EVANGELHO DO DIA

Obediência à Vontade de Deus - Padre Vagner Baia (03/09/2026)

A Ilusão da Sabedoria do Mundo e a Busca Incessante

Há duas formas de trabalho que nós realizamos. A primeira é aquela que São Pedro vai realizar para si mesmo, como fala a primeira leitura: muitas vezes nós usamos a sabedoria do mundo para satisfazer a nossa vida.

Então, a primeira leitura vai mostrar essa sabedoria do mundo, essa busca incessante da nossa vida para ter alguma coisa, não é? A gente busca, a gente estuda, e achamos que a nossa profissão é a melhor do mundo. O indivíduo pensa: “Eu sou formado, já sei tudo, já conheço tudo. Eu sou engenheiro, sei como calcular as coisas, sei como fazer”. Já acha que sabe tudo do mundo. O outro é médico e acha que sabe tudo também. Outro é juiz, advogado, piloto de avião, professor ou pedagogo. E assim nós vamos nos formando e achando que apenas a nossa faculdade já vai nos dar sabedoria para viver uma vida plena.

O Preço da Ambição Desmedida

Então, a gente se satisfaz com aquilo. Tem gente que estuda mais, faz mestrado, faz doutorado, torna-se PhD naquela área. Esses dias conheci uma mulher que dedicou a sua vida inteira aos estudos. Quando ela acordou para a vida, já tinha 50 anos. Ela só teve um filho porque não queria parar os estudos.

Quando chegou aos 50 anos, o filho morreu. Veio a solidão, a tristeza, a decepção, o fracasso, porque não realizou mais nada, não viveu mais nada. Ficou presa apenas naquela dimensão da ambição de saber coisas deste mundo, de se formar e se capacitar para este mundo. Só queria ser uma PhD e não fez mais nada além disso.

Não se realizou plenamente nem como mulher, nem como mãe, nem como esposa. E a nossa busca incessante muitas vezes se resume a isso: “Vou trabalhando, vou construindo coisas, vou tendo coisas: casa, carro, dinheiro. Eu preciso de coisas”.

A Escravidão do Consumismo e a Perda do Convívio

Nós vamos enchendo a nossa casa de tantas coisas sem necessidade. A gente vê na televisão e acha que tem que comprar um micro-ondas, um congelador, uma máquina que descasca, outra que frita, outra que lava, seca e passa. A gente fica buscando coisas para, supostamente, ter mais tempo. Mas, qual é o tempo que você vai ganhar? Você gasta esse tempo no celular! Fica duas horas sentado mexendo no aparelho enquanto a máquina está lá fazendo tudo, batendo o pão, preparando a comida pronta, cheia de conservantes. A gente fica achando que tudo isso é evolução.

Não é evolução. Nós nos tornamos dependentes e escravos das coisas deste mundo. E as coisas de Deus ficam de fora.

Qual é o conselho do mundo hoje? “Viva sua vida, você é dono dela. Gasta, faz plástica, puxa para cá, estica dali, para ficar novinha de novo.” É tudo mentira, ilusão. A idade não esconde a razão da nossa vida. Vemos pessoas querendo criar uma identidade falsa de si mesmas, iludidas com vaidades exageradas e futilidades. É lógico que podemos ter as nossas correções para ajudar na saúde; existem procedimentos que são necessários e prudentes, e não estamos falando do que é necessidade. Estamos falando daquilo que é feito por pura vaidade, orgulho e banalidade deste mundo.

O Exemplo de Pedro e a Obediência à Vontade de Deus

Hoje nós vemos Pedro. Ele trabalhou a noite inteira, esgotou-se de trabalhar e chegou cansado à beira do mar. Então Jesus disse: “Pedro, lança a sua rede do lado direito que os peixes estão aqui”. Ele lançou a rede e pescou!

Isso nos mostra que, em Deus, a simplicidade das coisas se realiza. Fazer a vontade d’Ele nos dá prazer, nos dá alegria, devolve ao nosso coração a vontade de estar com o outro, de gastar tempo com a nossa família, de estarmos juntos, conversando e batendo papo. Às vezes, sentamos à mesa para conversar sem celular, sem nada. Porque, quando entra o celular, acaba a conversa. Tem mesa em que você senta para comer e dá vergonha, porque ninguém fala nada. As pessoas estão preocupadas com a tela, a comida esfria, perde o gosto, a pessoa engole e nem sabe o que comeu. Perdeu o sabor, pois tem “sabor de celular”.

Pedro lançou a rede. Na hora em que pescou as coisas de Deus, ele viu o quanto isso se realiza e dá vontade de viver. Tem gente que chega para mim e diz: “Padre, como eu queria morrer”. Vai fazer o que no Céu com essa cara triste? Não vai entrar! O Céu não precisa de tristeza, de gente magoada que só reclama, fala mal e briga. Deus não vai levar você para o Céu para infernizá-lo.

A Verdadeira Misericórdia Exige Mudança de Vida

Às vezes temos que ter cuidado com os excessos que estamos cometendo. Pedro fez tudo pelo próprio esforço e não teve alegria. Mas na hora em que faz a vontade de Deus, tudo muda. A gente vem à Igreja, Deus fala conosco, e muitas vezes a pessoa sai reclamando, com raiva de Deus, porque Ele exigiu que deixássemos de fazer o que não presta.

A pessoa diz: “Nossa, esta palavra é muito dura, o padre está acabando com a gente”. Não, o padre não está acabando, o padre quer te salvar! Às vezes, as pessoas vão ao confessionário e somos duros com elas, mas não é para condenar, é para salvar. É porque a pessoa se acostumou com o pecado, com a vida errada, com a mentira.

A pessoa quer que o padre seja misericordioso e passe a mão na cabeça. Mas o padre não vai compactuar com o pecado. Misericórdia de Deus também corrige! Jesus pegou o chicote no templo e expulsou quem estava profanando a casa de Deus. Salvar o outro é misericórdia, mas passar a mão na cabeça do pecado não é.

Se você quer viver a sua vida e dar certo, faça o que Deus te pede. Você tem os mandamentos, as graças e a lei de Deus para te corrigir, educar e te formar para viver as alegrias do Céu. Fechemos nossos olhos e peçamos essa graça para todos nós no dia de hoje.