Festa da Transfiguração do Senhor

Festa da Transfiguração do Senhor

Glória, compromisso e coragem

Partilha da Palavra: Dn 7,9-10.13-14; Sl 96; Mt 17,1-9;

A leitura do profeta Daniel foi uma prefiguração da Transfiguração do Senhor, em sua visão não devemos nos ater ao esplendor, à sua magnificência, ao espetáculo, que, claro, tem a sua importância, mas os sinais indicam algo mais profundo. A visão falava de um ancião vestido de branco, cabelos claros, que representa o próprio Deus; e as características do ancião indicam a maturidade; as vestes brancas, a pureza; e os cabelos brancos, a experiência, ou seja, Deus é Deus, é evidente que o Senhor tem essas e outras qualidades. Então, a visão revela o Único, o Verdadeiro, o Soberano Deus, assim devemos reconhecê-Lo.

O trono em labaredas de fogo indicam o poder, poder de julgar, poder de purificar, depois, a Daniel viu alguém semelhante ao “filho do homem”, essa expressão indica o Messias, o Enviado do Pai, pois é o “filho do homem” está ao lado do ancião. Então, temos Deus Pai e o Filho Jesus; e ao Filho foi concedida soberania, glória e realeza, e as nações haveriam de servi-Lo. O poder do Filho é eterno e não terá fim, narrou o profeta.

O Filho de Deus, Jesus, de fato, foi enviado à humanidade, veio com poder, ensinou, fez milagres, perdoou, chamou discípulos, formou e enviou os seus para que fossem seus continuadores. Na leitura da festa da Transfiguração, vemos que Jesus chamou Pedro, Tiago e João para o monte, Ele quis revelar um pouco da sua glória a esses três discípulos, para que depois testemunhassem aos outros e a nós.

Subir ao monte e orar significam, simplesmente, já viver um pouco do céu. 

Diante de tantos ensinamentos que a Transfiguração nos revela, vamos guardar e meditar alguns: subir ao monte, escutar o Pai e não ter medo.

“Subir ao monte”: esse é o convite de Jesus, subir ao monte significa deixar as coisas rasteiras deste mundo, deixar o supérfluo, deixar o que é passageiro, subir ao monte significa ainda, buscar o essencial que é estar com Deus, buscar intimidade com Ele. Subir ao monte significa se desligar das coisas do mundo e se ligar às coisas do alto. Subir ao monte e orar significam, simplesmente, já viver um pouco do céu. Por isso, Pedro queria fazer três tendas, porque era bom estar ali.

Mas não basta subir ao monte e fazer uma experiência de céu, é preciso se comprometer com Deus. Deus não apenas nos concede momentos prazerosos em sua presença, mas pede a nós compromisso de escutá-Lo. Enquanto os discípulos contemplavam a glória do Senhor, uma nuvem os encobriu, e o Pai falou que eles deveriam escutar o Seu Filho amado. Cada carinho de Deus, cada graça do Pai deve nos levar ao compromisso de viver a sua Palavra, de viver a Palavra de Jesus. Não nos esqueçamos de contemplar a glória e nos comprometermos com uma vida de santidade.

Bom, contemplar a glória, compromisso com o Pai e não ter medo. Quantas vezes temos medo? Várias vezes, não é? O medo é natural, é até bom que tenhamos alguns medos, mas não podemos parar diante deles. Quando o medo é bom? O medo de morrer é bom quando nos alerta que devemos cuidar da saúde física e espiritual. O medo de ser atropelado nos faz ter cuidado ao atravessar a rua; o medo é bom quando nos recorda das nossas fragilidades e limitações, por isso, damos passos de cuidar, estudar, zelar por nós e pelos outros.

E quando o medo é ruim? Quando nos trava, quando vemos algo errado e, por medo, não corrigimos, quando temos a oportunidade de fazer o bem e o medo nos faz recuar. Os discípulos tiveram medo, os santos tiveram medo, você e eu teremos medos, porém, os medos não podem nos travar, e como vencer os maus medos? Voltar a escutar as palavras de Jesus: “Não tenhais medo”. Só isso? Não, além de deixar essas palavras ressoarem aos ouvidos do coração, também é necessário dar passos. Ainda que tremamos vamos caminhar, vamos buscar agradar a Deus. Se o adulto não desse passos quando criança, não teria aprendido a andar. Se nós não dermos passos na fé, não teremos maturidade espiritual.

Por fim, a Festa da Transfiguração nos revela que devemos contemplar a Sua glória, ouvi-Lo e caminhar com coragem. Que o Pai das Misericórdias nos dê estas graças: ouçamos a sua voz no Filho e contemos com o Espírito Santo, afinal, o Espírito é parresia, ousadia, força, unção e são do que precisamos para festejar a transfiguração e transfigurar a misericórdia do Senhor neste mundo.

Pai das Misericórdias e Deus de toda consolação, ouvi-nos!

Padre Márcio Prado
Vice-reitor do Santuário do Pai das Misericórdias

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