Maternidade espiritual: a vocação e a essência da mulher segundo João Paulo II

O mistério e a missão da maternidade

A mulher é portadora de muitos mistérios, de beleza e também de uma imensa capacidade de revelar muito da essência de Deus. Podemos, pois, tocar de forma concreta nessa verdade ao olharmos para a maternidade — uma grande dádiva de Deus. A concepção, o gerar e o trazer ao mundo uma vida expressam, de forma singular e inigualável, uma das faces mais bonitas de uma mulher: a maternidade.

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Por Ana Luiza Sales

Maternidade Espiritual A vocação e a essência da mulher segundo João Paulo II

O chamado à maternidade na visão de São João Paulo II

João Paulo II, em seu pontificado, escreveu uma carta às mulheres e, gentilmente, direcionou seu agradecimento às mães. Antes mesmo de continuar, gostaria de trazê-lo aqui com essa mesma finalidade, agradecer a você que é portadora da vida em suas mais diversas dimensões:

“Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.”

Como o Papa bem escreveu, a mãe é ponto de referência por todo o caminho da vida, uma espécie de bússola para o coração e a alma do homem. Vemos divinamente isso se manifestar quando Jesus realiza o milagre das Bodas de Caná; ali estava aquela que, com a docilidade e, ao mesmo tempo, firmeza maternal, extraiu do seu filho o que o momento lhe pedia, que generosamente ofereceu aos noivos o que tinha de melhor.

Maternidade Biológica vs. Maternidade Espiritual: caminhos de santidade

Toda mulher nasceu com o dom, a capacidade e a força de ser mãe. Seja a maternidade biológica ou espiritual, ambas são, sem nenhuma dúvida, uma grande pedagogia para a mulher, um caminho de doação, serviço e altruísmo. Uma grande escola de santidade pessoal:

“Contudo, ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (I Timóteo 2,15), mas também para conduzir o homem nesse caminho.

A maternidade espiritual

Há mulheres que não geram em seus ventres, mas sim em seus corações, muitas vidas, sustentando e auxiliando muitas almas por meio da maternidade espiritual – uma face importantíssima da maternidade, da qual quero, hoje, levar você a conhecer e até mesmo a se reconhecer com mais atenção.

O olhar materno precisa, antes e acima de tudo, ser um olhar lançado para a eternidade. Os filhos não são propriedades dos pais, mas são de Deus, e precisam ser ensinados a trilhar esse caminho para o céu. Dessa forma, se olharmos para a maternidade espiritual, compreendemos o quão honrosa é essa missão, uma vez que une a maternidade, sem excluir nada do que porta, com a grandeza e a sublime realidade de conduzir almas a Deus.

Encontramos, então, na maternidade espiritual, uma manifestação silenciosa e sutil, mas totalmente eficaz e sólida: o lugar de uma intercessão frequente e escondida.

A missão da mulher e a fecundidade do coração

Escrevo de forma especial a você, mulher, para lembrá-la: há um chamado intrínseco para você que precisa estar vivo e atuante, o chamado à maternidade. Exercê-lo é uma resposta autêntica de amor a Deus e também assumir com propriedade o que se diz da mulher. Toda mulher é chamada à maternidade, independentemente do estado de vida; a mulher é chamada a imprimir no ser humano as impressões do seu ser materno, do cuidado, do zelo e do aconchego.

A maternidade espiritual é uma missão que Deus confia às mulheres, que requer, antes de tudo, uma escuta atenta à sua voz — um lugar onde Deus revela traços do seu amor. Não é algo somente para mulheres que não são mães biológicas, mas para estas de forma especial; exercê-la é uma grande cura para essa realidade, uma vez que existem contextos de infertilidade biológica, mas também situações onde, por um motivo maior, esta se torna uma oferta a Deus. São as mulheres que se consagram inteiramente a Deus em ordens religiosas, novas comunidades e também em uma vida leiga doada a serviço da Igreja — uma escolha nobre e totalmente fecunda.

A doação de si como essência feminina

A essas mulheres, mais uma vez, as palavras de São João Paulo II esclarecem e aquecem o nosso coração:

“A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a «parte» da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher «se encontra por um dom sincero de si mesma». O dom da disponibilidade interior para aceitar e dar ao mundo o filho está ligado à união matrimonial… Todavia, a renúncia a este tipo de maternidade, que pode também comportar um grande sacrifício para o coração da mulher, abre para a experiência de uma maternidade de sentido diverso: a maternidade «segundo o espírito» (cf. Rm 8, 4). A virgindade, de fato, não priva a mulher das suas prerrogativas. A maternidade espiritual reveste-se de múltiplas formas... exprimir-se como solicitude pelos homens, especialmente pelos mais necessitados.”

Mulher, queira, portanto, extrair do seu interior a preciosidade da maternidade que você carrega. Dessa forma, você irá se deparar com uma fonte inesgotável de amor e entrega, capaz de curar seu coração e o daqueles que, através dessa fonte, forem saciados. O ser humano se realiza quando se doa; a maternidade, em sua amplitude, como vimos, não diminui a mulher em nada; muito pelo contrário, a eleva e revela em plenitude sua essência e natureza.