evangelho do dia

Misericórdia e Martírio: A Força da Fé - Dom Diamantino Guapo (17/07/26)

O Coração de Deus Sofre com as Nossas Dores

“Quero a misericórdia e não o sacrifício.” O Bispo missionário da Diocese de Tete (Moçambique) acolheu os peregrinos com essa mensagem. Ele nos convida a agradecer a Jesus por essas palavras profundas.

Deus não rejeita o sacrifício. Para Ele, porém, a misericórdia é prioritária. Não existe verdadeiro sacrifício sem compaixão. Tudo o que tem valor exige empenho, renúncia e compromisso. Ainda assim, a misericórdia divina transborda sobre todas as coisas.

Jesus coloca a pessoa humana em primeiro lugar. Ele prioriza o ser humano acima de leis e preceitos formais. Os discípulos foram censurados pelos fariseus no sábado. Eles colhiam espigas de trigo para saciar a fome. Cristo os defendeu prontamente.

Ele recordou o exemplo de Davi. Depois, afirmou com autoridade: o ser humano vale mais do que o sábado. A misericórdia do Pai é superior a qualquer estrutura legalista.

A palavra misericórdia revela o amor do Pai. Deus tem um coração que sofre com a nossa dor. Ele sente nosso sofrimento, misérias e pecados. É o coração de um Pai amoroso. Ele nos reconcilia, encoraja e acolhe de braços abertos, apesar de nossas ingratidões.

O Testemunho dos Mártires: Semente de Novos Cristãos

A reflexão traz um profundo testemunho eclesial. O bispo lembrou a memória litúrgica de Santo Inácio de Azevedo. Esse santo e seus companheiros jesuítas foram martirizados por corsários. Eles viajavam em missão para o Brasil.

O escritor cristão Tertuliano dizia: “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. A Igreja é essencialmente martirial desde a sua origem. O primeiro mártir foi o próprio Jesus Cristo. Ele deu a vida por amor a nós.

Essa realidade de entrega é viva em Moçambique. Recentemente, a Igreja local sofreu uma dolorosa perda. Dom Osório Citora foi barbaramente assassinado em sua residência. Sua atuação firme em defesa da justiça incomodou os inimigos da luz. Quem defende o Evangelho vira alvo, mas o testemunho permanece.

Os Servos de Deus de Chapotera

A Diocese de Tete tem uma rica herança de santidade. O primeiro mártir da África Austral foi o Padre Gonçalo da Silveira. Ele era companheiro de Santo Inácio de Azevedo. Seu martírio ocorreu em 1562, logo após iniciar a evangelização local.

A diocese também testemunhou o sacrifício de outros servos de Deus há 40 anos. São eles: Padre João de Deus Kamtedza e Padre Sílvio Alves Moreira. O primeiro era jesuíta moçambicano. O segundo era um sacerdote português.

Ambos foram mortos em Chapotera, no dia 30 de outubro de 1985. O crime ocorreu em um contexto de perseguição marxista-leninista e guerra civil. Eles defenderam a fé e os direitos humanos. Também denunciaram prisões arbitrárias. Por isso, foram eliminados.

O processo de beatificação começou em 2021 na Missão de Zóbuè. A Canção Nova atua diretamente nessa região. A fase diocesana terminou com êxito em 2023. Atualmente, a causa está na fase romana. A expectativa é grande. Esperamos que a Santa Sé os declare mártires oficialmente em breve.

Eles seriam os primeiros mártires reconhecidos de Moçambique. A Igreja local tem quase 500 anos de evangelização. Ela sempre conviveu com o martírio de padres, irmãs, leigos e catequistas. Contudo, o assassinato de um bispo foi um fato inédito e muito grave.

Canção Nova em Moçambique: Uma Parceria de Frutos

O bispo expressou imensa gratidão à Comunidade Canção Nova. O território da Diocese de Tete é maior do que Portugal. O início do seu episcopado coincidiu com a chegada dos missionários à Missão de Zóbuè.

Essa caminhada conjunta começou em 2020. Na época, o bispo visitou Cachoeira Paulista. Ele assinou o convênio de cooperação ao lado do Monsenhor Jonas Abib. Desde então, a parceria gera frutos e superação. Os missionários levam consolo espiritual ao povo moçambicano.

A presença da Canção Nova é um testemunho fecundo de amor. O bispo louva ao Senhor por essa parceria. Todos somos chamados a cantar um “canto novo”. Devemos proclamar as maravilhas, a alegria e a infinita misericórdia de Deus.