Meus queridos irmãos e irmãs, hoje celebramos o martírio de São João Batista, o primo de Jesus. Desde o ventre de sua mãe, Santa Isabel, João já era cheio do Espírito Santo, manifestando-se na visita da Virgem Maria. O próprio nascimento de João Batista foi um grande milagre, pois Isabel era idosa e estéril, o que levava os parentes a se questionarem: “O que será deste menino?”.
Sabemos quão bela e decisiva foi a sua missão. Após receber uma forte formação familiar, João foi para o deserto pregar, anunciando: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas”. O povo, os soldados e até os fariseus iam até ele, pois reconheciam nele um verdadeiro homem de Deus, um profeta que preparava corações para a chegada de Jesus.
A Prisão e a Denúncia do Pecado
No Evangelho de hoje, vemos São João Batista preso. Como um autêntico profeta, ele nunca deixou de falar a verdade. O motivo de sua prisão foi a coragem de confrontar o rei Herodes e Herodíades. Herodes vivia uma situação imoral, relacionando-se com a esposa de seu irmão. Visando a salvação de ambos, João Batista denunciava abertamente o pecado: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”.
Em vez de acolher a correção com gratidão e mudar de vida, Herodíades encheu-se de ódio. Quantas vezes nós também não agimos assim? Diante de uma pregação verdadeira, de um aconselhamento ou de uma direção espiritual que nos mostra a luz, corremos o risco de reagir com raiva e resistência, em vez de gratidão. A correção fraterna é uma missão da comunidade cristã.
Pelo nosso batismo, recebemos o múnus de sacerdotes, profetas e reis. Somos chamados a ser profetas na vida de nossos irmãos e, da mesma forma, precisamos de humildade e docilidade para sermos corrigidos. Hoje, infelizmente, a humildade está em falta, dando lugar ao orgulho e à prepotência.
Ouvir a Palavra de Deus e Mudar de Vida
Durante a festa de aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou e agradou ao rei, que já estava embriagado e dominado por suas paixões. Ele prometeu dar a ela o que pedisse. Manipulada pela mãe — uma mulher tóxica e controladora —, a jovem pediu a cabeça de São João Batista.
Herodes, para não passar vergonha diante das autoridades, mandou degolar o profeta. O mais trágico e interessante nessa história é que Herodes gostava de ouvir João Batista. Ele ficava balançado com as palavras do profeta, mas não mudava de vida.
Isso serve de grande alerta para nós. Quantas vezes ouvimos pregações maravilhosas aqui na Canção Nova, nos acampamentos, através da TV, do rádio e da internet? Chegamos a nos emocionar e chorar, mas será que estamos mudando de vida? Deus tem investido muito em nós neste tempo. Ouvir a Palavra de Deus e continuar persistindo no pecado — agora com plena consciência — é um perigo espiritual grave.
O Preço da Verdade
João Batista foi morto porque falou a verdade. Nós também precisamos estar dispostos a pagar o preço pela verdade. É claro que essa verdade deve ser dita sempre com caridade, misericórdia, ternura e paciência; nunca para expor ou humilhar o irmão em público. No entanto, ela precisa ser dita.
Não estamos neste mundo para agradar aos homens, mas para agradar a Deus. Assim como os apóstolos Pedro e João, que disseram aos fariseus “Importa antes obedecer a Deus do que aos homens”, e assim como os mártires da Igreja Católica, devemos ser defensores da verdade.
O nosso Deus é a Verdade. Portanto, rompa definitivamente com a mentira. Não existe “mentirinha” inofensiva; o vício da mentira nos afasta de Deus e nos aproxima de Satanás, que é o pai da mentira.
Seja uma pessoa da verdade. Fale a verdade como São João Batista. Pague o preço, carregue a sua cruz, mas seja um homem ou uma mulher de Deus. Que o Senhor nos ajude e que São João Batista interceda por nós, para que sejamos sempre profetas da verdade, do amor e da salvação de Deus. Amém!




