MÊS VOCACIONAL

A vocação do catequista: Muito mais que uma tarefa, um chamado de Deus

A origem da vocação do catequista e a missão do Batismo

O mês de agosto no Brasil é dedicado às vocações. A cada final de semana, a Igreja faz questão de celebrar uma vocação, e o último final de semana é dedicado aos catequistas. Como se trata de uma vocação, ela é fruto de um vocare (chamado) que Deus faz a alguém que possui o necessário para realizá-la.

Quando [esse chamado] é vivido como vocação, deixa marcas. Eu ainda me recordo das minhas primeiras catequistas, sobretudo da Maria do Carmo, que, a partir da fé que possuía e com seu jeito doce de ser, ensinou-me que Deus era um amigo e que eu podia confiar n’Ele.

Sei que todos evangelizamos, mas gostaria de deixar claro que não estou falando da missão que todos nós, batizados, temos que exercer — missão que recebemos no dia do nosso batismo. Como batizados, temos o tríplice múnus (serviço): sacerdote, profeta e rei.

Todos nós temos que evangelizar, falar do Evangelho, dar testemunho do Senhor Jesus com nossa vida, transmitir a fé católica que um dia recebemos. Portanto, existe uma missão comum a todos nós, cristãos batizados, que se assemelha à vocação do catequista. Mas quero abordar essa missão tão singular e essencial na Igreja, fruto de um chamado específico: o catequista.

A vocação do catequista: Muito mais que uma tarefa, um chamado de Deus

Foto: CanvaPro

O papel do catequista na história da Igreja Católica

A Igreja sempre contou com essa vocação em sua história. A catequese sempre foi uma parte essencial da preparação para o batismo, sobretudo para os adultos. Os catequistas eram responsáveis pela formação dos catecúmenos. É importante destacar que a formação não se resumia (e não se resume, mesmo nos dias atuais) a uma questão intelectual, pois o objetivo maior da catequese e, portanto, a missão do catequista, era e é a transformação de vida dos novos cristãos, a busca pela santidade. Por isso, nos primeiros séculos, a catequese era rigorosa e extensa, visto que a conversão ao cristianismo exigia um rompimento profundo com a vida pagã ou qualquer tipo de sincretismo religioso. Os catequistas acompanhavam os novos crentes num caminho de mudança pessoal e de conversão; eram verdadeiros mistagogos.

O que diz o Magistério e os papas sobre ser catequista

Papa Leão XIV, ao falar aos catequistas por ocasião do ano Jubilar da Esperança, declarou:

“A este respeito, vós, catequistas, sois aqueles discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas: o nome do ministério que exerceis vem do verbo grego katēchein, que significa ‘instruir de viva voz’, ‘fazer ressoar’. Isso quer dizer que o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida. O papel dos catequistas na Igreja Católica é fundamental na educação e na formação da comunidade cristã, pois são agentes da transmissão da fé” (Jubileu dos Catequistas – Praça de São Pedro, XXVI Domingo do Tempo Comum, 28 de setembro de 2025).

O ensinamento do Catecismo da Igreja Católica (CIC)

O Catecismo da Igreja Católica, ao falar sobre o caminho da oração, destaca este importante papel do catequista:

Na tradição viva da oração, cada Igreja propõe aos seus fiéis, segundo o contexto histórico, social e cultural, a linguagem da sua oração: palavras, melodias, gestos e iconografia. Compete ao Magistério ajuizar sobre a fidelidade destes caminhos de oração à Tradição da fé apostólica. E aos pastores e catequistas incumbe a tarefa de explicar o seu sentido, sempre com referência a Jesus Cristo. (CIC 2663)

A Igreja sempre entendeu o papel do catequista como uma vocação, uma missão, e não como um trabalho. O Papa Francisco declarou:

“Ser catequistas! Não trabalhar como catequista: isso não adianta! Trabalho como catequista porque gosto de ensinar. Se, porém, tu não és catequista, não adianta! Não serás fecundo, não serás fecunda! Catequista é uma vocação... Ser catequista, esta é a vocação, não trabalhar como catequista. Atenção que eu não disse fazer o catequista, mas sê-lo, porque compromete a vida: guia-se para o encontro com Cristo através das palavras e da vida, através do testemunho.” (Mensagem de Vídeo do Papa Francisco aos participantes no simpósio internacional sobre ‘o catequista, testemunha do mistério’, 22/09/2018).

Ser catequista vs. trabalhar como catequista

Portanto, ser catequista não é executar apenas uma tarefa ou um trabalho; ser catequista é uma verdadeira vocação que exige compromisso, dedicação e amor a Deus e ao próximo. Ser catequista é muito mais do que ensinar o que se encontra em livros ou materiais midiáticos com conteúdos religiosos, ou preparar para receber um sacramento e fazer a primeira comunhão.

Ser catequista é responder a um chamado que vem do coração de Deus e ecoa no coração do homem. É colocar-se a serviço do Reino dos Céus, comprometendo-se com a evangelização, a formação e o acompanhamento da fé. Pois o catequista é o servo que visa transformar os corações e a vida das pessoas. É aquele que entende que sua missão só será realizada com eficácia se ele for íntimo de Cristo e fiel à Doutrina da Igreja.

Deus abençoe!