EVANGELHO DO DIA

O Que Ainda Me Falta Para Ser Feliz? - Padre Sidney Dias (17/08/2026)

A Pergunta Que Todos Carregamos no Coração

Meus amados irmãos e irmãs, o Evangelho nos apresenta um homem que faz a Jesus uma pergunta que, no fundo, todos nós carregamos dentro de nós. Este homem chega diante do Mestre e diz: “Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?”

Poderíamos traduzir essa inquietação da seguinte forma: “Senhor, o que eu preciso fazer para que a minha vida seja verdadeiramente plena? O que eu preciso fazer para ser feliz?”

Há algo muito bonito na atitude desse jovem: ele não é indiferente à própria vida. Quando Jesus lhe recorda os mandamentos, ele responde que já observa todas essas coisas desde a juventude e faz a pergunta mais importante do Evangelho de hoje: “O que ainda me falta?”

É possível fazermos muitas coisas certas — cumprir nossos deveres de cristão, rezar, trabalhar, servir, cuidar da família — e, ainda assim, sentir uma profunda inquietação no coração.

O Convite de Jesus: Ir Além da Obediência

Jesus conduz aquele jovem para além de uma vida simplesmente “correta” e lhe diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.

Nosso Senhor está dizendo a nós que não basta ter a vida em ordem; é preciso descobrir por quem vale a pena entregar a vida. O jovem havia aprendido a obedecer, mas ainda precisava aprender a se entregar. A nossa vocação não é apenas seguir regras, é o seguimento de Cristo. E seguir a Deus exige colocá-lo no centro de tudo.

O verdadeiro problema daquele jovem não era possuir muitos bens, mas permitir que aqueles bens o possuíssem. E essa palavra não fala apenas de dinheiro. Existem muitas “riquezas” às quais podemos estar agarrados: a nossa própria vontade, uma posição de reconhecimento, uma imagem que construímos, uma mágoa que não queremos abandonar ou até mesmo uma segurança que temos medo de perder.

O Que Ainda Te Prende?

Diante de Jesus, precisamos ter a coragem de fazer a mesma pergunta do jovem rico. Ou, talvez, fosse melhor perguntar: “Senhor, o que ainda me prende?”

Chega um momento na vida espiritual em que não se trata mais simplesmente de acrescentar coisas — fazer mais uma devoção, começar mais uma novena ou encher a agenda de compromissos. Talvez o Senhor esteja lhe pedindo, hoje, que você solte alguma coisa. Há coisas que possuímos e há coisas pelas quais somos possuídos. A verdadeira liberdade começa quando podemos dizer que nada é mais importante do que seguir a Cristo.

A Felicidade Cristã Está no Verbo “Dar”

O jovem buscava a felicidade, e Jesus lhe mostrou que ela não está simplesmente no verbo ter, mas está muito mais próxima ao verbo dar. Uma pessoa pode ter muitas coisas e continuar completamente vazia.

Tudo começa a ganhar sentido quando você descobre por quem vale a pena entregar a própria vida. É o que acontece com a mãe que se doa pelos filhos, o pai que se sacrifica pela família em silêncio, ou aquele que cuida de uma pessoa doente morrendo para si mesmo. O cristão que deixa de viver somente para si começa a perguntar: “A quem eu posso amar hoje? A quem eu posso servir?”

Há uma alegria profunda que só conhece quem se doa e quem se sacrifica.

O Maior Tesouro é um Coração Livre

O drama do jovem do Evangelho é que ele chegou muito perto. Encontrou Jesus, fez a pergunta certa, recebeu a resposta certa, mas não conseguiu dar o passo decisivo. Ele foi embora triste. Continuou com todos os seus bens, mas perdeu a possibilidade de seguir Jesus mais de perto.

Nem tudo aquilo que conseguimos manter em nossas mãos consegue manter a alegria dentro do nosso coração. Às vezes, é exatamente aquilo que não conseguimos deixar que está impedindo a nossa verdadeira felicidade.

Jesus não quer nos empobrecer, Ele quer nos tornar livres. Ele quer colocar diante de nós um tesouro ainda maior: o chamado “Vem e segue-me”. Que o Senhor nos conceda a graça de um coração generoso, livre o suficiente para responder: “Sim, Senhor, eu vou. Custe o que custar, eu vou”. E que deixemos de perguntar apenas o que podemos ter, para começarmos a perguntar: “Senhor, o que eu posso Te dar?”.

Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.