O Respeito a Deus e a Confiança na Doutrina Católica
Respeitar o Senhor é reconhecer que Deus é Deus e nós somos criaturas. É colocá-lo em primeiro lugar e viver aquilo que a Igreja coloca em nossos lábios na oração: pedir para amar o que Ele ordena e esperar o que Ele promete, ancorando nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Respeitar o Senhor é procurar agradá-lo em tudo, acima da aprovação dos homens.
O apóstolo Paulo alertou a comunidade dos Tessalonicenses sobre pessoas que traziam pseudo-revelações e até cartas falsas em nome dos apóstolos, causando confusão e alarme. Hoje, não são apenas cartas, mas a internet que divide opiniões, confunde e assusta as pessoas. Precisamos estar cada vez mais ancorados na doutrina católica. A Igreja é nossa mestra, formadora e pedagoga. Se não veio da Igreja, fiquemos em paz.
A Igreja é sábia e assistida pelo Espírito Santo. Ela observa os frutos de qualquer suposta revelação antes de atestá-la. Certa vez, a caminho do confessionário da Canção Nova, encontrei uma família que viajou de Santa Catarina para entregar um livro de mais de 5.000 páginas ao padre. Eles seguiam um suposto profeta, rejeitavam o Missal Romano, atacavam o Papa Francisco e viviam uma religiosidade completamente isolada e confusa. Não nos deixemos influenciar por essas correntes. Fiquemos com a verdade da Igreja Católica Apostólica Romana.
A Condenação da Hipocrisia: Não Seja um Sepulcro Caiado
Jesus é duro com os mestres da lei e fariseus: “Ai de vós, hipócritas! Sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão.” Eles estudavam a lei e a aplicavam ao povo, mas não a colocavam em prática.
Nesses dias, Deus nos chama a uma coerência de vida diária. Não adianta dar um péssimo testemunho cristão acordando às 3h30 da manhã para rezar a Quaresma de São Miguel com o Instituto Hesed e o Frei Gilson se, ao terminar, você é indiferente, estúpido e frio no trato com o outro. Se isso acontece, a sua oração não valeu de nada.
Eu mesmo já agi como um fariseu hipócrita. Antes de ser padre, eu me preocupava apenas em cumprir as regras do Estatuto da Canção Nova. Um dia, rezando apressadamente o terço apenas para bater a meta diária, um irmão brincou comigo e eu fui ríspido, exibindo o terço para mostrar “superioridade”. Ele me respondeu: “Que terço é esse?”. Aquela frase me persegue até hoje, pois minha oração não correspondia à minha vida.
Em outra ocasião, na Capela da Sagrada Família, tentei fazer uma adoração “perfeita”, apenas me preocupando com a postura externa. Quando uma peregrina tocou meu ombro pedindo uma informação, fui tomado pela raiva. Logo em seguida, senti Deus falando à minha alma: “A tua adoração não me agrada.” Eu estava sendo o fariseu, preocupado com a aparência, mas vazio por dentro.
O Testemunho que Arrasta: Madre Teresa e São Francisco
O que mais me encanta nos mosteiros de clausura é a alegria transbordante das freiras. Elas optaram por uma vida exigente, mas exalam um bom perfume e uma alegria sobrenatural. É isso que Jesus deseja de nós. Precisamos marcar a vida dos outros com um bom testemunho.
Madre Teresa de Calcutá dizia às suas irmãs: “Que ninguém saia da vossa presença sem que se sinta melhor e mais feliz.” Como as pessoas saem da sua presença? Melhor e mais felizes, ou frustradas e decepcionadas? O verdadeiro testemunho exige que a nossa vida no secreto tenha o mesmo peso e santidade da nossa vida pública.
O maior perigo da hipocrisia é exigir dos outros aquilo que não procuramos viver. Pais, cuidado ao dar ordens aos seus filhos sobre vícios e comportamentos que vocês mesmos cultivam. A autoridade só se sustenta pelo exemplo. As palavras convencem, mas o testemunho arrasta.
São Francisco de Assis, certa vez, chamou um irmão para pregar na cidade. Andaram pelas ruas e voltaram ao convento em silêncio. Quando o irmão questionou por que não haviam pregado, Francisco respondeu que a simples presença deles e a forma como caminhavam já haviam sido o sermão.
A Coerência no Oculto e o Perdão pelas Falhas
Ser coerente é viver a verdade mesmo quando ninguém está olhando. Quando fazemos penitência de algum alimento, não importa se estamos a sós diante de uma despensa cheia; é o nosso compromisso com Deus que está em jogo. Não viva de aparência. Não seja o cristão que na Igreja é um anjo, mas em casa afasta a própria família de Deus com atitudes rudes e irritantes.
A coerência não significa perfeição, mas humildade para reconhecer nossos erros. Houve um tempo na Canção Nova em que atendi um número excessivo de pessoas em acampamentos, chegando à exaustão física e mental, o que culminou em uma depressão. Sem perceber que estava doente, tornei-me frio e acabei magoando pessoas em confissões e atendimentos. Quando tomei consciência e busquei tratamento médico, pedi perdão público na missa por todo estrago que fiz no meu estado de estafa.
Deus nos chama hoje a abandonar a hipocrisia e a abraçar a verdadeira coerência de vida. Seja a mesma pessoa autêntica e de coração voltado a Deus no público e no secreto.




