O Bom Pastor: O Modelo Perfeito para a Santidade das Nossas Famílias
Reunidos em torno do altar nesta segunda-feira da quarta semana da Páscoa, somos convidados a olhar para a imagem do Bom Pastor. Mais do que uma figura bíblica, Jesus se apresenta como um tom concreto e profundamente necessário para a realidade das nossas famílias hoje.
A Família sob o Olhar do Bom Pastor
Não existe imagem mais adequada para falar de família do que a de um pastor que cuida, conhece, protege, reúne e dá a vida. Nosso Senhor deve ser o único modelo de tudo o que vivemos no lar.
Como ensinava o Padre Jonas Abib, precisamos viver a “oração ao ritmo da vida”. Isso não significa ativismo, mas sim fazer tudo com Jesus: desde apertar um parafuso até assinar um documento importante. Pelo nosso batismo, carregamos a Inabitação da Trindade. Onde você vai, leva consigo a sacralidade de ser filho de Deus e templo do Espírito. Por isso, diante de qualquer conflito familiar, a pergunta deve ser: “Se Jesus estivesse no meu lugar, o que Ele faria?”
1. O Amor como Entrega e Sacrifício Diário
O Evangelho de São João (Capítulo 10) é claro: “O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas”. A vida familiar não se sustenta sem essa entrega. Não existe família verdadeira sem sacrifício, renúncia e doação concreta.
O amor no lar não é feito apenas de sentimentos bonitos, mas de escolhas diárias. É ter paciência quando se quer desistir e exercer o perdão — que não é esquecimento, mas a decisão de não carregar o mal que o outro causou. Olhar para a Cruz de Cristo é entender o que sustenta uma família: amar até o fim.
2. Conhecer é Gastar Tempo e Olhar nos Olhos
Jesus afirma que conhece as Suas ovelhas. No contexto familiar, uma das maiores dores atuais é a convivência sem conhecimento. Muitas vezes, pessoas moram sob o mesmo teto, mas não entram no coração umas das outras.
Amar é conhecer, e conhecer é escutar. Significa sair da pressa e do automático para voltar ao essencial:
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Olhar nos olhos de quem vive com você;
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Interessar-se genuinamente pela dor e alegria do outro;
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Acolher as fragilidades sem julgamentos.
Cristo conhece nossas falhas e não se afasta; pelo contrário, é onde Ele mais nos ama. Ele nos pede hoje: “Volte para sua casa e tenha tempo para sua família”.
3. A Unidade como Fruto da Eucaristia
O Bom Pastor busca a unidade e não quer um rebanho dividido. Muitas casas estão feridas por mágoas antigas, distâncias frias ou disputas por heranças que roubam a paz da alma.
Ser “bom pastor” dentro de casa é dar o primeiro passo. Como ensina a espiritualidade da Canção Nova: “quem tem que mudar sou eu”. A unidade não é a ausência de conflitos, mas a decisão de amar apesar deles.
A Eucaristia é o lugar onde aprendemos a nos “partir” para amar os nossos. Uma família eucarística é aquela que vive para o outro, tornando-se um reflexo vivo do amor de Deus para os vizinhos, para o bairro e para o mundo.




