EVANGELHO DO DIA

O perigo da avareza - Pe. Adriano Zandoná (19/10/26)

O perigo da avareza

A Palavra de Deus proclamada no Evangelho nos alerta sobre um dos pecados capitais mais sutis e perigosos: a avareza. Enquanto a lógica do mundo nos insiste em dizer que valemos pelo que acumulamos, a lógica do Evangelho nos convida a viver a verdadeira generosidade.

O ter e o ser: a diferença entre posse e idolatria

A crítica bíblica à parábola dos celeiros não condena a propriedade privada em si, tampouco o fruto do trabalho honesto. O próprio Catecismo da Igreja Católica ensina o direito à propriedade e, ao mesmo tempo, a destinação universal dos bens. Ter recursos para viver bem e sustentar a família é justo e abençoado.

O grande erro do homem da parábola foi a falta de percepção espiritual: ele ignorou a Deus, não considerou a necessidade dos pobres e esqueceu-se da brevidade da vida humana. Quando os bens materiais — que são bons por natureza — passam a ser o centro de tudo, eles se tornam ídolos.

Como recorda o Livro do Eclesiastes, “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. No hebraico, a palavra usada para vaidade remete à fragilidade de uma bolha de sabão: algo que tentamos abraçar, mas que estoura no ar.

Como estamos construindo nossa casa no céu?

Trabalhar com esforço para adquirir a casa própria ou manter a vida em dia é algo bonito e honrado. Porém, ao partirmos desta vida, as construções terrenas aqui ficarão. A grande pergunta que Jesus nos faz é: estamos enviando tijolos para o céu?

A casa no céu é construída por meio de:

Boas obras feitas por amor a Deus: atitudes genuínas, praticadas especialmente no silêncio, sem a busca por aplausos, elogios ou reconhecimento humano.

Amor ao próximo no cotidiano: a paciência com os idosos, o cuidado com as crianças e a atenção dedicada às pessoas difíceis, que muitas vezes são verdadeiras escolas de santificação em nossa jornada.

Exercício do desprendimento: entender que a generosidade é o maior antídoto contra a ganância.

O ensino dos santos e a partilha dos bens

Grandes Padres da Igreja nos lembram o papel social dos nossos bens. São Basílio Magno afirmava que o pão guardado em excesso pertence ao faminto, e o manto retido no cofre pertence ao desprovido. Na mesma linha, São João Crisóstomo ensinava que abrir os celeiros é permitir que a caridade transborde para aqueles que mais precisam.

A Doutrina Social da Igreja nos convida a enxergar o próprio Cristo no irmão necessitado. Ser generoso significa não apenas partilhar bens materiais, mas colocar nossos dons, tempo e conhecimento a serviço do Reino.

Transmitir a fé às próximas gerações

Uma das obras de misericórdia mais urgentes em nossos dias é a transmissão da fé às crianças. Ensinar os mais novos que Deus é Pai e é bom, utilizando abordagens simples, carinhosas e adequadas à linguagem infantil, é preparar o futuro da Igreja.

Mães, pais, avós e catequistas têm a missão sagrada de cultivar o exemplo e ensinar o Evangelho. Cada ato de fé ensinado e cada gesto de caridade vivenciado é mais um tijolo depositado na eternidade.

Assista à transmissão completa no vídeo acima e acompanhe diariamente as formações e homilias do Santuário do Pai das Misericórdias.