O Amor Supera a Razão: Viva a Misericórdia de Deus
Meus queridos irmãos e irmãs, a caridade e o amor superam, em muito, a nossa razão e a nossa lógica humana. Em diversas situações da vida, estaremos certos e teremos o direito de reclamar a razão; contudo, por amor, muitas vezes precisaremos renunciar aos nossos direitos em prol do próximo. Existe algo infinitamente maior do que simplesmente estar certo: a caridade.
Na Primeira Leitura, São Paulo aborda uma questão da comunidade de Corinto sobre o consumo de carnes sacrificadas aos ídolos. Os cristãos maduros sabiam que aqueles ídolos nada significavam e tinham a liberdade consciente de comer. Entretanto, outros irmãos, ainda frágeis na fé, poderiam se escandalizar. Diante disso, Paulo ensina que o conhecimento envaidece, mas o amor constrói. Antes de agirmos guiados apenas pela nossa razão, devemos nos perguntar: “Aquilo que faço vai edificar ou prejudicar o meu irmão?”. Quando o amor pede, a renúncia se torna um ato de caridade.
A Lógica Humana versus a Lógica de Deus
Sob os critérios estritamente humanos, a tendência é agir pela reciprocidade: pagar o mal com o mal ou fazer o bem apenas a quem nos faz o bem. Trata-se da lógica justa aos olhos do mundo, porém limitada.
No Evangelho, Jesus traz uma profunda novidade e nos convida a entrar na lógica de Deus:
“Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam.”
Deus é bondoso inclusive para com os ingratos e maus, chamando-nos a superar os impulsos da nossa natureza. O mal recebido não pode determinar a medida do amor que oferecemos ao outro.
Medir o Próximo com a Medida de Deus
Viver segundo o Evangelho significa recusar que a injustiça alheia limite a nossa capacidade de amar. Podemos ter razão, mas a nossa escolha diária deve ser sempre o amor.
A misericórdia que recebemos de Deus é o fundamento para a nossa conduta. Ele não nos trata segundo as nossas faltas; logo, não devemos medir nossos irmãos pelas falhas deles. A medida do cristão não deve ser estreita ou calculista, mas sim a medida do coração largo e amoroso do Pai.
Nesta Eucaristia, peçamos a graça de abandonar a lógica humana e abraçar plenamente a misericórdia de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!




