EVANGELHO DO DIA

O Verdadeiro Arrependimento - Dom Carlos Lema (17/09/2026)

O Verdadeiro Arrependimento e a Misericórdia de Deus

Nesta celebração em que a Igreja memória São Roberto Belarmino — Doutor da Igreja e insigne mestre do direito canônico —, as Leituras Sagradas nos convidam a refletir sobre a centralidade da nossa fé: a ressurreição de Cristo e a infinita misericórdia de Deus para com os pecadores.

A Presença Viva de Jesus na Eucaristia

Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo nos transmite o núcleo do Evangelho: Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, aparecendo a Pedro, aos Doze e a mais de quinhentas pessoas de uma só vez.

Essa grande notícia traz a nossa esperança definitiva. Jesus morreu por cada um de nós, ressuscitou e continua vivo e presente nos céus e no Sacrário, na Santíssima Eucaristia. A cada Missa celebrada, renovamos de forma incruenta (sem dor) o mesmo sacrifício de Cristo no Calvário. O Cristo que recebemos na hóstia consagrada é o mesmo corpo ressuscitado que reina nos céus.

A Pecadora Arrependida e a Atitude de Simão

No Evangelho, acompanhamos o episódio em que Jesus é convidado para almoçar na casa de um fariseu chamado Simão. De repente, entra uma mulher conhecida na cidade por seus pecados, trazendo um vaso de alabastro com perfume.

Diante do silêncio e da expectativa do ambiente, a atitude daquela mulher gera murmuração:

  • A reação de Simão: O fariseu escandaliza-se em seu coração, julgando a presença da mulher e questionando o próprio Jesus por permitir aquele gesto de carinho.

  • O silêncio da mulher: O Evangelho não registra palavras ditas por ela. Diferente do Filho Pródigo, que retornou impulsionado pela miséria material, o arrependimento dessa mulher brota do desejo sincero de reconhecer a Deus a dívida contraída por suas ofensas.

Apesar de saber que seria mal vista pelas pessoas, o centro de sua atenção estava em Cristo. Jesus não a rejeita, não demonstra repugnância, mas contempla um coração transformado. Como ensina o Senhor, “foram-lhe perdoados muitos pecados, porque ela amou muito”.

Arrependimento Sincero vs. Indiferença

O fariseu, que se considerava justo, falhou nas delicadezas mais básicas de acolhida: não ofereceu água para as pés nem o perfume de boas-vindas. Ele achava que nada devia a Deus.

A mulher, ao contrário, excedeu-se em carinho e generosidade porque reconheceu sua ingratidão e a imensa bondade divina. O pecado reside justamente na indiferença e no enfrentamento com Deus, enquanto a verdadeira contrição reconhece que a graça vem da misericórdia do Pai.

O Caminho de Volta para Deus

A experiência dessa mulher nos recorda que todos nós somos pecadores e precisamos fazer um caminho diário de conversão. O arrependimento não deve ser algo esporádico, mas uma atitude contínua.

O que é o pecado? O pecado é, em primeiro lugar, uma ofensa à bondade de Deus. Quem comete o pecado causa um mal a si mesmo, afastando-se da fonte de toda a vida e paz.

Muitas vezes, ouvimos pessoas dizerem que não precisam da Igreja ou dos mandamentos. Contudo, foi o próprio Jesus quem fundou a Sua Igreja sobre Pedro (hoje representada no Papa) para transmitir a plenitude dos dons da Sua graça. Não devemos preferir um Deus distante e abstrato; devemos acolher o Deus que se faz próximo na Igreja e nos Sacramentos.

O Sacramento da Confissão: Encontro de Alegria

Deus é rico em misericórdia e está sempre de braços abertos à nossa espera no Santuário do Pai das Misericórdias. Por isso, somos convidados a frequentar o Sacramento da Confissão.

A Confissão não é um fardo, mas o Sacramento da Alegria, instituído por Nosso Senhor para devolver a paz e a leveza ao nosso coração. Quando fazemos uma boa confissão, saímos aliviados, restaurados e fortalecidos.

Que Nossa Senhora nos proteja, nos guarde e nos guie sempre nesse caminho de volta para o Pai!