demonstração de afeto por parte daqueles que O amavam, mesmo em um momento tão pungente quanto o que precedia a Sua Paixão e a traição de que seria alvo: “Um dos seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa, reclinado sobre o peito de Jesus” (Jo 13,23).
  • Manifesta-se ainda em Sua dor por Lázaro, quando verte lágrimas pela morte do amigo: “Jesus chorou. Diziam então os judeus: ‘Vede como ele o amava!’” (Jo 11,35-36).

O coração de Cristo: os gestos concretos nos Evangelhos

Essas passagens ilustram, com perfeição, o que professa São João: “Veio para o que era seu” (Jo 1,11). Nosso Senhor não nos trata como estranhos; como assevera o Papa Francisco, não deseja que sejamos Seus escravos: “Já não vos chamo servos” (Jo 15, 15). Ele é o Deus conosco, um Deus próximo que se esvaziou de si mesmo (Fl 2, 7) para habitar entre nós.

O Papa Francisco adverte-nos de que é Ele quem sempre nos procura, estando invariavelmente próximo e aberto ao encontro, conforme se lê em João 4,5-7:

“Chegou então a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado a seu filho José. Ali, ficava o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto ao poço. Era por volta da hora sexta. Veio então uma mulher samaritana tirar água. Jesus disse-lhe: ‘Dá-me de beber’”.

Busca-nos, pois, ainda que nos acovardemos ante o juízo do mundo por segui-Lo, tal como se deu com Nicodemos (Jo 3,1-2):

“Havia um homem entre os fariseus chamado Nicodemos, um chefe dos judeus. Ele foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: ‘Rabi, sabemos que vieste da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele’”.

Por meio de todos estes gestos claros e concretos, diz-nos o Papa Francisco, Nosso Senhor revela-se um Deus próximo; um Deus cujo amor, brotando de Seu Sacratíssimo Coração, transforma-se em atos de profunda caridade.

O olhar afetuoso e atento de Nosso Senhor

Para além de Seus gestos, assevera-nos o Papa Francisco que o olhar de Nosso Senhor manifesta-se com singular clareza em diversas passagens evangélicas, revelando-se invariavelmente afetuoso, atento e solícito, mesmo quando o objeto de Sua caridade passa despercebido aos olhos do mundo. Tal predileção divina transparece quando Jesus, fixando o olhar no jovem rico, o amou:

“Jesus, fitando nele o olhar, amou-o” (Mc 10, 21);

ou ao contemplar as multidões, das quais teve compaixão:

“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 36).

Este olhar perspicaz e profundo, que chamou os primeiros discípulos junto ao mar da Galileia:

“Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: ‘Vinde após mim’” (Mt 4, 18-21);

e que já conhecia Natanael antes mesmo de estar sob a figueira:

“Respondeu-lhe Jesus: ‘Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira’” (Jo 1,48),

é o mesmo que exaltou a viúva pobre em sua oferta oculta:

Viu também uma pobre viúva deitar ali duas moedinhas” (Lc 21,2)

e admirou a fé inabalável do centurião:

“Ouvindo isto, Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: ‘Em verdade vos digo: não encontrei tamanha fé em ninguém de Israel’” (Mt 8, 10).

Nosso Senhor, em Sua humanidade santíssima, parece ter haurido esta delicadeza da Virgem Maria, Sua Mãe, aquela que, nas Bodas de Caná, foi a única a perceber, com olhar atento e materno, a premente necessidade dos noivos:

“Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’” (Jo 2, 3).

 

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O coração de Cristo: As palavras que convidam ao repouso e à permanência

Por fim, tratemos das palavras. O Santo Padre assevera que, conquanto “tenhamos a Sua Palavra sempre viva e atual, Jesus, por vezes, nos fala interiormente”, atraindo-nos a Si. Manifesta-se este chamado quando Nosso Senhor nos convida ao repouso:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28);

ou quando ordena a nossa permanência em Sua caridade:

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim” (Jo 15,4).

Por fim, este amor, que à primeira vista poderia parecer meramente idealizado, revela-se plenamente encarnado em seu ápice: quando, pregado na Cruz e transpassado pela lança, Nosso Senhor permite que jorre sangue e água de Seu Sacratíssimo Coração, legando-nos na carne, e desprovida de qualquer romantismo, a prova suprema de Sua caridade:

“Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20).

Meu irmão, peçamos a graça de corresponder a este amor também de maneira concreta.

De seu irmão em Cristo,