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Por Almir Rivas
O compromisso de tornar-se a pessoa que desejamos ser
A maioria de nós tem como desejo ser alguém muito melhor do que somos atualmente, seja como pai, mãe, filho, profissional, consagrado, padre ou qualquer outra coisa. Mas essa busca por aprimoramento exige percorrer um caminho: sair de um determinado ponto e ir até outro, como um veículo que se desloca de uma cidade para outra. Porém, para que nos desloquemos, precisaremos ter clareza do nosso destino final e também saber que será uma jornada pelo desconhecido, visto que nossa meta se encontra fora dos nossos limites e fronteiras. Jamais seremos os mesmos depois de percorrer esse trajeto, pois, a cada passo, ocorrerão transformações.
A ilusão do hedonismo e a busca pela verdadeira felicidade
Mas o que esse desejo esconde? Em última análise, o anseio por ser feliz, que, para a grande maioria dos seres humanos mergulhados no hedonismo, significa alcançar um prazer constante e interminável, preferencialmente com a intensidade sempre em sua potência máxima — o que constitui um mero engano. Qualquer sensação, por melhor e mais duradoura que seja nesta vida, é finita e, por simples observação, extinguir-se-á no poente da existência.
Mas se, para a maioria de nós, ser feliz é ter prazer, e isso é efêmero, de que vale investir uma vida toda em ser melhor para ser feliz e tudo se encerrar no último respiro? Os sacrifícios, as renúncias, as privações, tudo ficaria como castelos de areia que estão sujeitos a serem destruídos no serpentear da menor onda; tornar-se-ia areia como todo o resto da praia: tempo perdido, esforço vazio, cinza ao vento, tudo encerrado com um simples fechar de olhos. Ora, utilizando um raciocínio de um infante, veríamos que não faz sentido tornar-se quem desejamos ser, mesmo que melhores, se isso ficar margeado pelo nascimento e pela morte; será apenas vaidade, tudo passa.
O propósito da nossa criação: fomos feitos para a santidade
É inevitável buscarmos outros ventos e correntes que nos levem para além de nosso nascimento e morte; necessário é buscar o auxílio de nossa mãe, a Santa Igreja, a fim de que nos diga o propósito de nossa criação. Descobrimos, então, que fomos criados para participar da vida bem-aventurada de Deus, ou seja, para vê-Lo face a face: para sermos santos.
Agora, certos de que devemos ser santos, resta-nos voltar ao início de nosso raciocínio e, cientes de nossa meta, lutarmos para alcançá-la, buscando as ferramentas adequadas e concentrando todos os esforços necessários para nos tornarmos a pessoa que desejamos ser. Seremos santos ou não seremos nada; se a pessoa que desejamos ser não for santa, não seremos nada. Seremos simplesmente, como já citado, cinzas ao vento, esforço vazio, vida estéril.
Mas de onde partiremos para chegarmos ao cume de nossa existência? Inevitavelmente, partiremos do solo ou daquilo que em nós está mais perto da terra; partiremos de nossa animalidade. E, cientes de nossos instintos, de nosso desejo de fugir da dor e buscar o prazer, é que iniciaremos nossa caminhada, certos de que o caminho de santidade se faz com os pés bem plantados no chão, reconhecendo nossos desejos desordenados e nossas limitações — como o passarinho que anseia voar acima das nuvens, mas sabe que mal consegue sobreviver a um pequeno redemoinho e é atirado de novo para o chão. Porém, o desejo pelo alto, aspirar às coisas do alto, é o primeiro impulso, não suficiente, mas necessário para iniciar esta jornada.
As duas faculdades da alma: inteligência e vontade
Criados à imagem e semelhança de Deus, não somos simplesmente animais; somos dotados de duas faculdades, inteligência e vontade, que nos capacitam a conhecer o bem e a escolhê-lo. Impulsionados pelo desejo de voar muito além das nuvens, são essas duas faculdades que nos ajudam a alçar voo e a sobreviver aos pequenos redemoinhos.
O combate contra o pecado e as contrariedades voluntárias
Mas, mal retiramos os pés do chão e começamos a sentir o frescor dos ventos de altitude, somos atraídos pelos artífices do húmus: os pesados vermes do pecado nos trazem abruptamente ao solo. Descobrimos, então, que não nos basta simplesmente ter inteligência e vontade; é preciso exercitá-las. Para tal, precisamos crescer em sabedoria, amando e adorando a própria Sabedoria Encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo, e exercitando a vontade a partir de pequenos sacrifícios cotidianos e de pequenas contrariedades voluntárias.
O papel da Graça Divina na nossa jornada
Cientes disso, recomeçamos a jornada rumo ao céu, ao caminho de ver Deus face a face. Conseguimos alcançar as proximidades das nuvens, mas seremos atraídos novamente ao solo. Decepcionados ao nos vermos outra vez tão perto de retornar ao pó, perceberemos que nossas pequenas asas têm limitações; aprenderemos, então, a nos colocar nos braços do Senhor, como uma criança que implora pelo amparo de seu pai e recebe a GRAÇA de poder, carregada por Ele, vê-Lo face a face.
Conclusão: O “sim” de cada dia para conquistar o domínio próprio
É isso, meus irmãos: tornar-se a pessoa que desejamos ser implica tornar-se a pessoa que Deus quer que sejamos; ter este compromisso implica ouvir o Seu chamado todos os dias e responder “sim” com a vida; e conquistar o domínio próprio consiste, a partir de pequenas contrariedades e da fidelidade no pouco, mediante a Sua graça, em contemplarmos, um dia, o Senhor face a face.
Adore ao Senhor para descobrir o que Ele sonhou para você, mortifique-se para conquistar o domínio próprio e aumentar a sua vontade, e conte com a Graça para lhe fazer voar até o céu.
Que Deus nos permita responder o sim de cada dia.








