EVANGELHO DO DIA

A Oração é um Sinal de Humildade - Padre Alex Freitas (05/09/2026)

O contraste entre a vaidade de Corinto e a postura dos Apóstolos

Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo destaca o contraste entre a comunidade e os apóstolos. Ele reflete sobre as atitudes de cada grupo.

O apóstolo afirma: “Fomos colocados como um espetáculo para o mundo”. Ele se refere aos sofrimentos vividos pelos apóstolos na missão.

A comunidade de Corinto era abundante em dons espirituais. No capítulo 12, São Paulo recorda que aquela comunidade possuía muitos carismas. Havia dons de cura, milagres, profecia, línguas e interpretação. Ele confirma que nenhum dom lhes faltava.

Apesar disso, o apóstolo faz uma dura crítica. Os fiéis continuavam carnais e divididos por brigas, rixas e ciúmes. Havia divisões entre eles, com fiéis dizendo: “Eu sou de Paulo” ou “Eu sou de Apolo”.

Diante dessa situação, São Paulo adverte: “Um planta, outro rega, mas é Deus quem faz crescer.”

O apóstolo já vinha comparando a sabedoria do mundo com a sabedoria de Deus. O que é loucura para o mundo é sabedoria para Deus. Do mesmo modo, a sabedoria humana pode ser loucura divina.

São Paulo não usou uma oratória rebuscada para anunciar o Evangelho. Ele preferiu demonstrar o poder do Espírito Santo. Assim, a fé daquela comunidade se fundamentou em Deus, não em raciocínios humanos.

O que tens que não tenhas recebido?

São Paulo exorta a comunidade porque os fiéis estavam orgulhosos. Eles se vangloriavam de seus dons espirituais. Viviam uma situação espiritualmente perigosa: a vaidade.

Por isso, o apóstolo os questiona diretamente:

  • “Quem te faz melhor que os outros?”

  • “O que tens que não tenhas recebido?”

  • “E se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido?”

Vocês possuem dons, mas eles não são de produção própria. Todos foram dados por Deus. Se foi o Senhor quem deu, por que se envaidecer?

A comunidade se achava autossuficiente. Enquanto isso, os apóstolos enfrentavam perseguições, flagelos e sofrimentos. Deus havia confiado a eles o cuidado da Igreja.

São Paulo fala como um pai carinhoso. Ele não quer humilhar os fiéis. Sua intenção é colocá-los no devido lugar de dependência de Deus.

O caminho do envaidecimento é o caminho de Lúcifer, que quis ter o lugar do Criador. O cristão precisa reconhecer sua constante dependência de Deus.

A oração como o supremo ato de humildade

Somos dependentes de Deus. É por essa razão que rezamos e nos aproximamos d’Ele.

O Salmo nos lembra: “Abris a vossa mão e a todos saciais.” É Deus quem sustenta toda a criação. Jesus também ensina que o Pai cuida dos passarinhos.

Rezar é um sinal claro de humildade. Na verdadeira oração, assumimos nossa pequenez diante da grandeza divina.

A vida de meditação do homem passa por dois pontos fundamentais:

  1. Ver a grandeza de Deus e glorificá-lo.

  2. Reconhecer a nossa pequenez e clamar: “Senhor, tem piedade de mim, pois sem Ti nada sou.”

O mesmo sentimento aparece nos versículos do Salmo de hoje: “Que a minha boca cante a glória do Senhor.” E complementa: “Que todo ser bendiga o seu santo nome.”

Vemos essa atitude no Magnificat de Nossa Senhora: “A minha alma glorifica ao Senhor. O meu espírito exulta em Deus, meu Salvador.”

Orar é reconhecer que precisamos de Deus para existir. Não vivemos sem ar, assim como não vivemos espiritualmente sem oração. Quando deixamos de rezar, dizemos a Deus que não precisamos d’Ele.

O perigo de rezar com “3% de bateria”

O humilde reza porque sabe que depende de Deus. Quando adiamos a oração com desculpas, agimos com autossuficiência.

Muitas vezes deixamos a oração para o final do dia. Nesse momento, nossa energia física e mental já está em 3%. Ao tentar rezar o terço à meia-noite, a sonolência é inevitável. Nesses momentos, vale o conselho prático: reze em pé para não dormir!

Com a negligência diária, dizemos sem palavras que nos bastamos. Agimos exatamente como os cidadãos de Corinto.

Contudo, Jesus é claro: “Sem mim, nada podeis fazer que tenha fruto.”

Recordemos a experiência de São Pedro. Ele passou a noite inteira pescando sem sucesso. Porém, lançou as redes novamente em atenção à Palavra de Jesus.

É a presença de Deus em nós que traz eficácia. Monsenhor Jonas Abib trazia um exemplo simples: precisamos ser como uma mangueira conectada em Deus. Assim, a graça do Senhor chegará aos outros através de nós.

Testemunhos de humildade na oração

São João Paulo II: a oração à frente das palavras

São João Paulo II era um homem cuja vida transbordava oração. Durante sua visita ao Rio de Janeiro, o Papa esteve com o Cardeal Dom Eugênio Sales. Após um dia exaustivo, o Papa foi para a capela rezar. No meio da noite, o Cardeal o encontrou ainda ajoelhado diante do Santíssimo.

Antes dos grandes discursos, o Santo Padre passava horas em oração. Ele sabia que rezar era mais importante do que falar. Quando era Arcebispo em Cracóvia, ele colocou sua escrivaninha na capela. Escrevia seus livros e documentos diante do Santíssimo Sacramento.

Monsenhor Jonas Abib: ouvir a Deus antes de planejar

Nos primeiros anos da Canção Nova, uma religiosa quis propor um projeto de formação. Ao apresentar a ideia, ouviu do Monsenhor Jonas Abib:

“Se a senhora quer fazer este projeto, funde uma comunidade e o faça. Aqui na Canção Nova, nós primeiro vamos ouvir a Deus.”

A verdadeira humildade consiste em ouvir a Deus antes de estruturar planos humanos. Até o fim da vida, Monsenhor Jonas nunca abandonou a oração. Mesmo sem forças físicas, mantinha a recitação da Liturgia das Horas.

O próprio Cristo

O próprio Jesus Cristo retirava-se de madrugada para rezar. Ele vivia em perfeita união com o Pai. Quanto mais nós precisamos da oração no dia a dia!

Peçamos ao Senhor a graça do dom da oração. Peçamos também a virtude da humildade. Reconheçamos que Deus é o único e verdadeiro sustento da nossa alma.