Nesta pregação edificante no Santuário do Pai das Misericórdias, somos convidados a mergulhar em um dos textos mais belos da Bíblia: a carta de São Paulo aos Coríntios sobre o amor. Descubra por que a caridade supera todos os dons espirituais e como as nossas desculpas diárias (o famoso “mimimi”) nos afastam da graça. É tempo de deixarmos de ser como “crianças mimadas” na fé e abrirmos o coração para as visitas de Deus, seja através das alegrias ou das provações.
Transcrição Completa: O Dom Maior é o Amor: Pare de Dar Desculpas a Deus
Meus queridos irmãos e irmãs, a primeira leitura de hoje é um dos trechos mais belos da Palavra de Deus: a Carta de São Paulo aos Coríntios, onde ele fala do amor e da caridade. Fé, esperança e caridade são os dons teologais, as virtudes que Deus nos deu no batismo. E São Paulo nos questiona: entre esses três, qual é o que supera? Qual é o mais importante e fundamental? É a caridade; é o amor.
Paulo nos exorta: “Aspirais aos dons mais elevados”. Então, nós temos que aspirar ao amor. Ele continua dizendo que, mesmo que falasse a língua dos homens e dos anjos — e é tão bonito ver alguém que domina vários idiomas, inclusive a linguagem do Espírito —, se não tivesse caridade, seria como um bronze ou um címbalo que retine. Mesmo que tivesse o dom da profecia ou uma fé capaz de transportar montanhas, sem caridade, de nada adiantaria.
A Supremacia da Caridade sobre os Demais Dons
Aqui já temos uma chamada de atenção. Deus nos dá muitos dons. E eu digo a você: existem dons e talentos aí dentro de você que ainda não foram descobertos. Só precisam ser colocados em atividade. Deus é rico em misericórdia e distribui dons diferentes a cada um, não para benefício próprio, mas para a edificação da comunidade, do Corpo de Cristo que é a Igreja.
Na Renovação Carismática, por exemplo, vemos tantos dons: profecia, pregação, cura, libertação. Deus realiza maravilhas nos nossos dias no mundo inteiro. Mas, cuidado! Como São Paulo alerta, o maior de todos é o dom da caridade. Eu posso ter inúmeros dons, mas se não tiver amor, estou perdendo tempo. Estou correndo à toa.
O Amor Verdadeiro e Prático no Dia a Dia
A caridade que São Paulo nos traz é muito concreta; é a do dia a dia. No final da leitura, ele afirma que a caridade é paciente. E você, tem sido paciente? Não precisa responder em voz alta. Muitas vezes dizemos: “Ah, eu tenho o pavio curto. Qualquer coisa eu estouro e fico furioso”. E quando a pessoa fica furiosa, ela acaba “tratorando” as outras, passando por cima de todo mundo para descontar a própria fúria, justificando que “a paciência tem limite”.
Mas a Palavra diz que, para a pessoa que ama, a paciência não tem limite. A caridade é paciente, é benigna e não é invejosa. Quando vejo meu irmão prosperando espiritual ou materialmente, eu tenho que me alegrar com ele. Não posso desejar o mal ou ficar triste com a vitória do outro. A caridade não é vaidosa, não se ensoberbece, não faz nada de inconveniente e não é interesseira.
A pessoa caridosa não se encoleriza, não guarda rancor nem mágoa. Ela tudo desculpa, tudo perdoa, tudo releva. Por quê? Porque quem ama reconhece os seus próprios pecados e limitações. Tem tolerância com o outro e vive concretamente o amor.
Cuidado com as Falhas de Caridade nos Negócios
Quem é caridoso não prejudica o irmão. E aí precisamos olhar até para a nossa vida financeira. Você tem prejudicado alguém nos seus negócios? Compra e não paga, empresta e não devolve? Combina um valor por um serviço e, na hora de pagar, some ou não atende o telefone?
Isso é pecado contra a caridade e contra o irmão! Toda vez que eu prejudico alguém, estou pecando contra o amor fraterno. Os dois maiores mandamentos são amar a Deus e amar ao próximo. Precisamos fazer um exame de consciência: eu estou me colocando no lugar do outro? Aquilo que não quero que façam de mal comigo, eu não devo fazer com os outros. Como diz São João da Cruz: “No entardecer da nossa vida, seremos julgados pelo amor”. Só entra no céu quem ama.
Jesus e a Geração das “Crianças Mimadas”
No Evangelho de hoje, Jesus dá um “puxão de orelha” na geração de Sua época, que muito se parece com a nossa. Ele pergunta com quem poderia comparar os homens daquela geração e os chama de crianças mimadas e birrentas.
Quando veio João Batista — um homem de austeridade, que vivia no deserto, jejuava e tinha uma pregação forte de conversão —, disseram que ele tinha um demônio. Aquilo não servia. Aí veio Jesus, o Filho de Deus, que comia, bebia e visitava a casa dos pecadores (como Mateus e Zaqueu, que eram cobradores de impostos e corruptos, mas que se converteram ao receberem o Senhor). E o que disseram de Jesus? Que era “um comilão e beberrão, amigo de pecadores”.
Ou seja, trazendo para a linguagem moderna, era puro “mimimi”. Se havia mimimi naquela época, imagine hoje! Eles rejeitaram tanto João Batista quanto Jesus porque tinham corações obstinados. Um coração fechado sempre terá uma desculpa para não aceitar a Deus. Sempre dará uma desculpa para não ser interpelado pela Palavra.
Coração Aberto para as Visitas de Deus
Sabe aquela pessoa que reclama de tudo e de todos? “Não vou à Missa por causa daquele padre. Não vou na outra comunidade porque a Igreja é assim ou assado…”. Na verdade, a pessoa está dando desculpas injustificáveis para não mudar de vida, colocando defeito nos outros para não abrir o próprio coração.
A sabedoria, porém, é justificada por seus filhos. Quem acolheu João Batista e quem acreditou em Jesus teve a vida transformada. Meu irmão e minha irmã, precisamos acolher as visitas de Deus em nossa vida. Muitas vezes Ele não nos visita do jeito que queremos. Escolhemos como queremos a graça, mas Ele sabe o que é melhor para nós. Deus nos visita constantemente, seja nas alegrias das conquistas ou nos sofrimentos que Ele permite para nos converter e mudar nossa mentalidade.
Peça hoje, diante da Eucaristia, um coração sensível à graça e ao toque do Senhor. Pare de dar desculpas! Não seja como a criança birrenta e insensível. Reze comigo:
“Senhor, dá-me um coração atento. Abre os meus olhos, os meus ouvidos e o meu coração para que eu possa crer, acolher a Tua Palavra e ser transformado por ela. Amém.”




