O que é o Angelus e qual o seu significado?
Pararmos as nossas atividades por alguns instantes e fazermos memória da humildade do sim que trouxe a salvação ao mundo – esse é o convite ao rezarmos o Angelus. O nome da oração, “Angelus”, faz referência ao Anjo Gabriel, que anunciou o plano de Deus a respeito do Salvador a Virgem Maria. Naquele momento, ela não poderia compreender exatamente tudo o que aconteceria após o seu sim. Mas, porque confiava em Deus, Maria se dispôs a vivenciar as promessas que o Anjo lhe anunciara. Assim, recitar o Angelus tradicionalmente às 6h, às 12h e às 18h é uma oportunidade de nos lembrarmos da bondade de Deus na encarnação do Verbo e confiar cada período do dia a Ele.

A ANUNCIAÇÃO, de Philippe de Champaigne, 1644, pintura francesa, óleo sobre madeira. Pintado para a capela privada da Rainha Ana da Áustria, esposa viúva de Luís XIII. No século XVII, cenas milagrosas eram retratadas com realismo visual. Foto: ProCanva
A origem histórica da oração do Angelus
O costume das 18h e a oração da paz
Pela tradição, acredita-se que a anunciação do Anjo Gabriel a Maria tenha acontecido ao entardecer. Assim, no século XIII, surge o primeiro costume de recitar a oração do Angelus às 18h, junto ao soar dos sinos da igreja. O Angelus era conhecido como “oração da paz” porque, na encarnação, o Filho reata o vínculo da paz entre Deus e o homem. A oração do Angelus era composta das palavras da primeira parte da Ave-Maria, repetidas diversas vezes. A notícia mais antiga do Angelus Domini, na forma que conhecemos, data de 1269, quando São Boaventura prescreveu aos religiosos saudar, ao entardecer, a Mãe de Deus.
O Angelus ao meio-dia e a tradição dos Papas
Já o costume de rezar o Angelus às 12h foi prescrito pelo Papa Calisto III em 1456. A primeira transmissão radiofônica do Angelus às 12h foi realizada cinco séculos depois, em 15 de agosto de 1954. No mesmo ano, Pio XII iniciou a tradição de rezar o Angelus da janela de seu estúdio no Palácio Apostólico. Desde então, é costume dos Papas recitar o Angelus aos domingos e solenidades marianas ao meio-dia.
A santificação do dia às 6h da manhã
A récita do Angelus foi estendida também para as 6h da manhã, com o objetivo de santificar as atividades do dia desde o seu início. Afinal, a melhor notícia que a humanidade já teve foi esta – o Salvador veio ao mundo! Fazer memória deste fato deve nos encher de esperança e ânimo em nosso cotidiano.
Confiança e abandono nos planos de Deus
Deus, em sua sabedoria infinita, nos conduz e nos revela a sua vontade à medida que dizemos sim e nos abandonamos nele. É necessário um caminho de crescimento e amadurecimento para compreendermos o todo. Deus não pula etapas, mas espera a nossa total confiança em cada passo que damos.
“A tua obrigação é confiar totalmente na minha bondade, e a minha é dar-te tudo de que necessitas. Eu mesmo faço-me dependente de tua confiança; se ela for grande, a minha generosidade não terá limites” (Diário 548).
O Senhor nos conduzirá, diversas vezes, dessa maneira. Revelará aos poucos aquilo que vivenciamos e enviará o Santo Espírito para transpormos os nossos medos.
A oração do Angelus nos recorda que somos chamados a, como Maria, ouvir o que o Senhor nos anuncia, dispormo-nos inteiramente a Ele e, pelo Espírito Santo, encarnar a sua vontade em nossas vidas.
Como rezar a Oração do Angelus
(Pode ser rezada em qualquer momento, mas tradicionalmente é recitada às 6h, às 12h e às 18h)
V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E ela concebeu pelo Espírito Santo.
Ave-Maria…
V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Ave-Maria…
V. E o Verbo Divino encarnou.
R. E habitou entre nós.
Ave-Maria…
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos:
Infundi, ó Pai, a vossa graça em nossos corações, para que nós, que conhecemos pela anunciação do Anjo a encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pelo conhecimento de sua Paixão e Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Glória ao Pai… (3 vezes)






