OUTUBRO

São Francisco hoje: missão, paz e Ano Jubilar (1226–2026)

Ano Jubilar Franciscano 2026

O legado franciscano é marcado por testemunho, missão e convite à conversão no Ano Jubilar dos 800 anos do trânsito de São Francisco. No mês dedicado às Missões, celebramos São Francisco de Assis. Sua vida e seu exemplo marcaram profundamente a evangelização universal. No contexto do Ano Jubilar franciscano, que lembra os 800 anos do seu trânsito (1226–2026), a alma missionária de Francisco inspira a Igreja, hoje, a sair ao encontro da humanidade com ousadia, inovação e o chamado a levar a paz.

A história da ação missionária deve muito a Francisco de Assis. Entre os fundadores, foi o primeiro a inserir na Regra de sua Ordem um capítulo sobre as expedições às terras onde não se conhecia o Evangelho. Além disso, Francisco abriu uma nova era na evangelização universal.

São Francisco hoje: missão, paz e o Ano Jubilar (1226–2026)

São Francisco e a nova linguagem missionária

Ao contrário do modelo medieval de expansão cristã centrado em confrontos e conquistas, Francisco introduziu uma linguagem missionária baseada no testemunho e na aproximação respeitosa ao outro, como recorda o historiador Lázaro Iriarte. O frei espanhol aponta que, enquanto os mosteiros eram centros fundamentais da cristianização medieval, o pobrezinho entendeu que era necessária uma nova forma de diálogo, mais próxima das realidades urbanas, artesanais e mercantis da sua época.

Quando Francisco propôs seu programa de paz, sob o pontificado de Inocêncio III, a sociedade tinha enfrentado mais de um século de cruzadas. Francisco, sensível ao sentimento do povo cristão, especialmente às novas camadas artesanais e mercantis, percebeu a necessidade de uma linguagem diferente, que rompesse com o confronto armado entre povos que professavam o mesmo Deus Altíssimo.

Viagens e encontros: coragem e humildade

Francisco intuía que Deus o chamava a uma missão com um raio mais universal. Ele via o mundo inteiro como um campo de missão, em saída pelo mundo, ou, como escreveu no fim de sua vida: “enviados ao mundo inteiro para testemunhar a voz de Deus com a palavra e com as obras” diante de todos os homens.

Desde as primeiras tentativas de ir ao Oriente em 1212 até a célebre visita ao Sultão em 1219, Francisco mostrou que a missão pode assumir a forma do encontro e do diálogo corajoso. Sem cartas de recomendação ou arsenal retórico, apresentou-se como cristão e como homem, pedindo apenas para ser levado ao soberano; gesto que suscitou respeito e até admiração em contextos adversos.

Cinco princípios franciscanos para a missão hoje

Francisco deixou orientações práticas e espirituais para quem sai em missão. Entre as diretrizes missionárias estão:

  • Enviados a todos: ser enviado a todos os homens do mundo;
  • Divina inspiração: partir em missão por divina inspiração para salvar o próximo e com o desejo do martírio;
  • Testemunho prático: dar testemunho (não brigar, evitar disputas de palavras, não julgar, ser manso, pacífico, modesto, calmo e humilde, não polemizar, não tentar convencer ninguém do próprio erro, não desprezar crenças, culturas e costumes). Francisco recebeu, inclusive, autorização do Papa para os frades irem em missão sem o hábito religioso, adotando costumes locais árabes, como o estilo da barba;
  • Anunciar a Palavra: anunciar a Palavra de modo a agradar ao Senhor, para que creiam no Deus Onipotente, e isso os incentive a se batizarem e se tornarem cristãos;
  • Disposição ao martírio: a vocação à missão era vista como vocação ao martírio: “recordem-se de que doaram suas vidas e se ofertaram a Jesus; por amor, devem se expor a inimigos visíveis e invisíveis”. Francisco escreveu a São Boaventura: “aqueles que pedem para ingressar em nossa Ordem devem estar dispostos ao martírio”.

Ano Jubilar: renovar a missão e a paz

No contexto do Ano Jubilar franciscano (2026), a lembrança do trânsito de São Francisco convoca-nos a revisitar essa universalidade da missão que ele promoveu. O Jubileu é uma oportunidade para renovar o compromisso com a paz, com o diálogo com aqueles que pensam diferente de nós e com a atenção aos mais necessitados e esquecidos, seguindo a estratégia franciscana de preparar o terreno por meio do testemunho de vida antes de qualquer proselitismo.

Testemunho antes de palavras

A grande estratégia de Francisco foi confiar os frutos da missão à coerência de uma vida cristã simples e sincera, preparando assim o coração das pessoas para a escuta do Evangelho e para a construção de comunidades. Essa forma de aproximar-se, que valoriza o exemplo diante do confronto, permanece um ensinamento atualíssimo para a Igreja e, em especial, para todos os que visitam o Santuário do Pai das Misericórdias.

Convite para outubro — mês das missões

No dia de São Francisco de Assis, em outubro, convidamos todos os peregrinos do Santuário do Pai das Misericórdias a celebrar este Jubileu participando das celebrações. Que o exemplo do Pobrezinho renove em nós o desejo de ir ao encontro do outro com coragem, humildade e amor.

Ao celebrar São Francisco neste mês das Missões e dentro do Ano Jubilar, renovemos o compromisso de testemunhar o Evangelho com simplicidade e de promover a paz nas nossas relações e na sociedade. Que a memória dos 800 anos do trânsito de Francisco nos impulsione a cultivar e a retomar a consciência da universalidade da missão, isto é, a mensagem de conversão dirigida a todos, cristãos e não cristãos: “todos os povos, raças, tribos e línguas, todas as nações e todos os homens da terra, que existem e que existirão” (Regra não bulada, 23, 22).