A Autoridade de Jesus e a Força da Sinceridade
Meus amados irmãos e irmãs, nós temos a alegria de nos reunir em torno deste altar para celebrarmos a Santa Missa e, atentos à Palavra de Deus, transformar as realidades que nós vivemos. A liturgia de hoje nos coloca diante de uma das características mais próprias de Jesus: a autoridade da sua palavra.
O Evangelho diz que as pessoas ficavam admiradas quando Jesus ensinava, porque Ele o fazia com autoridade. Mas esta autoridade não vinha simplesmente da beleza do discurso ou das técnicas para convencer os outros. Jesus tinha autoridade porque havia uma profunda unidade entre aquilo que Ele dizia e aquilo que Ele era. Aqui está a verdadeira autoridade de Jesus: a coerência entre a fala e a vida.
O Verdadeiro Testemunho Cristão: Luta e Não Perfeição
Isso também, meus irmãos, nos ajuda a compreender o nosso testemunho como cristãos e aquilo que somos chamados a ser aonde quer que estejamos. Às vezes, pensamos que só podemos falar de Deus quando já conseguirmos viver todo o Evangelho perfeitamente. Mas não é assim.
A autoridade do cristão não vem da perfeição, ela está na sinceridade com que ele procura viver aquilo que anuncia.
O cristão sabe que ainda não está pronto, mas existe dentro dele uma luta sincera. A conversão muitas vezes causa dor, mas é necessária. Veja:
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Uma mãe pode ensinar o filho a rezar, mesmo reconhecendo que ainda precisa crescer na oração.
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Um pai pode falar de perdão dentro de casa, enquanto ele mesmo luta diariamente para perdoar.
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Um jovem pode, sim, testemunhar sobre castidade, fidelidade e vida de oração, mesmo enfrentando as suas próprias batalhas.
O que tira a autoridade do cristão não é a nossa fraqueza. O que tira a nossa autoridade é a duplicidade de vida. É pregar uma coisa e viver outra. É não viver o Evangelho nos corredores, nas sacristias e nos bastidores.
Há uma diferença enorme entre alguém que cai e continua lutando, e alguém que simplesmente constrói uma aparência religiosa. O verdadeiro testemunho não diz: “Olhem como eu sou perfeito”. Desconfie quando escutar isso! O verdadeiro testemunho diz: “Eu também estou a caminho, mas descobri que vale a pena seguir Jesus e colocar a vida em vista deste dom”.
A Verdade que Desmascara e Liberta
Justamente porque a palavra de Jesus é verdadeira, o mal começa a se manifestar. É interessante notar no Evangelho que o mal se manifesta dentro do ambiente religioso, na sinagoga, diante de Jesus, gritando: “Que queres de nós, Jesus Nazareno?”.
É impressionante: aonde a verdade chega, o que está escondido começa a aparecer. Isso acontece conosco. Quando nos aproximamos verdadeiramente de Jesus, começam a aparecer coisas que talvez preferíssemos não enxergar: ressentimentos antigos, vícios, vaidades, feridas, pecados e falsas imagens que construímos de nós mesmos. A presença de Jesus desmascara aquilo que nos escraviza. É por isso que, quando estamos no pecado, fugimos das pessoas que nos lembram o Evangelho.
Mas existe algo muito consolador: Jesus expulsa o demônio e o homem fica livre, sem sofrer dano algum. Aqui está a diferença fundamental: o mal destrói para dominar; Jesus liberta para restaurar. O mal fere e humilha; Jesus cura e corrige sem destruir a dignidade da pessoa.
Não precisamos ter medo quando Jesus começar a tocar nas áreas desorganizadas da nossa vida. Aonde Ele chega, Ele coloca ordem. Talvez Ele nos mostre uma verdade que doa, ou uma decisão que estamos adiando, mas Cristo nunca revela as nossas misérias para nos destruir. Ele as revela para nos libertar.
Um Coração Sincero para uma Obra Nova
A graça que podemos pedir hoje diante da Eucaristia é muito simples. Do fundo do seu coração, peça: “Senhor, que a Tua palavra tenha autoridade na minha vida, sobre os meus pensamentos, escolhas, relacionamentos e sobre aquilo que ainda me escraviza”.
Peçamos que as nossas palavras adquiram cada vez mais autoridade. Não por sermos perfeitos, mas porque existe em nós uma luta sincera.
O saudoso Padre Jonas Abib gostava de dizer: “Eu ainda não sou aquilo que Deus quer que eu seja, mas tenho plena certeza de que já não sou aquilo que eu era antes”. Se o nosso Senhor encontrar dentro de você verdade e sinceridade, a porta já está aberta para Ele fazer uma obra nova.
O mundo talvez não precise tanto de cristãos que pareçam perfeitos. O mundo precisa de cristãos verdadeiros, que deixem Jesus libertá-los todos os dias e, com humildade, possam dizer uns aos outros: “Eu ainda estou no caminho, mas sei em quem coloquei a minha confiança”.
Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.




