SÃO LUÍS GONZAGA

Ser seminarista hoje: os desafios reais da vocação sacerdotal

O que é o seminário e o papel da formação

Claro, todo padre, ao menos em um caminho ordinário, já foi seminarista, ou seja, frequentou o seminário para chegar ao sacerdócio ministerial. A palavra “seminarista” tem sua origem na palavra “seminário”, da etimologia do latim seminarium, derivado de semen, seminis, que significa semente, viveiro de plantas (fonte: www.dicio.com.br/seminario). Dentro do contexto eclesial, o seminário é o local, a casa, onde se formam os seminaristas tendo em vista o sacerdócio.

Sim, parece óbvio, mas ninguém “nasce padre”. O padre é um homem que respondeu a um chamado, respondeu ao chamado e busca corresponder ao chamado de servir a Deus. O padre, antes de receber o sacramento da ordem, vive um tempo de preparação; é acolhido em uma casa de formação e, como uma planta, o candidato precisa ser cuidado, receber as formações filosóficas e teológicas, mas não somente isso: o seminarista é formado na vivência espiritual, humana e comunitária.

Ser seminarista hoje: Os desafios reais da vocação sacerdotal

O desafio da renúncia no mundo moderno

E onde está o desafio ou quais são os desafios que os seminaristas enfrentam? Afinal, eles recebem tantas formações, são assistidos em suas necessidades básicas e até além dessas, pois o povo de Deus os quer bem e cuida bem deles; que desafios teriam?

Bom, para todo seminarista — claro que também em outros chamados — existem muitos desafios. Apresento alguns, como o de “deixar” a própria vontade, renunciar a bens até lícitos para corresponder à vontade de Deus.

“Deixar/renunciar”: Jesus ensinou que, para ser seu discípulo, era necessário “renunciar” a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt 16,24; Lc 9,23). O desafio do “deixar” não é tão simples. Imaginemos — ou, melhor, olhemos — para o mundo: há tantas opções para um jovem se realizar. “Há tantos caminhos” para a felicidade e realização, inclusive saudáveis e lícitos. Quantas ofertas de carreiras, ganhos financeiros, prazeres… quantas luzes brilham para nossos jovens. Volto a dizer: coisas até boas, por isso o seminarista tem como desafio “deixar” tantas e tantas ofertas para ser uma oferta, entregar sua vida a Deus.

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Amigo do tempo: a paciência na formação

Na “entrega” à vontade de Deus está mais um “deixar”. Vamos falar a verdade: quem, neste mundo, verdadeiramente, pensa que sua vida pode ser um dom para Deus e para o próximo? O seminarista precisa “deixar a pressa”, pois, com muita paciência — por isso o tempo de espera é de 7 a 12 anos, dependendo da diocese ou instituto em que está inserido —, a “semente” cresce com as formações. O candidato cresce com o tempo, com as renúncias, o candidato “faz as contas” (Lc 14,28) para ver se dá conta de viver uma vida doada a Deus e ao próximo. Assim, o seminarista precisa ser amigo do tempo, precisa entender que não é demorado, mas um tempo de investimento, um tempo de receber “água, sol, adubo…” noite e dia para crescer e, futuramente, dar frutos.

Seminarista: Desapego em um mundo do “ter”

No mundo em que vivemos, do ter, do possuir, do acumular…, o vocacionado à vida sacerdotal necessita “deixar” a própria vontade para viver um profundo desapego, caso contrário, não dará conta da vida comunitária. Faz parte da formação ter poucas coisas, o que tem que não seja apegado, e o seminário ajuda nesse desapego; o ambiente do seminário é formativo, geralmente. Ali, o candidato aprende e cresce na partilha, em dar e oferecer.

Redes sociais e evangelização: usar ou ser usado?

Um último desafio que percebo está ligado ao que foi partilhado: o desafio do uso adequado das redes sociais, utilizar e promover a Cristo e renunciar à autopromoção. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, há um campo enorme de evangelização a ser desbravado, porém, o cuidado deve ser em usar e não ser usado. Pensar sempre na motivação da postagem: “é para exaltar a Cristo?”, “é para ter seguidores ou para fazer seguidores de Jesus?”. Os seminaristas (e todos nós) devem vigiar para que as redes não os prendam, mas que as redes sejam ferramentas para chegar aos corações e não ao egoísmo.

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A alegria do chamado

Enfim, ser seminarista hoje é tão desafiante quanto apaixonante. Sim, toda renúncia traz também recompensas; Jesus prometeu dar o cêntuplo, claro, com provações e a vida eterna (Mc 10,28-30). Quem sinceramente se decide por Cristo através das mais diversas renúncias por amor a Jesus e à sua Igreja experimenta o imenso amor do Pai. Quem vive as renúncias imitando o Cristo experimenta uma alegria, uma satisfação e uma liberdade interior que nenhum bem, que nenhuma pessoa humana é capaz de oferecer.

Família, nossas orações pelas vocações sacerdotais. Ao comemorarmos São Luiz Gonzaga, padroeiro da juventude e dos seminaristas, que este santo continue a interceder para que, na Igreja, tenhamos sempre corações generosos, desapegados e profundamente apaixonados pelo Senhor e pela salvação das almas.