A ligação entre São Miguel Arcanjo e Nossa Senhora
Quando São Francisco fez a Quaresma de São Miguel, ele quis fazê-la também em honra de Nossa Senhora. É significativo que esta Quaresma começa na festa da Assunção de Maria e contém várias festas marianas como a festa da realeza de Maria (22 de agosto), da sua natividade (8 de setembro), do seu santíssimo nome (12 de setembro) e das suas dores (15 de setembro). De fato, há uma ligação estreita entre Nossa Senhora assunta ao céu e São Miguel Arcanjo. Tanto São Miguel, o anjo humilde do oitavo coro angélico, como Maria, a serva humilde do Senhor, foram escolhidos por Deus para conduzir e proteger o povo de Deus no seu caminho rumo ao céu. Por isso, convém que, neste tempo de graça, reflitamos também sobre Nossa Senhora, augusta Rainha do céu e Senhora dos Anjos.
A Mulher coroada de doze estrelas
No capítulo 12 do Apocalipse, lemos:
“Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher revestida do sol; a lua debaixo dos seus pés e na sua cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1-2).
Quem é esta mulher?
A “mulher revestida do sol” é a Mãe do Redentor, a criatura mais santa e bela, a Rainha e Senhora dos Anjos. Que espanto deve ter tomado conta dos anjos perante esta visão do desígnio eterno de Deus. O Filho de Deus “descerá” através dos nove coros dos anjos e “armará a sua tenda” na baixeza da Terra para se tornar Filho do homem de uma humilde filha de Israel, Maria de Nazaré. A ela Deus concederá a plenitude da graça e a elevará acima de todos os coros angélicos.
Maria na provação dos anjos
Cada anjo teve que decidir se estaria disposto a servir a Deus e aos Seus planos e, consequentemente, se aceitaria Maria como sua Rainha e Senhora. Lúcifer, o anjo orgulhoso, estava tão cegado pela sua própria grandeza que, recusando-se a servir, revoltou-se contra Deus, arrastando consigo uma terça parte dos anjos. Do outro lado estavam Miguel e os anjos humildes, que se dispuseram a servir o seu Senhor e Deus, bem como a Rainha do Céu. Estes anjos exultaram quando Deus lhes revelou o “grande sinal da mulher coroada de doze estrelas” (cf. Ap 12,1) mostrando-lhes a santidade e beleza da sua futura Rainha e Senhora. Observa o Beato Pio IX:
“Maria é, por natureza, mais bela, mais rica e mais santa do que os próprios querubins e serafins e todo o exército celeste.”
Rainha dos Anjos: O reinado de Maria
“Grandes coisas se dizem de ti, Virgem Maria, pois hoje foste elevada acima dos coros dos anjos para reinar eternamente com Cristo!” diz o versículo de entrada na festa da Assunção de Maria. Assunta ao céu, ela reina agora e para sempre juntamente com seu Filho, Rei do universo.
O que significa este seu “reinar”?
Enquanto vivia na terra, Maria designou-se a si própria como “serva do Senhor” (Lc 1, 38). De todo o coração, colocou-se ao serviço de Deus e, com isso, também ao serviço dos homens. Como Rainha do céu ao lado do seu Filho, ela continua o seu serviço. Para Maria, ser Rainha significa servir a salvação dos seus filhos. Assim, Santa Teresinha afirma que Maria é mais Mãe do que Rainha, pois uma Rainha reina, uma Mãe serve. Maria, porém, exerce seu reinado servindo. Como Rainha do Céu e da Terra, ela é também Rainha dos Anjos como a saudamos numa antífona mariana:
“Salve, Rainha do Céu, salve, Senhora dos Anjos”.
Os santos anjos, e de modo especial os anjos da guarda, são seus servos e ajudam-na no cumprimento da sua missão maternal em relação à salvação dos homens.
Os Anjos, servos de Maria
Todos os Anjos estão a serviço de Nossa Senhora, Rainha do universo e Mãe dos homens. No entanto, os anjos da guarda participam de forma especial na maternidade de Maria, que é “nossa Mãe na ordem da graça” (Lumen Gentium, 61), assistindo-lhe a conduzir-nos no caminho da salvação e a formar Cristo em nós.
Medianeira de todas as graças, Maria é também a medianeira do serviço dos anjos junto de nós. Ela é, por assim dizer, a “escada do céu” pela qual os anjos “descem” até nós. Santo Efraim (+ 373) diz num hino:
“Salve, Mãe de Deus, alegria dos anjos! Tu és a escada que Jacó viu, que se estende da terra até ao céu e pela qual os anjos sobem e descem!”
É pois pela mediação de Maria que os anjos se aproximam de nós e, como Anjos protetores, estendem o seu amor maternal a nós. Não é a missão de um Anjo da guarda uma tarefa maternal: cuidar do protegido dia e noite com o amor paciente e terno de uma mãe?
Servir a Maria como os anjos
Os Anjos, que já no início da criação, foram introduzidos no mistério de Maria, são os seus primeiros “devotos” e fiéis servidores. Quando honramos os Anjos, honramos também a Maria, a quem eles servem. É o seu ardente desejo de conduzir-nos a Maria, porque eles sabem que o Imaculado Coração de Maria é o caminho que nos conduz a Deus. Assim, a veneração dos anjos (“cum sanctis angelis” = em união com os santos Anjos) e a verdadeira devoção a Maria (“totus tuus” = “sou todo teu, ó Jesus, por meio de Maria”) se complementam. Seguindo o exemplo dos anjos, que, com todo o seu ser, se colocaram ao serviço de Maria, também nós deveríamos entregar-nos à Rainha do Céu com tudo o que somos e temos para, em comunhão com os anjos, servi-la na obra da salvação.
As legiões celestiais a serviço de Maria
“Imaginar como Maria, a nossa Mãe, é incessantemente acompanhada por legiões de anjos – isso é maravilhoso! É um antegozo do Céu!”, afirma São João XXIII. Os anjos formam a guarda de honra de Maria desde que ela foi entronizada como Rainha do Céu. Eles ajudam-na na sua missão maternal de cuidar de nós, seres humanos, e de nos proteger dos ataques do inimigo maligno. Sendo nossa Mãe solícita, ela sabe que estamos sempre em campo de batalha e que necessitamos com urgência do socorro dos anjos. Ela está disposta a enviar as legiões celestiais sob o seu comando para socorrer-nos a nós, seus filhos amados, em todas as nossas necessidades.
A origem da oração “Augusta Rainha do céu”
Em 1864, o Beato Luís Eduardo Cestac (1801–1868) teve uma aparição de Nossa Senhora, que lhe disse que os demônios estavam soltos por todo o mundo. Por isso, tinha chegado a hora de invocá-la como Rainha dos Anjos e de lhe pedir que enviasse legiões de anjos para combater as forças do inferno. “Minha Mãe”, disse o padre, “Vós sois tão bondosa, não poderíeis enviá-los sem que lhes pedíssemos?” – “Não”, respondeu a Santíssima Virgem, “a oração é uma condição requerida por Deus para quem deseja receber graças.” – “Se é assim, minha Mãe, ensina-nos então como devemos rezar?” Em seguida, ensinou-lhe a oração “Augusta Rainha do céu”, uma oração poderosa para combater e derrotar os poderes infernais.
Jesus disse a Pedro: “Não crês que posso invocar o meu Pai e ele me enviaria imediatamente mais que doze legiões de Anjos?” (Mt 26,53). Peçamos, pois, com fé e confiança a Maria, nossa querida Mãe, de enviar-nos as legiões de Anjos que seu Filho colocou à sua disposição:
Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, Vós que desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vos pedimos humildemente: enviai vossas santas legiões, para que elas sob vosso poder e vossas ordens persigam os infernais espíritos combatendo-os por toda a parte, confundam a sua audácia e os precipitem no abismo!
Quem como Deus?! Ó boa e terna Mãe, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança!
Ó Mãe de Deus, enviai os santos Anjos para nos defender e repelir para longe de nós o cruel inimigo!
Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e protegei-nos! Amém.
Sugestões
- Reze todos os dias a oração da “Augusta Rainha” pedindo a Nossa Senhora o envio das legiões celestiais!
- Confie a Maria, Rainda dos Anjos, todas as suas necessidades, bem como as das pessoas que você sabe que precisam urgentemente do auxílio da Mãe celeste e do socorro dos Anjos!
- Peça ao seu Anjo da Guarda de te revelar a grandeza e beleza da Virgem Maria, a mulher revestida do sol, para que você possa crescer no amor e na confiança para com sua Mãe celestial.
- Reze o Terço juntamente com o seu Anjo da Guarda, convidando-o a recitar contigo a primeira parte da “Ave Maria”.





