EVANGELHO DO DIA

A Força do Testemunho - Padre Bruno Antônio (26/08/2026)

O Contraste na Liturgia: O Exemplo que Devemos Seguir

Meus queridos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje nos apresenta este contraste, esse paralelo entre a primeira leitura e o Evangelho. Um paralelo onde nós podemos ver o que devemos fazer, o exemplo que devemos seguir e o que nós não devemos fazer.

Qual é o exemplo que nós não devemos seguir? Na primeira leitura, Paulo vai dizer: “Sabeis como deveis seguir o nosso exemplo”. E, no Evangelho de hoje, Jesus faz uma dura crítica aos escribas e fariseus, dizendo: “Por fora pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia”.

De um lado, Paulo nos apresenta uma vida que nós podemos imitar, uma vida da qual nós podemos seguir o exemplo. Do outro, Jesus nos mostra uma vida que nós não devemos imitar, aquilo que nós não devemos fazer.

A Força do Testemunho e a Pregação com a Própria Vida

O interessante disso, meus irmãos, é que Paulo não apresenta somente uma doutrina, não é simplesmente uma pregação, um anúncio. Ele fazia isso muito bem, mas Paulo apresenta a sua própria vida como um modelo, como um exemplo a ser seguido. Ele poderia simplesmente passar um ensinamento, mas o ensinamento que Paulo passa supera as meras palavras, porque ele ensina com a sua própria vida.

Na leitura de hoje, Paulo diz: “Eu trabalho para que as pessoas possam ver e seguir o meu exemplo, para que as pessoas não fiquem ociosas. Olhem para nós, sigam o nosso exemplo”. E o que isso nos mostra, meus irmãos? Isso nos mostra a força do testemunho!

A pregação é importante, ela é necessária, mas o que dá sustentação e eficácia à pregação é o testemunho. Paulo testemunha isso com a sua própria vida. A pregação tem muito mais força quando é acompanhada por uma vida que confirma aquilo que se anunciou. Quando aquilo que foi anunciado pode ser verificado na vida daquela pessoa, aí sim a pregação ganha uma força e uma eficácia muito maiores.

O Chamado à Coerência: O Que a Sua Vida Prega?

Todos nós somos chamados a anunciar a Palavra e a pregar o Evangelho, se não com palavras, mas com a nossa própria vida. Assim como a vida de Paulo era um exemplo e modelo a ser seguido, nós também somos chamados a fazer da nossa vida um modelo.

Nós pregamos com a nossa vida pela forma como tratamos as pessoas, como convivemos, como enfrentamos e superamos as dificuldades. A forma como vivemos dentro da nossa casa com os nossos familiares: tudo isso se torna testemunho e anúncio daquilo que buscamos viver, que é o Evangelho.

Por isso, uma pergunta que podemos nos fazer diante da liturgia de hoje é: se alguém conhecesse o Evangelho somente olhando para a sua vida, o que essa pessoa aprenderia? Qual seria o testemunho que a sua vida iria dar do Evangelho?

O Perigo de uma Vida de Aparências

É justamente aqui que o Evangelho nos apresenta esse contraponto. Se Paulo nos diz “imitai-nos”, Jesus, falando aos fariseus, está dizendo justamente o oposto: “Não sejais como eles”. Jesus deixa bem claro o que não é um modelo para nós.

O problema dos fariseus não era simplesmente aquilo que eles faziam exteriormente. Exteriormente eles procuravam viver de aparências e estava tudo certo no externo. Tanto é que Jesus faz essa dura crítica, dizendo que eles pareciam “sepulcros caiados”: por fora estavam bonitos e arrumados, mas por dentro estavam cheios de podridão e de morte.

A verdadeira questão era a distância que existia entre aquilo que eles pareciam por fora e o que estava por dentro. Ou seja, a incoerência, a hipocrisia de parecer algo que não se é no interior. Eles cuidavam da aparência, mas não cuidavam daquilo que estava no coração, que ainda precisava de conversão e mudança.

O Alerta para os Nossos Dias

Esse alerta fica também para nós hoje. Podemos nos preocupar muito com o externo, com aquilo que as pessoas veem, e esquecer daquilo que somente Deus vê no nosso coração. Esquecemos de cuidar do nosso interior.

Podemos aparentar estar bem, levar uma vida de aparências, mas por dentro carregar ressentimentos, falta de perdão e orgulho. Por fora, parece que temos uma vida de oração e espiritualidade, mas por dentro o coração pode estar distante de Deus, cheio de mágoas, falta de amor ao próximo, falta de caridade e de empatia.

Jesus nos chama a essa coerência de vida. A santidade, meus irmãos, não consiste simplesmente em parecer santo. Santidade é permitir que Deus transforme o nosso interior para que a nossa vida toda seja um testemunho de coerência com o Evangelho.

A Esperança da Cura Interior

Aqui está a esperança do Evangelho de hoje. Quando olhamos para essa passagem, parece que Jesus só fez uma crítica, só apontou o erro, mas não. Jesus não revela o que está errado dentro de nós para nos condenar. Ele revela aquilo que está errado para nos curar, para nos libertar e para nos fazer sair do erro.

A Palavra de Deus hoje nos convida a olhar para dentro e perguntar: “Aquilo que eu anuncio com os lábios tem correspondido com aquilo que eu estou vivendo?”

Sabe por que, meus irmãos? Nós não precisamos ser perfeitos para testemunhar. Não espere ser totalmente perfeito para testemunhar. O que nós precisamos ser é coerentes e verdadeiros. É nessa coerência de vida que o Senhor vai nos curando e nos tornando santos. É isso que o Senhor pede de nós: testemunhar sendo verdadeiros.

Por isso, nesta liturgia, que possamos pedir ao Senhor a graça de viver essa coerência. A graça de não vivermos uma vida de aparências, mas testemunharmos com verdade a nossa fé, para que aquilo que anunciamos com os lábios possa ser verificado nas nossas atitudes.

Paulo nos ensina aquilo que devemos imitar, e os fariseus nos ensinam aquilo que devemos evitar.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!