EVANGELHO DO DIA

Deus te vê debaixo da figueira - Padre Adriano Zandoná (24/08/2026)

Deus te vê debaixo da figueira: O Encontro que Transforma Vidas

Hoje celebramos São Bartolomeu, também conhecido como Natanael. A vida deste apóstolo nos ensina grandes lições, inclusive através de suas falhas. Muitas vezes, assim como ele, nós nos orgulhamos da nossa “sinceridade”, mas esquecemos que a verdade sem caridade e sem humildade não é um remédio, é um veneno.

Quantas vezes dizemos a coisa certa na hora errada e, em vez de ajudar, acabamos atrapalhando? A sinceridade de Natanael estava manchada pela sua falta de compreensão e por seus preconceitos. Antes mesmo de conhecer Jesus, ele já havia definido quem o Senhor não poderia ser. Quando Filipe lhe apresentou Jesus de Nazaré como o Messias, Natanael zombou: “De Nazaré pode sair algo de bom?”

O perigo de colocar Deus em uma “caixinha”

Muitas vezes, agimos exatamente como Natanael. Colocamos Deus na caixinha dos nossos preconceitos e definimos o que Ele não pode fazer. Dizemos a nós mesmos: “Deus não pode me curar porque sou muito pecador”, “Deus não pode salvar minha família”, ou “Deus não pode me libertar desse vício”.

Nós limitamos a ação divina baseados em nosso orgulho e achismo. No entanto, Deus escolhe agir através de quem Ele quer e da maneira que Ele quer. Ninguém esperava que o Messias viesse de Nazaré ou nascesse de uma virgem em uma cidadezinha esquecida. Como nos recorda São Paulo, Deus escolhe o que é fraco para confundir os fortes.

A sua “Nazaré” — aquela sua limitação, a sua dor escondida, aquilo que te humilha e envergonha — pode ser exatamente o lugar onde Deus quer manifestar a glória d’Ele.

“Vem e vê”: A força do encontro pessoal

Diante da resposta preconceituosa de Natanael, o apóstolo Filipe fez algo fantástico. Ele não entrou em uma discussão teológica, não brigou, nem tentou provar que estava certo. Ele simplesmente disse: “Vem e vê”.

O Padre Jonas Abib, fundador da Canção Nova, sempre nos ensinou isso: mais do que usar argumentos e retóricas perfeitas, precisamos levar as pessoas a um encontro pessoal com Jesus Cristo. Explicar demais, às vezes, só esvazia o mistério. Existem momentos em que você não precisa dar uma aula de catecismo; você só precisa levar a pessoa diante do Santíssimo Sacramento, em um lugar santo, e deixar que o Espírito Santo faça a obra.

É o que testemunhamos tantas vezes aqui no Santuário do Pai das Misericórdias e em santuários pelo mundo, como no túmulo de São Padre Pio. Corações endurecidos, pessoas distantes da fé e imersas no ceticismo são transformadas instantaneamente quando se colocam diante do sobrenatural, sem que uma única palavra precise ser dita.

Qual é a sua figueira?

Quando Filipe levou Natanael até Jesus, o milagre aconteceu. O Senhor o surpreendeu ao dizer: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira”.

Não sabemos exatamente o que Natanael estava fazendo ali. A figueira pode representar um momento de fraqueza, um pecado escondido ou até mesmo aquela madrugada em que você acorda chorando, desanimado, sem saber como pagar uma conta ou como superar uma traição. Naquele momento de solidão, onde ninguém te enxergava, Jesus te viu.

Natanael não se sentiu acusado, mas profundamente amado e compreendido. Ele exclamou: “Tu és o Filho de Deus!”

Deixe-se olhar por Jesus

O Papa São João Paulo II dizia que, para ver Jesus, é preciso primeiro deixar-se olhar por Ele. Esse intercâmbio profundo de olhares é o que transforma a nossa vida.

Hoje, Jesus está dizendo a você: “Eu te vi debaixo da figueira. Eu te vi quando você chorou e quando ninguém mais te enxergou.”

Entregue a sua “Nazaré” nas mãos do Senhor. Entregue aquilo que te causa vergonha, os seus medos e as suas quedas. Jesus olha além das nossas imperfeições; Ele enxerga a obra-prima que podemos nos tornar. Ele está te chamando hoje: “Vem e vê”. Faça essa experiência com a misericórdia e deixe o Senhor curar as áreas da sua vida que estão fora de ordem.