O Desafio de Mudar de Vida
A liturgia da Palavra nos faz uma grande provocação para a nossa caminhada de fé. Essa provocação começa na Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Jeremias, onde o profeta critica duramente o culto espiritual que permanece apenas na exterioridade.
Jeremias transmite a mensagem direta do Senhor:
“Põe-te de pé no átrio da casa do Senhor e fala a todos os que vêm das cidades de Judá para adorar o Senhor no templo. Todas as palavras que eu te mandei dizer: Não retires uma só palavra. Talvez eles as ouçam e voltem do mau caminho…”
De nada adianta sairmos da nossa casa, virmos à igreja, escutarmos a Palavra de Deus e comungarmos, se ao sairmos não mudarmos de vida. Todo encontro com a Palavra precisa motivar uma decisão radical de transformação, caso contrário, essa Palavra se torna morta em nós.
Infelizmente, muitos se aproximam da comunidade apenas para cumprir preceitos, sem alterar o modo de pensar, olhar, falar ou se comportar. Precisamos tomar uma postura séria, deixar o “blá-blá-blá” de lado e assumir o compromisso de uma vida nova.
A Lei Máxima: Amar e Perdoar
O Senhor nos chama a viver a Sua lei. E qual é a regra de ouro resumida por Jesus?
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Amar a Deus sobre todas as coisas;
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Amar ao próximo como a si mesmo.
Não se trata de um amor superficial ou sentimentalista de novelas, mas daquele amor que nos faz sair de nós mesmos. E o maior desafio desse amor é o perdão.
Quando Jesus nos pede para perdoar inclusive os nossos inimigos, Ele apresenta um caminho viável por meio da graça. O perdão deve ser nossa regra diária, desde o momento em que acordamos até a hora de dormir, avaliando no final do dia o “termômetro” do nosso amor em relação aos outros.
O escândalo da transformação em Cristo
No Evangelho, vemos Jesus retornando à Sua terra natal. Após 30 anos de vida oculta na marcenaria, vividos na simplicidade e na humildade, Ele inicia Sua pregação pública realizando sinais e prodígios. A reação de muitos foi o espanto e o escândalo: “De onde lhe vem essa sabedoria? Não é este o filho do carpinteiro?”
O mesmo acontece na nossa história de conversão. Quando deixamos a vida de pecado, passamos a rezar, frequentar a Santa Missa e mudar nossas atitudes, as pessoas ao nosso redor muitas vezes se assustam ou se escandalizam. Se a sua mudança de vida causa estranhamento naqueles que o conheciam antes, louvado seja Deus! Isso é sinal de que você deixou a vida velha para viver uma vida nova em Cristo.
Santo Inácio de Loiola e o exemplo de radicalidade
Inspirados na memória de Santo Inácio de Loiola, contemplamos a história de um homem militar, nascido na Espanha, que após ser ferido no cerco de Pamplona usou seu tempo de recuperação para ler a vida de Cristo. Ali ocorreu a sua “mudança de chave”.
Santo Inácio abandonou as armas, fundou a Companhia de Jesus (Jesuítas) e nos deixou o tesouro dos Exercícios Espirituais, ensinando que tudo deve ser feito para a maior glória de Deus (Ad Maiorem Dei Gloriam).
Renuncia, Cruz e o Céu
Se desejamos o Céu, precisamos acolher a ordem do Mestre:
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me.”
A conversão exige coragem para morrer para o pecado e viver para Deus. Que por intercessão de Santo Inácio de Loiola, possamos escolher a luz, assumir a nossa cruz e buscar, na radicalidade do dia a dia, a nossa morada definitiva no Céu.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!




