A verdade é inegociável
Nesta reflexão no Santuário do Pai das Misericórdias, o Padre Charles convida-nos a meditar sobre o valor da verdade. Ele aborda o compromisso com o Evangelho no dia a dia.
O chamado profético e o preço da verdade
Querido povo amado de Deus! Deixo minha saudação especial a você que nos acompanha pela comunicação. Saúdo também os peregrinos presentes no Santuário do Pai das Misericórdias.
Sou o Padre Charles, missionário da Canção Nova em Gravatá, Pernambuco. Envio minha saudação ao povo da Diocese de Caruaru e região.
Na Liturgia de hoje, Deus nos faz uma pergunta importante. Temos coragem de pagar o preço pela verdade? Estamos dispostos a isso? Os mártires da Igreja deram a própria vida pela verdade.
Nós também temos essa vocação profética pelo Batismo. O profeta Jeremias e São João Batista tiveram essa coragem. Eles pagaram com a própria vida por defenderem a verdade divina.
O testemunho no confessionário: falar a verdade com caridade
Será que temos essa coragem hoje em dia? Recordo-me de um fato recente no confessionário. Atendi uma mulher que eu já conhecia.
Antes da confissão, fazemos perguntas de praxe. Perguntamos o estado civil e o tempo da última confissão.
Ela disse: “Padre, estou namorando e noiva.”
Perguntei: “A senhora é casada na Igreja?”
Ela respondeu: “Não, padre… mas já fui casada na Igreja.”
Expliquei a situação dela com clareza e respeito. Falei que ela estava em situação de adultério. Afinal, possui um matrimônio válido e vive com outro homem.
Ela perguntou: “Então não posso me confessar, padre?”
Respondi que não. Sem a intenção de mudar de vida, não há absolvição. Tampouco é possível receber a Sagrada Comunhão.
A verdade não anula a caridade pastoral
Muitas pessoas pensam que podem se confessar sem comungar. Porém, o sacramento exige o propósito de emenda.
Aquela mulher era minha amiga. Contudo, precisamos priorizar a lei de Deus. Não podemos negociar a verdade por causa de amizades.
Pelo Batismo, recebemos a missão de ser profetas. Às vezes, a verdade custa empregos ou amizades. Porém, a verdade é inegociável.
Eu disse a ela: “A Igreja não permite a confissão nessa situação. Mas vamos buscar resolver o seu caso diante de Deus.”
A verdade deve ser dita com caridade. Falar a verdade sem caridade é uma agressão. Por isso, acolhi aquela fiel com amor pastoral.
O fruto da verdade: salvação e amizade sincera
Ela me disse: “Padre, obrigada! Ninguém nunca me falou isso com tanta clareza.”
Muitas pessoas regularizam a vida a partir dessa pergunta simples.
Eu poderia ter sido omisso por amizade. Poderia fingir que não sabia de nada. Mas eu prestaria contas a Deus por essa omissão.
A reação daquela fiel foi emocionante. Ela disse: “Vou regularizar minha situação para o senhor fazer meu casamento.”
E concluiu: “Obrigada por me falar a verdade. Amo o senhor ainda mais. O amigo de verdade diz a verdade.”
Que possamos assumir nossa vocação profética diariamente. A verdade nos liberta e nos conduz a Deus!




