PRIMAVERA

Setembro, o Ipê amarelo e o nosso tempo de florescer em Deus

O Ipê amarelo e a memória do inverno vencido

Setembro chega e, com ele, a primavera vai acordando a paisagem: as flores tomam conta de cada canto, e para nós, que vivemos próximos às montanhas, o sinal mais bonito são os ipês amarelos, incendiando de ouro tudo ao redor. Mas essa árvore que hoje floresce passou o inverno em silêncio, suportando o frio, as dores e o medo constante de perder tudo o que havia construído. Por isso sua flor não é apenas cor: é a prova viva, erguida sobre a paisagem, de que o tempo difícil foi vencido — o amarelo que se destaca é a memória do inverno transformada em anúncio.

Florescer e dar frutos: a promessa da primavera

Porém, isso é apenas parte do processo, como ensinam as outras plantas que florescem nessa mesma estação — sobretudo as frutíferas, cuja beleza aponta para além de si mesmas. O florescer mostra que a esperança de sobreviver ao inverno foi alcançada, mas a primavera não é o fim: é preciso dar fruto. A flor é a promessa, o penhor dos frutos que ainda serão gerados mais adiante.

Setembro, o Ipê amarelo e o nosso tempo de florescer em Deus

A esperança fundamentada n’Aquele que criou as estações

Na natureza, as estações seguem seu calendário fixo, mas a vida não cumpre prazos: há invernos que se arrastam muito além dos três meses marcados, dores e perdas que não encontram primavera florida na data prevista, medos do futuro que parecem adiar o florescer sem aviso. O ipê floresce porque chegou o seu tempo; nós, tantas vezes, atravessamos um inverno que já ultrapassou o seu.

E é precisamente aí que se revela o essencial: não acreditar na estação, mas n’Aquele que a criou. Se Ele ressuscitou dos mortos, também pode ressuscitar o que em nós parece morto — pode fazer com que até o inverno que nos custou as dores mais profundas irrompa numa explosão de vida e de salvação.

É preciso viver um tempo sendo revolvido pela Palavra, um tempo sendo umedecido pela água do Espírito Santo, um tempo sendo aquecido pelo sol, que é Cristo na Eucaristia — para que, no tempo de Deus e segundo a Sua vontade, possamos não apenas florescer, mas florescer e dar frutos, frutos que ajudem a levar almas para Deus.

Como preparar o solo do coração para o novo tempo

E você, como tem se preparado para viver esse novo florescer? Como tem sido sua vida de estudo da Palavra, sua vida sacramental, sua adoração, suas devoções como o Rosário? O quanto o solo do seu coração tem sido preparado para que brotem ali a pureza, o amor e a entrega por Deus?

Nossa vida não é apenas preparar, florescer e dar frutos em sequência: essas estações acontecem, muitas vezes, de maneira simultânea — enquanto em alguma área vivemos um forte verão, em outra podemos estar vivendo uma intensa primavera. O importante é que o sol, que não tem ocaso, nosso Senhor Jesus Cristo, esteja sempre iluminando e guiando todos os momentos. E mesmo quando o frio do inverno — das dores, da morte, da descrença — toca nosso coração, nós, com os olhos fixos em Deus, saibamos que o sol há de brilhar de novo, e que a ressurreição, tantas vezes simbolizada pelo novo florescer, vai aparecer em nossa vida.

E, como o profeta, possamos dizer com fé:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na videira; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam alimento; ainda que o rebanho desapareça do aprisco e não haja gado nos currais, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Hab 3,17-18).

Que o Senhor seja sempre a luz a guiá-lo e que a Esperança na vida eterna seja sempre a sua primavera.

De seu irmão,