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Fé é o Encontro com Jesus - Padre Sidney Dias (04/07/2026)

Fé é o Encontro com Jesus

Meus queridos irmãos e irmãs. No Evangelho deste sábado, da 13ª semana do Tempo Comum, encontramos uma pergunta importante. Ela foi feita pelos discípulos de João Batista. Eles chegam a Jesus e perguntam: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?”

À primeira vista, parece uma pergunta simples. É uma indagação até mesmo legítima. Afinal, o jejum era uma prática religiosa fundamental. Ele estava profundamente presente na tradição de Israel.

João Batista apresentava aos seus seguidores uma vida austera. Ele também os formava em uma espiritualidade de penitência e conversão. Isso acontecia por causa da espera do Messias.

O perigo do orgulho espiritual nas práticas religiosas

O problema central aqui exposto não está no jejum em si. O erro acontece quando uma prática religiosa deixa de ser um caminho para Deus. Ela se torna apenas uma régua para julgar o próximo.

É exatamente aí que mora o perigo. A espiritualidade perde a sua finalidade essencial. Assim, passamos a olhar os outros de cima para baixo.

Jesus não condena o jejum de forma nenhuma. Pelo contrário, Ele mesmo afirma que os Seus discípulos jejuarão no futuro. Essa é uma prática sagrada que a Igreja nos convida a realizar até hoje.

O jejum é obrigatório em dois dias do ano para os católicos. São eles: a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.

Além disso, a Igreja orienta a prática nas sextas-feiras do ano. Se não for uma solenidade, deve ser dia de abstinência ou de outra prática de devoção. Ou seja, o jejum é algo muito caro e valioso para nós.

Jesus é o Noivo: da obrigação ao amor

Jesus não condena a disciplina. Ele deseja nos ensinar algo profundo. Nenhuma prática religiosa tem valor se estiver desligada de uma relação viva com Ele. Se realizamos um ato de piedade que não nos une ao Nosso Senhor, ele se torna vazio.

O centro da fé cristã não é simplesmente cumprir normas. Não se trata de observar regras ou multiplicar devoções. Passar o dia inteiro rezando sem se unir ao Senhor de nada adianta. O mais urgente é a união da nossa alma com o Criador. O centro da nossa fé é uma Pessoa.

Quando saímos de casa para participar da Santa Missa, não estamos aqui para “cumprir tabela”. Digo isso especialmente para nós, membros da Comunidade Canção Nova. Não viemos à Missa das 7h da manhã apenas por obrigação. O objetivo não é deixar o restante do dia livre.

Viemos nos encontrar com Aquele que é o sentido da nossa vida. Ele é a razão de tudo o que somos. Se a prática religiosa não gerar esse encontro real com Jesus, ela perde o sentido.

Para ilustrar isso, Jesus usa uma imagem belíssima. Ele pergunta se os convidados do casamento podem ficar tristes enquanto o noivo está com eles. Cristo se apresenta como o Noivo. Ele veio unir Deus à humanidade e inaugurar um tempo novo. Ele transforma a religião em comunhão e a obrigação em amor.

A tentação de querer controlar Deus

Existe uma grande tentação na vida espiritual. Nós tentamos transformar Deus em alguém controlável por meio das nossas práticas.

Muitas vezes, pensamos erroneamente: “Eu rezo, eu jejuo, eu cumpro meus deveres, logo, Deus precisa agir como eu espero”. Isso não é fé. É apenas uma tentativa de controle.

Nós não rezamos para mudar a mente de Deus. A verdadeira fé não controla o Senhor, mas se entrega a Ele. Rezamos para que o nosso coração seja transformado. Assim, podemos aceitar que os planos de Deus são infinitamente melhores do que os nossos desejos.

As práticas religiosas são necessárias e preciosas. Entre elas estão a Santa Missa, a Confissão, a Adoração e a caridade. No entanto, tudo precisa nascer de um relacionamento pessoal com Jesus.

O Monsenhor Jonas Abib não gastou a sua vida à toa. Ele insistia na missão de “evangelizar os batizados”. Ele sabia que muitos cristãos cumprem ritos, mas ainda não experimentaram esse encontro pessoal.

Quando a prática perde o vínculo com o Noivo, ela vira um fardo pesado. Isso gera comparações e alimenta o orgulho espiritual. Acabamos pensando que apenas os outros precisam de conversão.

Maria: o modelo perfeito de escuta e entrega

Neste sábado, a Igreja volta o seu olhar para a Virgem Maria. Nossa Senhora viveu perfeitamente essa intimidade com Deus. Ela pautou sua vida na profunda escuta e na entrega total.

Maria não quis controlar os planos divinos. Ela questionou como se daria o mistério, mas permitiu que Deus conduzisse a sua história. Por isso, ela se tornou a “Mulher Nova”. Ela é o “Odre Novo” capaz de receber o vinho novo da salvação.

Lembremo-nos do silêncio do Sábado Santo. Os discípulos estavam dispersos e temerosos. Naquele momento, toda a fé da Igreja se sustentou na fidelidade de uma única mulher. Ela não duvidou da vitória da vida sobre a morte.

Peçamos à Virgem Maria, neste dia, a graça de uma fé sincera. Não podemos viver de aparências, cobranças ou comparações.

Que o nosso jejum nos liberte do egoísmo. Que a nossa oração seja sincera. Por fim, que a participação na Eucaristia renove em nós a alegria de estarmos diante do Noivo. O Cristianismo não é uma cartilha de regras, mas uma vida fundada em Cristo.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.