28 DE OUTUBRO

A história do apóstolo das causas impossíveis

Ele é listado como um dos parentes de Jesus, tem a autoria de um dos livros do Novo Testamento, evangelizou os persas e os armênios e é tido como o padroeiro das causas difíceis e desesperadas. Hoje, vamos conhecer a história de São Judas Tadeu, apóstolo do Senhor, celebrado no dia 28 de outubro.

São Judas Tadeu: A história do apóstolo das causas impossíveis

O que sabemos sobre Judas a partir das Sagradas Escrituras?

A diferença entre Judas Tadeu e Judas Iscariotes

A primeira coisa importante a ser falada sobre Judas é distingui-lo de Judas Iscariotes, o traidor de Jesus. Ao olharmos a listagem dos Apóstolos chamados por Jesus, no Evangelho de Mateus, capítulo 10, e no Evangelho de Marcos, capítulo 3, encontramos o nome “Tadeu”. No Evangelho de Lucas, capítulo 6, e nos Atos dos Apóstolos, capítulo 1, é tratado como “Judas, filho de Tiago”.

Segundo a Tradição, Judas Tadeu é irmão de Tiago, o Menor. Ambos, portanto, são filhos de Alfeu (ou Cléofas), tradicionalmente reconhecido como irmão de São José, e de Maria de Cléofas, prima ou irmã da Virgem Maria, como é narrado no Evangelho de João. Estes dados colocam Judas Tadeu em um parentesco muito próximo a Jesus Cristo. Deste parentesco, surge a passagem em que se nomeiam os “irmãos de Jesus”: Tiago, José, Simão e Judas. Vê-se que se trata de primos, parentes muito próximos de Jesus, nos quais se incluíam os Apóstolos Tiago, o Menor, e Judas Tadeu.

O diálogo de São Judas com Jesus na Última Ceia

Além das passagens bíblicas do chamado dos Apóstolos e das menções aos irmãos de Jesus, a única outra menção ao Apóstolo Judas Tadeu é no Evangelho de São João, capítulo 14, durante a Última Ceia: Jesus está fazendo o seu discurso de despedida, enfatizando o mandamento do amor, a observância de seus mandamentos e prometendo o envio do Paráclito:

“Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei. Se me amais, observareis os meus mandamentos. […] Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe: ‘Senhor, como se explica que tu te manifestarás a nós e não ao mundo?’ Jesus respondeu-lhe: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.’” (Jo 14,12-15.18-23)

Se olharmos bem para o discurso de Jesus e a interpelação feita por Judas, temos uma grande riqueza e uma lição para nós: Jesus está dizendo que acolher e observar, ou seja, obedecer aos mandamentos de Jesus é amar-Lhe — “Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama”.

A pergunta feita por Judas o coloca na condição daqueles que acolhem e observam os mandamentos e, consequentemente, amam a Jesus: “Como se explica que tu te manifestarás a nós e não ao mundo?”. Jesus está dizendo que se manifesta àqueles que o amam; Judas está certo de que Jesus se manifestará a eles.

O que esse diálogo nos ensina?

A vida de Judas, a sua relação com Jesus, a sua entrega, a sua resposta não é outra coisa senão amar a Jesus! A primazia de sua vida, sua primeira busca, a sua meta era amar a Jesus, e isso o colocava na condição de ver e experimentar a manifestação de Jesus!

A Carta de São Judas no Novo Testamento

Um dos textos bíblicos tem sua autoria atribuída a São Judas. Inserida no grupo das cartas católicas, não indica um destinatário específico e, por isso, parece ser destinada a todos os cristãos de seu tempo. Foi escrita por volta do ano 65, provavelmente após a morte do Apóstolo Pedro. A carta traz como temática principal a advertência contra as imoralidades, os falsos mestres e as heresias do período. É um texto curto, com 25 versículos.

Anunciar até dar a vida por amor!

Judas também estava presente com os Apóstolos e a Virgem Maria nos nove dias que antecederam Pentecostes. À semelhança dos outros Apóstolos, ele tomou para si a missão de evangelizar, de anunciar Jesus Cristo aos povos e nações.

Seu percurso missionário abrangeu a Síria, a Armênia e a Antiga Pérsia. Teve como companheiro de missão outro Apóstolo: Simão, o Zelota (também celebrado no dia 28 de outubro, mas falaremos dele em outro momento). Juntos, os dois Apóstolos pregaram o Evangelho entre os persas. Foi martirizado no ano 70, por meio de golpes de machado e lança. Posteriormente, suas relíquias foram transferidas para a Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Por que São Judas Tadeu é o padroeiro das causas impossíveis?

Um grande impulso para a devoção a São Judas Tadeu ocorreu por meio de Santa Brígida da Suécia, em uma revelação. O próprio Jesus apareceu à santa recomendando que recorresse a São Judas em meio às causas urgentes.

A lição e a devoção a São Judas Tadeu para os dias de hoje

São Judas Tadeu nos ensina pelo seu testemunho: quando ele pergunta a Jesus por que a manifestação de Cristo seria apenas para eles, ele mesmo reconhece a sua entrega e decisão em fazer a vontade de Deus, em buscar a sua vontade e em observar os seus mandamentos.

Sua vida, sua missão e sua entrega nos mostram que sua fala não era vazia, mas, verdadeiramente, amar a Deus foi a prioridade de sua vida!

Que o testemunho de São Judas Tadeu nos leve a assumir como primazia da nossa vida o amor a Deus e que este santo rogue também por todas as nossas causas.

São Judas Tadeu, rogai por nós!