EVANGELHO DO DIA

Viver o Sofrimento com Nossa Senhora - Padre Marcos Roberto (15/09/26)

O Exemplo de Maria Diante da Dor

Meus queridos irmãos e irmãs, quando falamos de Nossa Senhora das Dores, o que vem à nossa memória é a imagem de Maria com sete espadas transpassando o seu coração. É o retrato de uma mãe que sofreu profundamente na alma. Aqui no Santuário do Pai das Misericórdias, nós temos a representação de uma dessas sete dores: a imagem de Nossa Senhora da Piedade, segurando Jesus morto em seus braços.

O sofrimento faz parte da nossa vida. Todos nós passamos, ou ainda passaremos, por momentos de dor. Quando olhamos para a Mãe de Jesus, lembramos que tanto ela quanto Cristo sofreram imensamente. Como nos diz a Carta aos Hebreus, Jesus dirigiu preces e súplicas com forte clamor e lágrimas a Deus. Ele foi atendido em sua oração porque era o projeto do Pai a nossa salvação através da cruz. Cristo foi obediente, e Maria também.

A Profecia de Simeão e o Início do Sofrimento

Desde a Anunciação do anjo Gabriel, quando Maria disse: “Eis aqui a escrava do Senhor”, ela não tinha ideia de tudo o que enfrentaria por causa do seu “sim” e de sua obediência a Deus. As provações começaram cedo. No oitavo dia após o nascimento de Jesus, no templo, o velho Simeão tomou o Menino nos braços e profetizou a Maria: “Este menino será causa de queda e de erguimento para muitos em Israel. E quanto a você, Maria, uma espada transpassará o seu coração”. Assim foi toda a vida de Nossa Senhora.

A Diferença de Viver o Sofrimento com Cristo

Nós não estamos imunes ao sofrimento. A grande diferença está em como vivemos essas dores. O sofrimento vivido por Cristo e o Seu sangue derramado na cruz trouxeram a redenção e a salvação de toda a humanidade. A partir desse instante, todo sofrimento unido a Cristo ganha um valor salvífico e de purificação.

Muitas vezes, ao visitar hospitais para levar a Unção dos Enfermos, percebo isso de forma clara. Chego com a intenção de levar uma palavra de conforto e, no fim, sou eu quem recebe o testemunho. É comovente ver pessoas acamadas, até mesmo em seus últimos dias, cheias de fé, confiança e totalmente entregues a Deus em meio à dor. Esse testemunho nos evangeliza e nos ensina a não nos revoltarmos diante das perdas.

Uma Palavra aos Pais que Perderam seus Filhos

A dor maior que existe no mundo é a de um pai ou de uma mãe que enterra o seu filho. É uma inversão da ordem natural da vida. Nossa Senhora viveu essa dor extrema, e ela entende profundamente você que chora a partida de um filho ou filha.

Mas, como Maria nos ensina a viver esses momentos devastadores? O Evangelho nos dá a resposta: ela estava de pé aos pés da cruz. Ao ver Sua mãe ali, chorosa e com a alma transpassada de dor pela morte do Seu Filho inocente, Jesus entregou Maria ao discípulo João, dizendo: “Mulher, eis aí o teu filho”, e ao discípulo: “Eis aí a tua mãe”.

João representa toda a Igreja, cada um de nós. Jesus entregou a Sua mãe para nos amparar em nossos sofrimentos do dia a dia, seja na perda de um ente querido, em uma crise financeira, ou diante de uma doença inesperada que nos deixa sem chão.

Não Pare no Sofrimento: Ofereça a Deus

Diante do sofrimento, não murmure. Não blasfeme contra Deus perguntando o motivo das perdas. Nós não compreendemos todos os mistérios da vida e da morte, mas temos a fé que nos garante: tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. Um dia, na eternidade, entenderemos todas as coisas.

Enquanto caminhamos nesta terra, ande de mãos dadas com Jesus e Nossa Senhora. Se precisar chorar, chore. Chorar não é pecado — Maria chorou, Jesus chorou. Viva o seu luto e a sua dor. Porém, busque viver aquele sofrimento “de pé”, guardando a Palavra de Deus no coração.

Não deixe seu sofrimento ser em vão:

  • Ofereça a Jesus para a sua purificação e santificação;

  • Ofereça pela sua família;

  • Reze com fé: “Senhor, estou sofrendo, mas ofereço a Ti com paz e serenidade, unido a Nossa Senhora das Dores”.

Quando passamos pelo sofrimento em Deus, recebemos a paz do Espírito Santo. Essa paz nos sustenta, nos faz levantar a cabeça e seguir adiante. Que as suas lutas sejam um incentivo para você continuar servindo e amando ao Senhor, entregando a Ele todas as coisas, assim como fez a nossa Mãe.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!