Como surgiu a Quaresma de São Miguel?
A Quaresma de São Miguel é uma tradição franciscana que remonta a São Francisco de Assis. No ano de 1224, o santo realizou, pela primeira vez, esta Quaresma no Monte Alverne, começando na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora em preparação para a Festa de São Miguel Arcanjo. São Francisco disse:
“Para honra de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria e de São Miguel Arcanjo, príncipe dos Anjos e das almas, quero fazer aqui uma Quaresma.”
No dia 17 de setembro, durante sua Quaresma, enquanto estava em oração, teve a visão de Jesus crucificado que lhe apareceu na figura de um Serafim e marcou-o em seu corpo com os sinais de sua Paixão. Quando chegou a Festa de São Miguel Arcanjo, Francisco desceu do Monte trazendo nos pés, nas mãos e no seu lado as cinco chagas de Jesus.
A diferença entre as duas quaresmas
Seguindo o exemplo do Santo de Assis, de quem comemoramos neste ano os 800 anos de sua morte, muitas pessoas fazem não somente uma Quaresma ao ano, mas duas: uma em preparação para a Páscoa e outra preparando a Festa de São Miguel Arcanjo.
Por que fazer duas Quaresmas?
Qual é a diferença entre as duas?
A Quaresma da Páscoa: renovação do Batismo
O primeiro sacramento que recebemos é o Batismo. Por meio dele, tornamo-nos filhos de Deus. Todos os anos, a Igreja nos convida a fazer a Quaresma em preparação para a Páscoa para voltarmos às raízes da nossa vocação cristã de sermos filhos de Deus e fazermos uma revisão da nossa vida cristã. O tempo da Quaresma inicia-se na Quarta-Feira de Cinzas com a imposição de cinzas, expressando o chamado à conversão, e termina na Vigília Pascal com a renovação das promessas batismais.
Este tempo serve para renovarmos a graça do Batismo e levarmos a sério a nossa vocação batismal de filhos de Deus. De fato, muitos que foram batizados quando crianças já não vivem como filhos de Deus, já não buscam a santidade de vida. Pelo contrário, deixaram-se influenciar e contaminar pelas coisas do mundo. Em vez de levar uma vida no Espírito, voltaram à vida antiga, seguindo os desejos da carne. Disse São Paulo:
“Fomos sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova” (Rm 6,4).
Com efeito, a Quaresma é o tempo de graça que a Mãe Igreja oferece aos seus filhos para renovarem a graça do Batismo e voltarem à busca da santidade.
A Quaresma de São Miguel: renovação da Crisma
O segundo sacramento da iniciação cristã é a Crisma. Este sacramento frequentemente é negligenciado. Muitos católicos o receberam quando jovens, mas não conhecem o seu significado profundo e a sua importância capital para a vida cristã. Na Crisma, recebemos a força do Espírito Santo para vivermos e testemunharmos nossa fé cristã com coragem e entusiasmo. Enquanto pelo Batismo nos tornamos filhos de Deus, pela Crisma tornamo-nos discípulos missionários e soldados de Cristo, que são chamados a defender a fé e a partilhá-la com outros.
A Quaresma de São Miguel começa no dia 15 de agosto, Solenidade da Assunção de Maria, e termina no dia 29 de setembro, na Festa de São Miguel Arcanjo. Esta segunda Quaresma anual é uma oportunidade de renovarmos a graça da Crisma. Ela serve para assumirmos plenamente o nosso compromisso de sermos discípulos missionários. A Solenidade de Nossa Senhora Assunta ao Céu para ser a Rainha dos Anjos, e a Festa de São Miguel, Príncipe da Milícia Celeste, lembram-nos de que, na nossa missão de construir o Reino de Deus, somos sempre ajudados pelos Anjos. É com eles que, sob a chefia da Rainha Celeste e de São Miguel Arcanjo, devemos formar um exército de batalha. A Quaresma de São Miguel serve, pois, para nos unirmos aos exércitos celestes e aprendermos a lutar pelo Reino de Deus, pela salvação dos homens que estão na escravidão de Satanás.
Como viver a Quaresma de São Miguel?
A Quaresma de São Miguel é um tempo de crescimento espiritual, de amadurecimento na fé, na esperança e na caridade, de aprendizado no combate espiritual. Devemos aprender a usar neste tempo, com mais intensidade, as armas espirituais: a oração e o jejum, a adoração eucarística e a meditação da Palavra, atos de caridade e de renúncia a nós mesmos.
Lembremos que a arma mais potente contra o inimigo é a humildade. Foi com o grito de batalha “Quis ut Deus?” (Quem como Deus?) que São Miguel, o Anjo humilde, confiando na força de Deus, venceu Lúcifer, o anjo orgulhoso.
Desta forma, a Quaresma de São Miguel torna-se uma declaração de combate ao maligno, ao qual renunciamos no Batismo para depois, na força da Crisma, difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo para confessar com coragem o nome de Cristo e vencer o combate contra nós mesmos e contra o inimigo na força da Cruz de Cristo. Com o auxílio de Nossa Senhora, aquela que pisa a cabeça da serpente, de São Miguel, o vencedor invicto do dragão, e dos Santos Anjos, nossos poderosos irmãos celestes, aprenderemos a manter-nos firmes no combate contra o adversário de Deus (cf. Ef 6,10-18; Tg 4,7; 1 Pd 5,8-9), repelindo seus ataques com força.
O que é preciso para fazer a Quaresma de São Miguel?
Providencie um altar ou um local com uma imagem ou uma estampa de São Miguel. Acenda uma vela benta, ofereça uma penitência e reze, todos os dias, as seguintes orações próprias da Quaresma de São Miguel.
Reze conosco a Quaresma de São Miguel Arcanjo – 2026









