Como Superar as Tribulações com Fé
Chegamos ao momento central da nossa Quinta-feira de Adoração. O Senhor, que tem palavras de vida eterna e cujo amor transborda por cada um de nós, deseja nos ensinar a ser pacientes na tribulação.
A passagem bíblica de Romanos 5, 3, que tem conduzido todo o nosso dia de oração, encontra uma tradução exemplar no Evangelho.
Deus não causa a tribulação, mas a permite como pedagogia
A primeira verdade que precisamos gravar no coração é: nenhuma tribulação vem de Deus. Deus não deseja que soframos, nem é a fonte daquilo que nos chacoalha interna ou externamente.
No entanto, em alguns momentos da vida, Deus permite a provação. Trata-se de um caminho pedagógico, como nos ensina o apóstolo São Paulo e como vemos na própria vocação de São Pedro.
O caminho pedagógico da fé
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A tribulação gera a paciência: o sofrimento forja o nosso caráter.
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A paciência comprova a fidelidade: perseverar no desconforto revela a maturidade da nossa escolha.
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A fidelidade gera a esperança: uma esperança firme, que não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações.
Deus permite a provação para que, seguros do Seu amor que nunca nos desampara, alcancemos a medida da maturidade em Cristo.
O perigo da ilusão nas coisas deste mundo
São Paulo faz um alerta profundo: “Que ninguém se iluda. Se alguém pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça a sua insensatez.”
É fácil cair na tentação da ilusão. Diante do sofrimento, corremos o risco de abandonar a fé, culpar a Deus por algo que Ele não causou ou pedir para sermos livres do desconforto sem compreender a lição pedagógica por trás dele.
O mundo moderno nos ensina que tudo o que gera incômodo deve ser eliminado. No entanto, muitas coisas necessárias para a nossa vida — como cuidar da saúde física e espiritual — exigem esforço, disciplina e superação da dor. As provações fortalecem a nossa alma.
O exemplo de São Pedro: quando parece não haver mais esperança
No Evangelho, encontramos Simão Pedro, um pescador experiente que conhecia o mar perfeitamente. Ele passou a noite inteira trabalhando duro e não pescou absolutamente nada.
Pedro não pescava por hobby; pescaria era o seu sustento. Quem já vivenciou a angústia do desemprego ou a preocupação de não conseguir pagar as contas no final do mês entende a dor de Pedro naquele momento.
Sinal de desistência: Ao chegar à praia, Jesus encontra Pedro fora do barco, lavando as redes — o último gesto de quem deu a jornada por encerrada.
Quando Jesus pede o barco emprestado para ensinar à multidão, Pedro cede sem resistir, talvez por achar que tudo já estava perdido. No entanto, após falar ao povo, Jesus se volta exclusivamente para Pedro e faz um convite ousado: voltar ao alto-mar.
“Lança a rede mais uma vez”: a obediência que gera milagres
O alto-mar era o último lugar onde Pedro gostaria de estar. Porém, dessa vez, ele não estava sozinho; o Criador do universo estava no seu barco.
Mesmo cansado e teimoso, Pedro escutou a ordem de Jesus: “Lança a tua rede para a pesca”. E respondeu com sinceridade: “Trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos, mas, pela Tua palavra, lançarei as redes.”
A paciência e a fé se manifestam quando, mesmo tendo motivos para desistir, escolhemos dar mais um passo por causa da palavra de Cristo. O resultado foi uma pesca tão abundante que as redes quase se rompiam. Naquela tribulação, Pedro ganhou muito mais do que peixes: ganhou o sustento da sua fé.
São Gregório Magno: a resposta do servo diante dos desafios
Celebramos também a memória de São Gregório Magno. Homem nobre, jurista e diplomata, abriu mão de uma carreira promissora para se tornar monge, buscando uma vida de oração e recolhimento no mosteiro.
Contudo, os planos de Deus tomaram outro rumo. Ele foi ordenado padre e, posteriormente, aclamado Papa. Enfrentou uma época devastada pela peste, guerras e grandes heresias como o monofisicismo.
Gregório assumiu o papado não como honra, mas como serviço, denominando-se Servus Servorum Dei (Servo dos Servos de Deus). Por sua fidelidade na tribulação:
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Pacificou reinos e encerrou conflitos;
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Preservou a sã doutrina da Igreja;
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Promoveu a reforma litúrgica e musical (dando origem ao Canto Gregoriano);
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Reorganizou a formação dos pastores.
São Gregório tornou-se “Magno” (Grande) não pela estatura física, mas pelo bem imenso que realizou ao suportar com paciência os desafios do seu tempo.
O seu sofrimento ganha valor quando unido a Cristo
Meus irmãos, olhar para as ondas agitadas da nossa existência e não fugir delas é a nossa vocação diária. Seja no trabalho, no matrimônio ou nas enfermidades, a tribulação enfrentada com Deus transforma-se em oportunidade de santificação.
Nada pode nos separar do amor de Deus: nem a doença, nem as crises financeiras, nem os conflitos cotidianos. Quando abraçamos as cruzes por amor a Cristo, o que parecia ruína torna-se adubo para a nossa redenção e consolo para a vida dos outros.
Como diz o ditado popular: “É o carro apertado que canta.” Na hora da pressão, Deus revela em nós capacidades e virtudes que nem sabíamos que possuíamos.
Um convite à confiança: desça ao barco do seu coração
Não reclame da situação que você está vivendo hoje. Seja grato, pois a mão do Senhor continua estendida para você. Se hoje você se sente no limite, no leito de um hospital ou desanimado diante das dificuldades da vida: coragem, lança a rede mais uma vez!
Deus contempla você em sua individualidade. Ele não olha para o seu fracasso, mas para o que você pode se tornar pela graça d’Ele. Assim como Michelangelo enxergava a belíssima escultura da Pietà dentro de um bloco bruto de mármore, Deus usa o cinzel da vida para lapidar a sua alma.




