A cultura do esquecimento vs. a sabedoria da terceira idade
“Tão somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Dt 4,9).
No corre-corre da vida moderna, corremos o risco de nos esquecer de onde viemos e de quem nos ensinou a rezar. Infelizmente, a cultura do esquecimento já toma grande parte da sociedade, e essa situação põe em grave risco a nossa geração. Um povo que não sabe fazer memória de sua própria história familiar corre o risco de desaparecer. Diante dessa dura realidade, a Igreja se opõe veementemente a isso, principalmente a respeito dos idosos, porque a velhice não é uma decadência, mas um tempo de graça, sabedoria e oração. As lembranças dos avós não são um tesouro escondido; são uma fonte que não para de jorrar na história de cada um de nós.

O impacto das memórias de infância na autoestima
As memórias cultivadas desde a infância trazem impactos positivos na autoestima e na percepção do mundo. Recordar momentos de amor, carinho, alegria, brincadeiras, histórias e conselhos nos ajuda a não desanimar nos momentos de dificuldade e a cultivar a esperança.
Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: “Eu nunca te esquecerei”
O Papa Francisco instituiu, em 2021, o “Dia Mundial dos Avós e dos Idosos”, celebrado anualmente no quarto domingo de julho. Este ano, o tema escolhido pelo Papa Leão XIV é “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15), justamente para que essa mensagem seja de consolação para todos os avós e idosos, principalmente para aqueles que, infelizmente, vivem na solidão ou são esquecidos.
Assim, o objetivo do Papa Leão XIV é chamar a atenção das famílias e das comunidades eclesiais para não se esquecerem dos idosos, reconhecendo que eles são uma presença valiosa e carregam um vasto tesouro de sabedoria de quem experimentou a vida. Eles podem transmitir esse aprendizado, ensinando aos mais novos para que tenham a oportunidade de aprender e saber, através do testemunho dos avós e dos idosos, como fazer escolhas acertadas. E que não se esqueçam de que também chegará o dia em que estarão na mesma posição dos idosos, assim esperamos.
O exemplo de São Joaquim e Santa Ana
A tradição da Igreja sempre honrou santos como São Joaquim e Santa Ana (avós de Jesus), que transmitiram a fé a Virgem Maria. O papel dos avós não é estragar os netos para os pais consertarem, mas ser testemunha e colaborar para que os netos sejam santos.
O papel dos avós e o dever das famílias
Avós, assumam, com coragem e alegria, o seu ministério de transmitir a fé. Seus netos observam suas atitudes e escutam suas palavras. Sejam fontes de bênção e contem os feitos de Deus.
Famílias e jovens, valorizem seus idosos. Visitem-nos, escutem suas histórias de vida e aprendam com a sabedoria que eles acumularam.
Peçamos a intercessão de São Joaquim e Santa Ana para que todas as famílias reencontrem a beleza e a bênção entre as gerações, porque a ordem do Senhor é esta:
“…guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Dt 4, 9).







