As Surpresas de Deus no Deserto: Entenda a Pedagogia dos Milagres
Queridos irmãos e irmãs. O Evangelho de hoje mostra dois milagres extraordinários de Jesus. Eles revelam o jeito de Deus agir. Antes de realizar um milagre, Cristo utiliza uma pedagogia. É a pedagogia dos milagres de Cristo. Em tudo o que Jesus fez, sobretudo nos Seus maiores milagres, Ele esperou o fim de todas as possibilidades humanas.
Deus sempre agiu assim. Vemos isso desde o Antigo Testamento e, principalmente, na Encarnação do Verbo. Quando os homens estão de mãos vazias e sem recursos, aí sim Deus entra. Ele age de maneira extraordinária. Deus espera acabarem as nossas possibilidades.
O deserto como o espaço do milagre
Por isso, a primeira leitura traz a profecia com a imagem do deserto. Todos os benefícios de Deus foram precedidos pelo deserto. Ou seja, pelo vazio, pelo nada e pela escuridão.
A partir da Palavra de Deus, entendemos algo importante. Não terá direito às Suas surpresas quem se recusa a entrar no deserto. Quem quer viver só no jardim e nas flores não experimenta a aridez. Quem rejeita o vazio e a miséria não será surpreendido por Ele. Os nossos limites são o espaço privilegiado para as surpresas de Deus. É ali que acontece Sua ação extraordinária.
O Evangelho de hoje é um convite. Devemos nos deixar surpreender por Ele a partir do nosso deserto, do nosso nada e das nossas misérias. Coloque todas as suas expectativas em Deus. Tenha a certeza de que n’Ele não haverá frustração. Não podemos esperar de Deus pela metade. Não tenha uma fé atrofiada ou medo de entregar as suas seguranças humanas.
O simbolismo dos 12 anos e o tempo da espera
Vejam as duas mulheres milagradas no Evangelho de hoje. A hemorroíssa e a menina tinham algo em comum: o número 12. Eram 12 anos de doença para uma e 12 anos de idade para a outra. Na linguagem bíblica, o número 12 simboliza o tempo da espera. É o tempo da demora.
A mulher com fluxo de sangue há 12 anos simboliza o sofrimento. Representa a perda da esperança. Já a morte da menina mostra que a vida não existia mais. Não havia mais espaço nem garantia de sobrevivência.
Mas Deus atua de maneira completa. Ele diminui o sofrimento prolongado da hemorroíssa. Ele também devolve a vida àquela menina. Que fato extraordinário! Deus não faz nada pela metade. Ele abrevia o sofrimento longo e traz a vida de volta. É assim que Ele age: com excelência, maestria e completude.
O grande problema é que não queremos viver os 12 anos da espera. Queremos as coisas no nosso tempo e do nosso jeito. Não aceitamos que o deserto vem antes do milagre. A aridez e a escuridão chegam primeiro. A nossa falta de paciência e de fé nos cega. Isso nos impede de experimentar as surpresas de Deus.
O inesperado é a regra da Providência
Aqui na Canção Nova, o Monsenhor Jonas Abib ensinou uma grande lição. O inesperado é a regra da Providência. Deus vai agir sempre além daquilo que esperamos. Ele age de maneira surpreendente e inesperada. Isso funciona quase como uma regra. Ou seja, é sempre assim.
Faça memória da sua própria história. Veja como Deus já surpreendeu você. Agora e no futuro, a regra permanece a mesma. A Providência se manifesta de forma surpreendente. Quem parou de esperar e de confiar assim deixa de ver milagres.
Daqui a pouco, você vai se levantar do seu lugar. Você não vai apenas tocar na orla do manto de Jesus. Será muito mais do que isso. Você vai recebê-Lo dentro de você. O coração de Cristo e a Sua ação extraordinária passarão a habitar no seu ser.
Comungue nesta Missa com mais fé e expectativa. Assim, você verá o seu deserto florir. Você será profundamente surpreendido por Ele.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!




